Noites na Cidade: Divagações de uma jornalista brasileira em Londres.

Divagações e devaneios de uma carioca em Avalon

Tue
4
Sep '12

Alguém ainda bloga?


Mood: Atolada
Music: In Your Light, Gotye

Muito estranho voltar aqui depois de tanto tempo ausente. Graças a Twitter, Tumblrs e afins ninguém que não é pago pra fazê-lo mantém blog esses dias – o que é uma pena, já que muita coisa não cabe em 140 caracteres e não pode ser expressa através de um gif animado.

Acho que voltei aqui porque estou passando por uma fase de transição e precisava extravasar isso num foro neutro e “protegido” de olhares curiosos. Vou tentar utilizar esse exercício como uma tentativa de ressucitar o blog, começando por um redesign mais do que necessário. A conferir. ;)

Thu
1
Jul '10

Vontade de compartilhar


Mood: Cansada
Music: Night Work, Scissor Sisters

Redes sociais, blogs, podcasts, Twitter – todos esses recursos são apenas maneiras de compartilhar pensamentos, idéias, opiniões, ações, desejos e tudo o mais através da internet. Parece óbvio, mas a quantidade de gente que parece não entender esse princípio básico é bizarramente grande.

Eu tenho um blog (ligeiramente abandonado), perfis em várias redes sociais, sou usuária ativa do Twitter e costumava participar de um podcast com os amigos Cris Dias e Alexandre Maron (o Radar Pop, atualmente em estado semi-permanente de hibernação). Tenho, assim como outros blogueiros, podcasters, gurus do YouTube e afins, uma vontade – e, por que não, uma necessidade – de compartilhar o que faço, vejo, ouço, visito, descubro e experimento com o mundo.

No meu caso, não tem nada a ver com ego. Há muitos anos deixei de ligar para o que pessoas fora do meu cada vez mais seleto grupo de amigos próximos pensam sobre mim. Não tenho nada a provar pra ninguém. Meu prazer deriva de coisas pequenas, como saber que alguém começou a assistir uma das minhas séries favoritas e tornou-se fã também por conta da minha recomendação, ou fazer uma pessoa que está tendo um dia ruim rir de um link idiota que eu postei.

Também não julgo quem quer conquistar fama e fortuna através destes meios – é o cada um de cada um, como diríamos na época da faculdade. Quem sou eu pra determinar que as ambições de outrem são menos válidas que as minhas? Deixo isso para @OCriador no Twitter. :-)

Enfim, esse post foi só um desabafo porque bateu saudade do RadarPop hoje.

Wed
2
Jul '08

Coisas de que sinto falta


Mood: Jet-lagged
Music: That’s Not My Name, The Ting Tings

Talvez seja o fato de eu ainda estar sofrendo os efeitos da minha viagem pra NY, mas minha mente não está conseguindo se concentrar no trabalho apesar de eu ter quilos de coisas pra fazer pra ontem. Em vez disso, entrei em modo nostalgia e tô aqui pensando nas coisas de que eu sinto falta (bem genericamente falando):

* Praticar exercícios regularmente: sempre fui bem ativa, mas desde que vim pra Londres – com a exceção das nossas caminhadas, breves períodos indo à academia e curtas temporadas de frisbee e/ou basquete – não consegui emendar uma rotina decente. Essa semana vou me inscrever em outra academia, perto do trabalho, e espero conseguir freqüentar direito. Não perca as cenas dos próximos capítulos!

* Participar do RadarPop: Por conta das minhas viagens/vida social/etc tem séculos que não consigo participar do podcast, que pra mim sempre foi um bate-papo entre amigos sobre assuntos divertidos que outras pessoas podiam escutar. Fui substituída por vários outros nerds mais ativos na blogosfera brasileira, sniff! Mas um dia eu volto… :-)

* Cuidar mais de mim: Ai que saudades de ir à manicure toda semana… Londres é ótima em vários sentidos, mas em termos de cuidados básicos com a aparência, a regra é fazer em casa ou gastar os tubos. Uma manicure básica sem tirar cutícula aqui custa £20 (mais de R$60 na cotação de hoje), e eu não tenho coordenação suficiente pra fazer minhas próprias unhas sem arrancar doze bifes e o esmalte ficar todo borrado. E ainda não encontrei um cabeleireiro em que eu confie. Preciso de uma hidratação urgente, arggghhh!

Estes são só alguns exemplos de coisas banais que eu não faço mais por força das circunstâncias, mas que pretendo corrigir em breve. E vocês, caros leitores? Algum hobby ou hábito de que vocês sentem falta?

Thu
16
Aug '07

Tudo ao mesmo tempo agora


Mood: Atolada
Music: Ztarlight, Digitalism

Estou me sentindo como a Dorothy de O Mágico de Oz no momento, sendo empurrada de um lado pro outro dentro de um furacão. Um furacão bom, cabe dizer, mas não sei onde o tempo está indo. Daqui a uma semana é meu aniversário (jááááá?), mas este ano n’ao vai ter um Festivo propriamente dito porque falta dia – vou viajar na sexta pra um casamento que acontece no sábado, e durante a semana tem vááárias outras coisas acontecendo. Só pra vocês terem uma idéia, só neste sábado eu tenho três festas pra ir.

