Noites na Cidade: Divagações de uma jornalista brasileira em Londres.

Divagações e devaneios de uma carioca em Avalon

Mon
23
Jul '07

O fim de uma era


Mood: Satisfeita
Music: Come Together, Blur

Terminei esta noite de ler o famigerado sétimo livro da série mais bem-sucedida dos últimos anos: a saga do bruxo Harry Potter e seus companheiros. Não vou entrar em detalhes por motivos óbvios (não sou estraga-prazeres), mas posso dizer que fiquei satisfeita. A história terminou como eu esperava que terminasse – todos os segredos foram revelados, todas as tramas e loose ends foram encerrados, e a ação praticamente não pára durante as 607 páginas do calhamaço.

Imagino que vai ter uma porção de gente ‘órfã’ dos livros agora que a série terminou. Eu, apesar de gostar bastante da história, estou feliz com a conclusão da saga. Se bater saudade, sempre posso reler os sete que aí estão – mas com tantos outros volumes escritos por tantos outros autores para serem devorados, não acho que vou visitar Potter e seus amigos tão cedo. A não ser, é claro, nos cinemas; mal posso esperar pra ver os últimos dois filmes. O sétimo, se bem-feito, será espetacular.

Fri
26
May '06

Despedida


Mood: Letting go
Music: Say Goodbye, Dave Matthews Band

“Adeus,” disse a raposa. “Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.

“O essencial é invisível para os olhos,” repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

“Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante.”

“Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa…” repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

“Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa…”

“Sou responsável pela minha rosa…” repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.

- O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry

Fri
18
Nov '05

Sexta poética


en la lucha de clases
todas las armas son buenas
piedras
moches
poemas

– Paulo Leminski

Wed
9
Nov '05

Mestre dos Sonhos


Mood: Dreamy
Music: Hallelujah, Kathryn Williams

*suspiro* Ontem me vi cara a cara pela segunda vez com Neil Gaiman, criador de Sandman e os Perpétuos e autor de livros como Belas Maldições e Deuses Americanos. Sou fã de Gaiman há muitos anos e tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente na Bienal do Rio de 1999 – meu Fotolog tem prova do fatídico encontro, quando até um desenho do Sonho ele fez pra mim. *suspiro*

O evento inclui uma sessão de perguntas e respostas com Gaiman e Lenny Henry, um ator e comediante genial; leituras de trechos de Anansi Boys, último livro de Gaiman (que já li, obviamente); e uma longa fila de autógrafos. Esqueci de levar minha cópia do livro e fui obrigada a comprar outra (que sacrifício), mas foi tudo em vão – ele autografou tudo menos o Anansi Boys. Será que tenho disposição de enfrentar outra fila no sábado, quando ele volta a Londres para mais uma indução de tendinite na Forbidden Planet?

Nunca fui de ter ídolos, mesmo quando criança, mas tenho uma admiração profunda por Gaiman e tudo o que ele já fez. The Sound of Her Wings, conto que marca a primeira aparição da Morte em Sandman, é uma de minhas histórias preferidas de todos os tempos. Eu poderia passar o dia inteiro escrevendo sobre o que gosto nas obras dele, mas vou me conter e dizer apenas uma coisa: quero ser que nem ele quando eu crescer.

O legal é que na semana passada entrevistei Dave McKean, parceiro de trabalho de Gaiman pelos últimos 18 anos e responsável pelas capas de todas as edições de Sandman já publicadas. McKean recentemente dirigiu MirrorMask, que assisti durante o Festival de Cinema de Londres e cujo roteiro foi escrito em colaboração pelos dois. Pra quem tiver curiosidade e não tiver problemas com ler em inglês, a entrevista está aqui.

Ah, e fofoca para os fãs: Gaiman ontem anunciou que o artista P. Craig Russell, famoso por desenhar várias das antigas revistas do Elric, está trabalhando em uma graphic novel de Coraline. Ai, meu bolso…

Wed
27
Jul '05

*sigh*



“What is it? My dear?”
“Ah, how can we bear it?”
“Bear what?”
“This. For so short a time. How can we sleep this time away?”
“We can be quiet together, and pretend – since it is only the beginning – that we have all the time in the world.”
“And every day we shall have less. And then none.”
“Would you rather, then, have had nothing at all?”
“No. This is where I have always been coming to. Since my time began. And when I go away from here, this will be the mid-point, to which everything ran, and from which everything will run. But now, my love, we are here, we are now, and those other times are running elsewhere.”

