Mood: Odeio segunda-feira
Music: King Of The Mountain, Kate Bush
Sempre tenho ótimas idéias para posts quando estou longe da internet, mas meus insights brilhantes normalmente desaparecem da minha mente assim que tenho acesso a um computador. O pior é que ando sempre com papel e caneta à mão e poderia facilmente anotar os pensamentos que me ocorrem durante os momentos de relaxamento e as raras epifanias, mas por alguma razão obscura isso nunca acontece. Talvez seja a hora de começar…
O fim de semana foi agitado mas terminou de forma bem tranqüila. Na sexta fui a um bar em Covent Garden para a festa de aniversário/despedida temporária (três meses no Brasil – invejinha!) de uma amiga, com direito a uma saída estratégica no meio do caminho para assistir a No Tan Nuestras, um documentário argentino sobre um veterano da Guerra das Malvinas. Foi interessante ter um ponto de vista diferente sobre este conflito tão particular, próximo da nossa realidade mas ao mesmo tempo tão distante por conta da rivalidade entre nossos países. No filme fica claro o vasto abismo entre os exércitos argentino e britânico, mas também a humanidade que os torna semelhantes.
Sábado teve TV Pirata, almoço num pub à beira do rio (com direito a um pôr-do-sol deslumbrante!), teatro e mais uma festa – desta vez a inauguração para o público da Toca dos Mongos, nome carinhoso da casa nova de três amigos brasileiros. Tinha tempo que eu não bebia tanto quanto no sábado, mas até que meu metabolismo se comportou direitinho e nem fiquei de ressaca no domingo.
O que me assustou foi a semelhança macabra entre a peça a que assisti no sábado e os acontecimentos em Birmingham na mesma noite. Playing With Fire fala sobre política, diversidade e relações entre os ingleses “nativos” e imigrantes de vários lugares, especialmente da Ásia (Paquistão, Índia e Bangladesh) e do Caribe. Numa cidade fictícia do norte da Inglaterra, a inclusão de legislação e projetos de inclusão para melhorar a vida dos imigrantes acaba gerando fricção dentro da comunidade – os ingleses brancos não entendem por que os benefícios também não se aplicam a eles, e o conflito escala até gerar uma onda de crimes e brigas na rua.
Birmingham passou o fim de semana em estado de alerta por causa de um boato de que uma menina negra foi estuprada por um grupo de rapazes asiáticos. A bagunça começou no sábado à noite, quando gangues de jovens de ambos os lados se enfrentaram em diversos pontos da cidade, causando mais de 80 incidentes diferentes e uma morte. Mais confusão se seguiu no domingo, mas por sorte começou a chover pesadamente na região, o que parece ter desencorajado os baderneiros. Como sempre acontece, criminosos se aproveitaram da situação para saquear lojas e restaurantes.
Os protagonistas podem ter sido diferentes na peça e no mundo real, mas a fonte dos problemas é a mesma: racismo, intolerância e medo do que não é familiar. O rumor que gerou a confusão em Birmingham evidentemente foi só o estopim de uma crise que já existia. A questão da imigração é seríssima em toda a Europa, e na Inglaterra parece ser um pouco mais complexa porque os imigrantes vêm de lugares e culturas completamente distintos, formando um caldeirão muitas vezes em ebulição.
(Acabei de perceber que me empolguei e escrevi um testamento. Quem quiser saber mais sobre a situação de Birmingham pode visitar a página da BBC.)
P.S.: Obrigada pelas sugestões anti-ratos, meninas, mas não posso ter animais de estimação na minha casa (está no contrato de aluguel). Adoraria ter um gatinho se pudesse, já que não teria tempo pra cuidar de um cachorro, minha paixão de verdade.
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