Isso sem falar no trabalho. Por que diabos fui ter a idéia de não tirar férias entre um emprego e outro! O emprego novo – de editora do site de uma revista chamada Duty-Free News International, se alguém quiser saber – começou devagarinho, mas já tenho a impressão de que não vou ter tempo pra nada muito em breve. E já tenho a minha primeira viagem a trabalho agendada: Cannes, no fim de outubro, pra um mega-evento do mundo duty-free. Chique, né? ;-)

E aos pouquinhos, como quem não quer nada, o tempo passou e eu não percebi em outro aspecto da minha vida: em pouco mais de duas semanas, completo um ano de namoro com o ruivo. Pra onde foram os dias, as semanas, os meses???

Não estou reclamando, muito pelo contrário. Quem me conhece sabe que eu gosto de uma bagunça. Mas sabe como é, quando a gente chega perto dos 30, começa a prestar mais atenção na passagem do tempo… :-)

Sun
29
Apr '07

Deve ser a idade


Mood: Dolorida
Music: Não Vale A Pena, Maria Rita

EU realmente devo estar ficando velha. Não tenho mais a disposição dos “velhos tempos”, de virar noite, dormir duas horas e acordar nova no dia seguinte. Tá, essa semana foi estressante e, como de hábito, cheia de compromissos sociais, mas estou me tornando uma daquelas pessoas que vai embora cedo pra pegar o metrô antes de fechar – tem coisa mais velha-da-caverna do que isso?

A verdade é que estou amadurecendo e mudando. Não tenho mais paciência pra festões com trocentas pessoas, gente bêbada me enchendo o saco, não conseguir passar da sala pra cozinha de tanta gente no caminho. Aprecio mais as pequenas reuniões, os bate-papos em que você consegue ouvir a pessoa com quem está conversando sem ter que gritar mais alto do que a música… enfim, qualidade em vez de quantidade.

Como sempre fui a proverbial social butterfly, essa mudança de gostos e atitudes é um choque, mas agora estou começando a me acostumar com a idéia – e até a gostar disso. Não me sinto mais na obrigação de ir a todas as festas, todos os encontros, todas as baladas. Vou nas que importam, ou nas que tenho vontade, sem me sentir mal ou que estou missing out por perder um evento. Me divirto quando participo, mas mais do que nunca aprecio curtir boa companhia, ver um bom filme e – pasmem! – uma boa noite de sono. É a idade… :-)

Mon
23
Apr '07

Tortura musical


Mood: Notívaga
Music: Turning Japanese, The Vapors

A democratização da tecnologia na Inglaterra tem suas vantagens: aqui, quando você assina um contrato com uma empresa de telefonia celular, ganha o aparelho de graça. Isso vale para a maioria dos modelos, inclusive os mais recentes celulares musicais, como a linha Walkman da Sony Ericsson.

Infelizmente, nem toda tecnologia é usada para o bem, e um episódio comum nos ônibus de Londres são jovens que sentam nos bancos de trás do segundo andar e obrigam os demais passageiros a ouvir a música – em geral terrível – que emana de seus modernos telefones.

Juro que não entendo. Esses telefones em geral vêm com fones de ouvido no pacote, então por que não utilizar essas maravilhosas invenções e nos poupar do barulho desnecessário? Invariavelmente, os jovens em questão estão ouvindo hip-hop, rap ou r’n'b da pior qualidade. Eu, que já não sou fã dos gêneros citados, estaria perdida não fosse pelo meu fiel escudeiro, um Creative Zen Vision:M equipado com fones anti-ruído.

É fácil entender, no entanto, por que este desagradável fenômeno acontece: é da natureza dos ingleses não gostar de reclamar sobre nada. Todo mundo sabe que inglês adora uma fila e estas são respeitadas num nível próximo da adoração, mas se alguém fura a fila geralmente consegue sair impune – o amor por filas organizadas não é maior do que o medo de causar uma cena, possivelmente o mais forte instinto dos bretões. Imagina a vergonha! Inadmissível!

A sorte dos torturadores-possuidores-de-celulares-modernos-tocando-música-ruim é que sou uma pessoa naturalmente de bom humor, porque o dia que um deles me pegar de ovo virado, os ingleses à minha volta vão morrer de vergonha alheia pelo tamanho do escarcéu que eu vou causar. :-)

Fri
23
Mar '07

Abriram as portas do manicômio


Mood: Endoidando
Music: A View To A Kill, Duran Duran

Meu irmão teria orgulho de mim essa semana: estou atraindo malucos como um pote de mel atrai abelhas! E não satisfeita em ter doidos atrás de mim, meu efeito – que deve ser contagioso – afetou meu pobre namorado também.

Pra começar, um perturbado com IP da Holanda começou a ‘spammear’ meus comentários com artigos sobre bullying em inglês. Não sei se ele acha que eu tenho por hábito intimidar e menosprezar pessoas, ou se é só maluquinho mesmo, mas desde o fim de semana ele (ou ela, vai saber!) vem constantemente postando notícias quilométricas sobre o assunto, que eu prontamente marco como spam e deleto.

