Mood: Velha
Music: Last Nite, The Strokes
Interrompemos nossa programação futebolística normal para o primeiro de três informes extraordinários sobre o O2 Wireless Festival, orgia musical que acontece esta semana no Hyde Park. Ontem foi o primeiro dia do evento, que reúne artistas dos mais variados estilos em cinco dias de farra.
Cheguei ao parque cedo porque tirei meio dia de folga, e fiquei lendo e relaxando na grama enquanto via a fila para entrar crescer e crescer. Como sou adepta da tecnologia muderna, meu ingresso é um código de barras enviado em forma de mensagem de texto para o meu celular, e não pego a fila dos plebeus. Sweeeeet!
Quando meu amigo Angus chegou, entramos e fizemos um reconhecimento do terreno. Há várias opções de comida, bebida e entretenimento para o público, umas três áreas VIP diferentes e cinco arenas e palcos diferentes. Com tanta coisa acontecendo, tivemos que escolher com cuidado as bandas que realmente queríamos ver, e prosseguimos para o campo em frente ao palco principal para escolher um bom lugar.
Os trabalhos do dia foram abertos pela ‘girl band’ The Like, cuja característica mais impressionante era a empolgação da baterista. Depois de ouvir às músicas do grupo no MySpace, posso afirmar que elas soam melhor no álbum do que ao vivo. A apresentação em si nem foi ruim, mas a animação das outas duas integrantes do trio – e da platéia – era quase zero.
A apatia das meninas foi gloriosamente substituída pelas cores, sons e loucuras do grupo novaiorquino Gogol Bordello. Formada em sua maioria por imigrantes do Leste Europeu, a banda tem um estilo auto-definido como “punk cigano” e contagia desde o primeiro segundo. Eles fizeram o segundo melhor show da noite, e agora estou pensando como vou conseguir rebolar pra vê-los de novo em Reading.
Depois do divertido caos do bordel mais punk do planeta, quem subiu ao palco foram os ex-companheiros de Pete Doherty na banda The Libertines, agora atuando como Dirty Pretty Things. Ainda que eficiente, achei a apresentação deles meio burocrática, e não me empolguei muito. Tudo bem que eu não conhecia muita coisa da banda antes do show, mas não fiquei com muita vontade de conhecer mais epois de vê-los ao vivo.
Fugimos da muvuca do palco principal em direção ao Xfm Stage para assistir ao estilo particular da banda indie Guillemots, que mistura jazz, rock e pop em um pacote pra ouvir e dançar. O grupo multi-instrumental conta até com um guitarrista brasileiro e fez um show cheio de energia. Eles também vão tocar novamente em Reading, e mais uma vez eu gostaria de revê-los, mas sabe lá o que vai acontecer por lá!
Depois de uma pausa para abluções e bebidas, voltamos à área principal do evento para ver os escoceses do Belle & Sebastian em ação. Não nos arrependemos: o grupo arrebentou e fez o melhor show da noite, e me espantei ao perceber que eu conhecia a maioria das músicas apesar de não ser expert na banda. Todos os ingredientes para uma grande apresentação estavam lá: empolgação, empatia com a platéia, ótima música e uma vibe legal. Eles eu vejo de novo em Reading com certeza!
Pra fechar a noite, enfrentamos adolescentes drogados e muito empurra-empurra pra assistir ao quinteto novaiorquino The Strokes, mas felizmente o esforço valeu a pena. Apesar de mais curto do que eu esperava, o show foi vibrante, misturando “clássicos” (as aspas são pra ressaltar que a banda só existe há sete anos) e músicas novas. Os fãs de carteirinha, entre os quais eu não me incluo, pareciam satisfeitos, então quem sou eu pra reclamar!
A impressão que ficou no fim da noite é de que estou ficando velha pra essas coisas, porque não tenho mais paciência pra aturar gente pulando em cima de mim nem me empurrando pra passar onde estou por muito tempo. Ah, e porque a maioria das bandas que vi é composta por gente mais nova do que eu…
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