Na terça, que foi quase um inferno astral de um dia pra mim, descobri que a namorada de um amigo meu daqui acha que eu sou o Anticristo, com direito a posts em minha ‘homenagem’ no blog dela. Resumindo o surto da criatura, ela acha que eu olhei pra ela de cara feia e fui mal-educada ao não me apresentar quando ela chegou na casa do amigo em questão. Eu, que nunca a vi mais gorda e não sabia quem ela era, não me apresentei mesmo – mas dei oi e sorri. Minha suspeita é de que a moçoila é extremamente insegura e/ou ciumenta e ficou revoltadinha ao me ver aboletada no sofá da casa do rapaz. Como tenho experiência em ser odiada por namoradas de amigos, chorei lágrimas de sangue e até hoje estou sem dormir por causa disso. ;-)

O terceiro caso não foi comigo, mas sim com o ruivo. Ele mora numa casa enoooorme com mais quatro pessoas (cada uma tem seu quarto), só que uma delas – uma menina chatinha – não gosta dele, e vice-versa. Até aí, nada de mais. Só que na quarta ele tirou a noite pra fazer faxina no banheiro principal da casa, e depois que terminou fechou a porta, colocou a lixeira na frente e um recado dizendo pras pessoas não usarem aquele banheiro porque o chão estava molhado. Qual não foi a sua surpresa quando ele encontrou um sachê de chá usado na pia que ele tinha acabado de lavar – por coincidência, logo depois que a tal mocinha saiu do banheiro, apesar do aviso na porta (que ele encontrou no lixo).

Não sei o que tem puseram na água dessa cidade, mas até segunda ordem só tomo Evian!

Tue
20
Mar '07

Coisa de inglês


Mood: Friorenta
Music: Head Like A Hole, Nine Inch Nails

Sábado passado foi a comemoração de aniversário de um dos melhores amigos do ruivo, e passamos boa parte do dia (cerca de oito horas) pulando de bar em bar – com direito a uma parada num restaurante tailandês pra jantar. Esta prática é bastante comum na Inglaterra e é conhecida como pub crawl.

Juro que não vejo graça em entrar num pub, tomar uma cerveja e andar pro próximo. Qual o problema em entrar num bar ou pub legal, encontrar um bom lugar, sentar e se acomodar e passar horas batendo papo com os amigos? Tá, eu também não vejo graça em beber até cair – passatempo usual por essas bandas – então talvez eu não seja a pessoa mais indicada pra comentar sobre o assunto. Mas eu bem queria entender qual o comichão que dá na bunda dos ingleses que impede sua permanência no mesmo bar por uma tarde inteira!

Ainda tem um agravante: não faz diferença a temperatura e/ou condições climáticas do lado de fora; o ímpeto de perambular é mais forte e prevalesce mesmo nos climas mais extremos. Aí você entra no bar, tira os 3kg de casaco, cachecol, luvas e afins e se aboleta pra dali a dez minutos vestir a armadura contra o frio novamente e encarar o mundo exterior à procura da próxima parada.

Enquanto eu, ruivo e amigos pulávamos de galho em galho, meus amigos brasileiros organizavam um churrasco bem tupiniquim não muito longe dali. Confesso que passei boa parte do dia querendo estar lá… ah, os sacrifícios que não fazemos por amor!

Wed
24
Jan '07

A verdade


Everything ends
The way it begins
God takes care of the little things

Wed
6
Dec '06

Lar, doce lar


Mood: De férias!
Music: Runaway, Jamiroquai

Apesar dos controladores de vôo, verificações de segurança e atrasos quase intermináveis, consegui chegar ao Rio no final da manhã de sábado. Meu vôo estava programado pra aterrissar no Galeão às 8.45 da manhã, mas só chegou mesmo depois das 11, e só fui chegar em casa ao meio-dia, pra alegria do Charlie (meu cão ancião, do alto de seus 14 anos).

Não tive muito tempo pra curtir a família, já que às 8 da noite eu teria que estar no Méier para o casamento de um dos meus melhores amigos daqui. Depois de fazer uma festinha, entregar presentes e dar uma relaxada, sobravam pouco mais de cinco horas pra ir ao cabeleireiro e dar um jeito na situação periclitante em que minhas mãos, pés e cabelos se encontravam.

No fim das contas, voltei pra casa às 6, a tempo de me vestir e fazer maquiagem com calma, jáque o táxi que minha mãe chamou estava marcado para as 7. Fizemos um pit-stop na Tijuca pra buscar meu irmão e minha cunhada, que eram padrinhos, e chegamos à igreja pouco antes das 8.

Pra nossa surpresa, a noiva do casamento anterior ao do meu amigo ainda nem tinha entrado! Não preciso dizer que o casamento dela foi vapt-vupt, e que o do meu amigo nem foi demorado também. Quando saímos da igreja, os padrinhos do casamento seguinte já estavam na porta esperando pra entrar – eram seis celebrações no mesmo dia!

A festa foi uma farra só: apesar da trilha sonora questionável (começou com Roupa Nova e terminou com funk, por culpa do “bom gosto” da noiva), a animação era enorme e curtimos à beça. Descobri que virei uma alcóolatra aqui graças às pints britânicas (tulipa desce que nem água!) e matei as saudades de um grupo mais do que querido de amigos. All in all, um dia e tanto.

De lá pra cá não fiz muita coisa, mas já gastei dinheiro comprando extravagâncias. Eu mereço, né? Aos amigos cariocas, entrem em contato! Já estou com celular local. ;-)

Wed
22
Nov '06

Closure


Mood: Passando a régua
Music: Last Dance, The Cure

Acho que não existe um português uma palavra que exprima exatamente o que closure realmente representa: aquela sensação de página virada, de capítulo novo que começa na vida da gente.

Hoje tive a conversa que faltava pra virar uma página na minha vida. E foi como eu esperava, indolor e por vezes até mesmo doce, mas chorei assim mesmo. É difícil abrir mão de certos trechos de nossas histórias, especialmente aqueles que achamos que poderiam ter um desfecho diferente. Mas o importante – essencial, na verdade – é que capítulos se encerrem e novas aventuras tenham início.

Neste caso, o novo capítulo já havia começado, mas o antigo estava à espreita, esperando uma oportunidade de voltar com força total. Agora não existe mais este risco, e estou em paz. Que venham as próximas aventuras!

Tue
7
Nov '06

Curtas


Mood: Estressada
Music: Sweet Potato, Sia

Estou tão atarefada no trabalho que até somatizando o meu estresse eu estou. Sai desse corpo, coisa-ruim! Ainda bem que não falta muito até minhas férias de verdade começarem…

*****

Amanhã vou assistir ao badaladíssimo Borat no cinema, na quinta vou a um evento que promete e sexta de manhã embarco no Eurostar para Bruxelas. O melhor de tudo? A companhia, dele, sempre. A estafa vai embora só de pensar em tanta coisa boa. :-)

*****

Não sei por que ainda me espanto com a quantidade de gente que chega no meu blog procurando por peitos grandes em sites de busca. Tá, eles até estão no lugar certo, mas não acho que seja isso que eles queiram…

*****

As pessoas deveriam ser obrigadas por lei a ouvir o álbum Colour The Small One da Sia. É muito, muito, muito, muito bom. E ela é um barato, uma figuraça mesmo.

*****

O aquecimento aqui de casa não está funcionando. Até que nem está tão frio ainda (uns 8 graus no momento), mas levantar da cama de manhã é um sacrifício. Espero que consertem logo o bendito!

*****

O pai de uma amiga querida está bastante doente, e no fim de semana fiz uma coisa que não fazia há algum tempo: fui à igreja e acendi uma vela pra que ele se recupere. Deu saudades de ir com mais freqüência… vou tentar retomar esse hábito bom.

Sun
30
Jul '06

Blé


Mood: Cansada
Music: Never Win, Fischerspooner

Preciso de férias. Meu trabalho não anda rendendo o suficiente, e estou de saco cheio de tantos eventos sociais (quem diria que um dia eu escreveria isso!). Estou numa fase “meu reino por um fim de semana sem compromissos”, e quem me conhece sabe que isso é um mau sinal. Vou ter que tirar uns dias de folga em agosto com certeza, senão não vou agüentar o tranco.

É por conta desse cansaço mental que ando sem escrever aqui, e por isso peço desculpas aos caríssimos leitores deste blog. Há novidades no horizonte, no entanto, e assim que eu tiver tempo e paciência, interá-los-ei dos acontecimentos. ;-)

Wed
19
Jul '06

Alalaô…


Mood: Acalorada
Music: Made Up Lovesong #43, Guillemots

Londres está um inferno. Literalmente. Estamos enfrentando uma mini-onda de calor que promete quebrar o recorde de temperatura para o mês de julho, estabelecido em 1911. Os 36ºC esperados podem não parecer muito para uma carioca que devia estar acostumada com essa desgraça, mas a capital inglesa não foi feita pra temperaturas extremas como essa – a média normal pra julho é 23ºC.

O mais aterrorizante é encarar o transporte público da cidade nesta canícula. A manchete na capa do Evening Standard (jornal vespertino de Londres) de ontem alardeava: “52 graus nos ônibus, 47 graus no metrô”. Vale lembrar que não tem ar-condicionado em nenhum dos dois, obviamente. Medo!

Se fosse só a temperatura seria ruim, mas andar de metrô tem um agravante – a nhaca que pessoas porcas exalam. Tudo bem, tá quente à beça e seria demais querer que as pessoas não suassem, mas uma coisa é o cheiro de uma pessoa que tomou um banho de manhã mas perspirou durante o dia, e outra é a catinga de alguém que não vê um chuveiro há uma semana. Pra meu azar, como sou baixinha fico na altura do suvaco das outras pessoas num trem lotado, e meu pobre olfato sofre com o CC alheio. Acho que vou ter que andar com um pregador de roupas na bolsa até essa onda de calor passar…  

Fri
26
May '06

Despedida


Mood: Letting go
Music: Say Goodbye, Dave Matthews Band

“Adeus,” disse a raposa. “Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

“O essencial é invisível para os olhos,” repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

“Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.”

“Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa…” repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

“Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa…”

“Sou responsável pela minha rosa…” repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry

Mon
24
Apr '06

Sunday Bloody Sunday


Mood: Preocupada
Music: Ironic, Alanis Morrissette

E mais uma vez as ironias da vida me pegam de jeito: logo depois de ter uma conversa sobre karma – e como eu tinha feito algo que me renderia uns pontos positivos – com uma das meninas que moram comigo, recebo uma notícia preocupante. Aí resolvo sair pra jogar frisbee e relaxar, só que tudo que pode dar errado acaba acontecendo. Até gente do meu próprio time me dava porrada (sem querer, claro)! Me senti como o personagem do Jason Lee em My Name Is Earl - só não entendi o porquê da revolta contra mim se eu ando me comportando direitinho… :-(

Tue
18
Apr '06

Juntando os trapinhos


Mood: Bittersweet
Music: Everlasting Love, U2

Quem diz que casamento está fora de moda não sabe do que está falando. Seja qual for a razão, a temporada de juntar oficialmente as escovas de dente não dá sinais de que vai terminar tão cedo.

Tenho vários amigos de enlace matrimonial marcado. Alguns, como a Mônica e o Ale, montam blog de casamento para que os amigos, próximos ou distantes, possam acompanhar as desventuras da reta final para o grande dia. Outros, como a Cris e o Marcelo, já acertaram a data do casório para daqui a mais de um ano. Como a maioria dos eventos será no Brasil e minhas férias (e dinheiro) infelizmente têm limite, vou perder a maioria deles. Aliás, já perdi tanto casamento de gente que adoro que, embora sempre exista aquela pontinha de tristeza por não poder participar do grande dia das pessoas queridas, a felicidade que compartilho com eles é mais do que suficiente pra compensar aquele amarguinho que fica.

Quem me conhece sabe que sou uma romântica incurável, apesar do jeitão down-to-earth. Gosto mais de finais felizes no mundo real do que no cinema, e sempre torço, como diria o amigo Márvio, pra que todo mundo se dê bem. É claro que também há um motivo egoísta nisso tudo: o fato de outras pessoas encontrarem aquela pessoa especial com quem realmente pretendem passar o resto de suas vidas me dá esperança de que um dia eu também consiga ter esta sensação de completude com alguém! :-)

Ah, isso porque eu nem comentei sobre os bebês que estão no forno… ;-)

PS: O próximo post é sobre a Cornualha, quando voltaremos à nossa programação normal.

Sat
8
Apr '06

Túnel do tempo


Mood: Surpresa
Music: Ironic, Alanis Morrissette

Ontem passei algum tempo classificando os posts do primeiro ano deste blog, que em junho completa quatro primaveras, e foi quase como viajar no tempo. Relendo as coisas que escrevi naquela época, o registro das experiências – boas e ruins – que vivi tem um quê de ingenuidade, de inexperiência mesmo. Eu não me furtava de abordar assuntos pessoais ou de pormenorizar o que estava sentindo; como as coisas mudam!

Não que eu não fale mais de assuntos pessoais ou meus sentimentos, é claro, mas é impressionante perceber o quanto mudou internamente nesses quase quatro anos. Ao mesmo tempo, é muito legal saber que tenho esse “diário” à disposição para quando precisar de um reality check, colocar as coisas em perspectiva.

Ao mesmo tempo, é ótimo ver que certas coisas permanecem intocadas, e que amadurecer não significa abrir mão dos seus sonhos e ideais, mas sim aprender com os erros do passado e conhecer-se melhor. Isso sem falar nas pessoas que me acompanharam nesta viagem… :-)

Wed
22
Mar '06

Perfil


Mood: Reveladora
Music: Yellow Brick Road, Elton John

Achei na casa da mamãe Cris esse pingue-pongue, e como estou numa semana de me revelar aos poucos para vocês, caros leitores, aí vão as minhas respostas.

Ator: Edward Norton
Atriz: Audrey Hepburn
O que você nunca faria: Cometer suicídio
Pasta de dente: A que estiver em promoção no mercado!
Parte do corpo do homem que mais gosta: Olhos e mãos
Cantora: Aretha Franklin
Homem elegante: George Clooney
Homem bonito: Wando (piada interna) e Clive Owen
Mulher bonita: Monica Belucci
Comida: Churrasco
Sonho de consumo: Viajar sempre na primeira classe
Coisa que mais gosta de comprar: Livros!
Mulher elegante: Nicole Kidman
O que você não usaria: Drogas pesadas
Sabonete: Líquido da Johnson’s
O que vc gostaria de fazer hoje: Ficar em casa descansando
Que loja você gostaria de assaltar: Harvey Nichols
Tipo de homem: Honesto
Defeito: Um só? Intolerância
Bebida: Chá com leite
Loja: Amazon
Refrigerante: Guaraná Antarctica
Flor: Azaléia
Revista: The Economist
Gênio: Leonardo da Vinci
Cantor: Frank Sinatra
Pintor: Goya
O que você não consegue mais ouvir: Pagode – perdi a resistência
Filme que você queria ver agora, sem ter visto antes: A Lista de Schindler
Personagem da ficção: Éowyn
Herói: Meu pai
Uma das coisas que você gostaria de ter e não tem: Um animal de estimação aqui
Caderno Cultural: Review do The Guardian aos sábados
Programa de TV: Grey’s Anatomy
Lugar que gostaria de conhecer: Austrália
Filosofia de vida: Don’t worry, be happy
Cena mais sexy do cinema: Quase todas as da Marilyn Monroe
Que filme você gostaria de rever: Clube da Luta
O que você nunca comeria: Gente!
Salgadinho predileto: Bolinho de bacalhau
Doce: Cheesecake
Diretor: Tim Burton
Quem você gostaria de namorar: O homem da minha vida ;-)
Que livro você está lendo: Port Out, Starboard Home
Se pudesse escolher um rosto pra você, qual você escolheria: O meu tá bom
Animal predileto: Cavalo
Verdura: Brócolis
Viagem que gostaria de fazer: Um tour pelo sudeste asiático
Presente inesquecível: Viagem ao Japão
Amor inesquecível: Todos, cada um à sua maneira
O que nunca assistiria: Crueldade contra crianças ou animais
Jornalista: George Orwell
Livro marcante: To Kill A Mockingbird, Harper Lee
Canal de televisão: BBC One
Pessoa engraçada: Galotério
Ator brasileiro: Lázaro Ramos
Atriz brasileira: Fernanda Montenegro
Como gostaria de morrer: Realizada
Caneta: Esferográfica
Medo: De estar longe da família quando eles precisarem de mim
Frase: “He who has a why to live can bear almost any how.”
Restaurante: Nik Sushi
Modelo: Gisele Bündchen
Humor: Britânico
Poesia: Sempre!
Em quem você tacaria uma torta na cara: George W. Bush
Pedra: Rubi
O maior crime: Pedofilia
Profissão que despreza: Acho que nenhuma
Profissão que gostaria de ter: Escritora
O que gostaria de fazer mas tem vergonha: Dançar pela rua
Tatuagem: Não tenho
Chocolate: Todos!
Santo: São Francisco de Assis
Sonho: Paz mundial
Time: Vasco no Brasil, Everton na Inglaterra
Luxo predileto: Manicure toda semana… que saudade!
Coisa deleitável: Brigadeiro (quente) na panela
Jogo de Tabuleiro: Ticket To Ride
Dia da semana: Sexta-feira
Praia ou Montanha: Montanha
Coleção: MP3 :-)

Mon
27
Feb '06

Fim de semana em família


Mood: Um pouco triste
Music: Live With Me, Massive Attack

Este fim de semana me fez lembrar do que eu mais sinto falta morando aqui: meu pai fez uma visitinha rápida em meio a viagens de trabalho, chegando na sexta e indo embora hoje de manhã, e embora eu tenha adorado curtir a companhia dele, agora estou morrendo de saudades. Não só dele, claro, mas também da minha mãe, do meu irmão, do meu cachorro… *suspiro*

O pior é que só devo ir ao Brasil agora em dezembro, um ano e meio depois da minha última visita. Haja telefonema pra agüentar! :-)

Mon
20
Feb '06

Deve ser a idade…


Mood: Dramática
Music: Under The Weather, KT Tunstall

Lembram daquela gripe que eu estava tentando matar em janeiro? Pois é, a danada ainda está me pentelhando – vem e vai de tempos em tempos, com sintomas diferentes me enchendo a paciência.

Só que hoje, conversando com meu irmãozinho na net, fui informada de que na verdade a tal gripe pode ser uma alergia de desenvolvimento tardio. Meu irmão descobriu ano passado que tem rinite alérgica, e sugeriu que eu fizesse os testes de alergia aqui uma vez que histórico familiar influencia bastante essas coisas. Era só o que me faltava… :-(

Tue
10
Jan '06

Mais um ano…


Mood: Ainda zen
Music: Silent Lucidity, Queensryche

Não fiz nenhuma retrospectiva de 2005 nem postei aqui minhas resoluções para 2006 porque não acredito nestas últimas, e estava sem motivação pra fazer a primeira direito. Mas o ano que terminou foi bom pra mim, muito bom até. Fiz novos amigos e retomei o contato com alguns antigos, viajei bastante, trabalhei um bocado, voltei a estudar alemão… aprendi muito sobre diversas coisas, mas especialmente sobre mim mesma. Meus amigos de Santos tinham uma teoria de que anos ímpares são sempre bons e anos pares são sempre ruins, e embora eu não necessariamente concorde 100%, ela valeu para 2005.

A cada ano que passa, descubro que preciso de menos coisas pra ser feliz. Não quer dizer que meus níveis de exigência estajam diminuindo, mas sim que estou apreciando cada vez mais as coisas simples da vida. Sei melhor o que quero e o que me faz feliz, e estou inconscientemente me afastando de tudo o que não se enquadra nessas categorias. É um processo curioso e às vezes um pouco triste, mas muito produtivo. Também requer manutenção constante, mas o que na vida vale a pena e não exige cuidado? :-)

Peço desculpas aos leitores que esperam textos menos contemplativos, mas minha fase zen não vai durar pra sempre, então estou aproveitando. ;-)

Mon
9
Jan '06

Tudo zen


Mood: Serena
Music: Mezzanine, Massive Attack

Não sei exatamente por que, mas reparei que de uns tempos pra cá ando muito mais tranqüila, mais relaxada. Pode ser que as pequenas férias que tive tenham ajudado, mas não conseguiria determinar um momento específico quando a ‘transformação’ aconteceu. Sou normalmente uma pessoa calma com tendências a me exaltar de vez em quando, mas nas últimas semanas tenho lidado melhor coisas que em outras circunstãncias talvez tivessem causado uma reação mais forte. Mesmo quando preciso ser decisiva, o tenho feito sem perder a serenidade.

Parece papo de ano novo, mas acho que vem acontecendo há mais tempo – há alguns meses, até. Tenho refletido sobre meus (poucos) problemas e minha vida com serenidade, sem drama ou estresse. Sempre tive consciência de quanta sorte tenho por ter uma família unida e que me apóia em todos os momentos, nunca ter passado necessidade, poder contar com amigos leais e queridos, ter uma boa educação e oportunidades como a de vir morar na Europa. Cada vez mais o resto parece insignificante, no caso dos problemas, ou como um bônus, no caso das coisas boas. Será o tal retorno de Saturno?

Seja lá a razão, recebo de braços abertos esse momento zen. Talvez seja um bom momento pra voltar a treinar Aikido ou alguma outra arte marcial. :-)

Adendo: Assisti ao sensacional Brokeback Mountain no sábado e recomendo enfaticamente. O filme é triste toda a vida, mas extremamente sensível e, trocadilhos à parte, sem viadagem apesar do tema polêmico. Atuações fantásticas de todo o elenco, com destaque para o cowboy durão de Heath Ledger e a rápida mas marcante aparição da mãe do personagem de Jake Gyllenhaal. Os mais emotivos não podem esquecer dos lenços de papel ou irão sair do cinema com a camisa molhada, como eu. Sinto cheiro de Oscar

Tue
15
Nov '05

Labirinto de memórias


Mood: Nostálgica ma non troppo
Music: Força, Nelly Furtado

Por conta da mudança do blog, acabei me vendo obrigada a reler meses e mais meses de posts antigos para criar títulos e categorizá-los. Como nunca mantive diários por tempo suficiente pra fazer isso antes de criar o Noites, nunca passei por essa experiência de remexer nas memórias do passado desta maneira. Ao voltar a ler coisas que escrevi há um ano atrás, pude perceber entre as linhas o que eu estava sentindo quando digitei aquelas exatas palavras. É quase perturbador.

Ao mesmo tempo, reviver os bons momentos através de minhas próprias lembranças tem seu lado positivo. E também perceber que aproveitei (e muito!) cada momento desde que me mudei para Londres, warts and all. Acho que agora entendo por que as pessoas escrevem autobiografias.

Fri
4
Nov '05

Santa paciência, Batman


Mood: Hein?
Music: Breathe Me, Sia

Deu a louca no Weblogger. Nem eu consigo ver meu blog. É por essas outras que eu queria mudar de hospedagem… :-(

Sat
29
Oct '05

Aperto


Mood: Saudosa
Music: Aconchego, Elba Ramalho

Quando o inverno começa e os dias começam a ficar mais curtos, a saudade bate mais forte e o coração sempre aperta um pouquinho.

Mon
24
Oct '05

Momento Garfield


Mood: Odeio segunda-feira
Music: King Of The Mountain, Kate Bush

Sempre tenho ótimas idéias para posts quando estou longe da internet, mas meus insights brilhantes normalmente desaparecem da minha mente assim que tenho acesso a um computador. O pior é que ando sempre com papel e caneta à mão e poderia facilmente anotar os pensamentos que me ocorrem durante os momentos de relaxamento e as raras epifanias, mas por alguma razão obscura isso nunca acontece. Talvez seja a hora de começar…

O fim de semana foi agitado mas terminou de forma bem tranqüila. Na sexta fui a um bar em Covent Garden para a festa de aniversário/despedida temporária (três meses no Brasil – invejinha!) de uma amiga, com direito a uma saída estratégica no meio do caminho para assistir a No Tan Nuestras, um documentário argentino sobre um veterano da Guerra das Malvinas. Foi interessante ter um ponto de vista diferente sobre este conflito tão particular, próximo da nossa realidade mas ao mesmo tempo tão distante por conta da rivalidade entre nossos países. No filme fica claro o vasto abismo entre os exércitos argentino e britânico, mas também a humanidade que os torna semelhantes.

Sábado teve TV Pirata, almoço num pub à beira do rio (com direito a um pôr-do-sol deslumbrante!), teatro e mais uma festa – desta vez a inauguração para o público da Toca dos Mongos, nome carinhoso da casa nova de três amigos brasileiros. Tinha tempo que eu não bebia tanto quanto no sábado, mas até que meu metabolismo se comportou direitinho e nem fiquei de ressaca no domingo.

O que me assustou foi a semelhança macabra entre a peça a que assisti no sábado e os acontecimentos em Birmingham na mesma noite. Playing With Fire fala sobre política, diversidade e relações entre os ingleses “nativos” e imigrantes de vários lugares, especialmente da Ásia (Paquistão, Índia e Bangladesh) e do Caribe. Numa cidade fictícia do norte da Inglaterra, a inclusão de legislação e projetos de inclusão para melhorar a vida dos imigrantes acaba gerando fricção dentro da comunidade – os ingleses brancos não entendem por que os benefícios também não se aplicam a eles, e o conflito escala até gerar uma onda de crimes e brigas na rua.

Birmingham passou o fim de semana em estado de alerta por causa de um boato de que uma menina negra foi estuprada por um grupo de rapazes asiáticos. A bagunça começou no sábado à noite, quando gangues de jovens de ambos os lados se enfrentaram em diversos pontos da cidade, causando mais de 80 incidentes diferentes e uma morte. Mais confusão se seguiu no domingo, mas por sorte começou a chover pesadamente na região, o que parece ter desencorajado os baderneiros. Como sempre acontece, criminosos se aproveitaram da situação para saquear lojas e restaurantes.

Os protagonistas podem ter sido diferentes na peça e no mundo real, mas a fonte dos problemas é a mesma: racismo, intolerância e medo do que não é familiar. O rumor que gerou a confusão em Birmingham evidentemente foi só o estopim de uma crise que já existia. A questão da imigração é seríssima em toda a Europa, e na Inglaterra parece ser um pouco mais complexa porque os imigrantes vêm de lugares e culturas completamente distintos, formando um caldeirão muitas vezes em ebulição.

(Acabei de perceber que me empolguei e escrevi um testamento. Quem quiser saber mais sobre a situação de Birmingham pode visitar a página da BBC.)

P.S.: Obrigada pelas sugestões anti-ratos, meninas, mas não posso ter animais de estimação na minha casa (está no contrato de aluguel). Adoraria ter um gatinho se pudesse, já que não teria tempo pra cuidar de um cachorro, minha paixão de verdade. :-)

Fri
21
Oct '05

Problemas domésticos


Mood: TGI Friday
Music: Let’s Dance, Donna Summer

Nunca morei em casa antes de vir para Londres, e as únicas criaturas que costumavam incomodar nossa paz doméstica no Rio eram formiguinhas e ocasionais baratas voadoras no verão. Desde maio, no entanto, minha casa teve dois hóspedes menos do que desejáveis – ratinhos.

O primeiro visitante foi bem audaz. Estava eu sozinha em casa, assistindo televisão na sala, quando notei um movimento no canto do meu campo de visão. Quando me virei, tinha um ratinho me encarando, desses pequenos e cinzentos que aqui existem aos montes no metrô. Ele (ou ela, não sei) ficou parado por dois segundos e depois saiu correndo para fora da sala. Tentei seguir o bichinho para saber onde ele se escondia, mas o salafrário foi mais rápido do que eu e desapareceu antes que eu pudesse alcançá-lo.

Avisei às meninas que moram comigo sobre a presença do rato, e alguns dias depois uma delas encontrou o pequeno cadáver do intruso atrás do gaveteiro em seu quarto (ainda bem que não era o meu, eca!). Não nos preocupamos muito mais com ratos, embora tivéssemos feito uma nota mental para pedir à administradora que desratizasse a casa.

Algum tempo depois, minha outra housemate cruzou com outro visitante, desta vez na cozinha. Foi um breve encontro, e o invasor também conseguiu fugir graças ao estado de choque em que a donzela ficou ao ver o roedor. Como não houve outro incidente, imaginamos que o rato tenha ido morar em outras paragens.

Isso foi há uns dois meses atrás. Esta semana pensei em comer um pedaço de um chorizo espanhol que comprei há algum tempo e estava guardado no armário, mas quando peguei o dito cujo havia um buraco no pacote grande o suficiente para eu colocar um dedo ali dentro. Evidentemente, um de nossos visitantes decidiu por bem comer meu chorizo já que eu não o tinha feito ainda. Isso é pra eu aprender a não ficar guardando comida por muito tempo – acabei tendo que jogar fora o pacote inteiro na dúvida (ratos não são as criaturas mais higiênicas da face da Terra). Morar no “Primeiro Mundo” tem suas desvantagens…

Tue
4
Oct '05

*Kerching!*


Mood: Pobre
Music: The Boys Are Back In Town, Thin Lizzy

É nisso que dá inventar moda e dar azar ao mesmo tempo: gastei mais dinheiro do que eu devia e/ou podia este mês e agora estarei pobre pelas próximas três semanas. Isso não seria um problema se eu não estivesse de viagem marcada para Madri nesta sexta-feira. Ainda bem que a passagem já está paga e vou ficar em casa de amigos, senão eu teria que cancelar a bagaça ou me endividar ainda mais no cartão de crédito. Saudade dos tempos em que eu podia contar com a ajuda da minha mãe pra tapar meus rombos bancários… :-)

Seguindo a linha “pobre mas feliz”, tirando a falta de dinheiro (com a qual eu já estou acostumada – afinal, jornalista ganha mal em qualquer lugar do mundo), a vida vai muito bem. Hoje à noite irei à festinha de despedida da Julia, que volta para o Brasil nesta quinta depois de um ano por essas bandas fazendo mestrado. Vou, mas não pretendo consumir nada, e jantarei em casa para conter despesas. O que conta é a presença, afinal!

Thu
8
Sep '05

Bons ventos


Mood: Very excited!
Music: Pump Up The Jam, Technotronic

Enquanto o Brasil parava para comemorar sua independência, as engrenagens européias funcionavam a todo vapor. Boas notícias possivelmente significam que vou ter bem menos tempo livre nos próximos meses, mas que portas se abrirão para oportunidades únicas no futuro próximo. Preciso planejar bem que passos tomar, programar meu tempo de maneira sensata e tomar cuidado para não abraçar o mundo. Pés no chão, mas sem tirar os olhos do céu…