– A. S. Byatt, Possession

Thu
10
Jul '03

Arroubo consumista


Aaaaahhh! Descobri que o Neil Gaiman lançou um novo livro ilustrado pelo Dave McKean, chamado Wolves in the Walls, e vai escrever uma mini-série para a Marvel chamada 1602, ambientada na Inglaterra naquele ano e com os personagens que conhecemos: o chefe do serviço de inteligência é Sir Nicholas Fury, o médico (e mágico) real é Stephen Strange, e outros personagens incluem o espanhol Carlos Javier (dã!) e o poeta irlandês Matthew Murdock. Eu quero! Eu preciso!

Wed
11
Jun '03

O cara sabe das coisas


“Marco Polo descreve uma ponte, pedra por pedra.
- Mas qual é a pedra que sustenta a ponte? – pergunta Kublai Khan.
- A ponte não é sustentada por esta ou aquela pedra – responde Marco -, mas pela curva do arco que estas formam.
Kublai Khan permanece em silêncio, refletindo. Depois acrescenta:
- Por que falar das pedras? Só o arco me interessa.
Polo responde:
- Sem pedras o arco não existe.”

(Trecho extraído do livro As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino)

Thu
5
Jun '03

A mãe de Dragonlance


Na correria dos dias, acabei esquecendo de falar sobre a noite de autógrafos da Margaret Weis na Fnac, ocorrida na última segunda-feira. Para quem não sabe, a sra. Weis é uma escritora de renome, criadora, juntamente com Tracy Hickman, do mundo de Dragonlance, uma das mais aclamadas ambientações para D&D. E no último dia 2, ela esteve na Fnac do BarraShopping para fazer um pequena palestra sobre o futuro de Dragonlance no sistema d20 e responder às perguntas dos fãs.

O café da livraria estava abarrotado de gente – não contei, mas devia ter mais de 70 pessoas ouvindo as palavras da autora. A pobre tradutora ficou até sem jeito, pois os presentes entendiam do assunto melhor do que ela, que acabou se confundindo em alguns momentos, mas sem prejudicar a palestra. Eu devo ter mais de 20 livros escritos pela Margaret Weis em casa, mas levei só quatro (hardcovers) para serem autografados.

Muito simpática, ela fez piadas engraçadas, se recusou a comentar sobre a história para não estragar a surpresa daqueles que não leram seus livros mais recentes (como a trilogia War of Souls) e foi supergentil com todos. Tirei até foto com ela! E, num lampejo final de profissionalismo, pedi uma forma de contato para saber sobre os lançamentos de sua editora, a Sovereign Press, e ela prontamente me deu seu e-mail pessoal.

Terminada a bagunça, fomos (eu e mais umas sete pessoas) jantar no Outback, sempre uma boa pedida. Batemos papo, rimos um bocado, e cantamos parabéns para as mesas em volta umas quatro vezes! Voltei para casa tarde, cansada mas feliz.

Daqui a pouco estarei partindo novamente para a rua – hoje é dia de chick flick: vou ao cinema com as meninas (Sissi, Marise e Vanessa), assistir à comédia Como Perder um Homem em Dez Dias. Amanhã, sem falta, vou ver Matrix Reloaded na matinê, mesmo sem companhia. Não agüento mais não poder falar sobre o filme!

Thu
8
May '03

Amizade poética


Passeando pelos blogs da vida hoje, encontrei um antigo espaço onde um amigo meu da faculdade, Márvio, publicou alguns de seus excelentes poemas. Um deles em especial me chamou a atenção: escrito em 1997, quando ainda estávamos em pleno curso de Jornalismo na ECO, para sua namorada na época. Aqui está ele:

SONETO DO AMOR TAL QUAL ELE É
Márvio dos Anjos

Quando olhar para mim, jamais procure
O homem perfeito. Tente achar primeiro
Alguém que se dedica por inteiro
Para que o nosso amor muito perdure.
Que ninguém um amor eterno jure,
Porque o Tempo é do mundo o bom coveiro
Que enterra (de costume e sorrateiro)
Sentimentos, até que nada dure.

Pois tudo está entregue à própria sorte;
Se não termina aqui, finda na morte
E até quando os seus dias serão meus?

Não importa. Se o fim é inevitável,
Façamos desse amor algo agradável
E um eterno adiar-se desse adeus.

Wed
5
Feb '03

Amores carnavalescos


Mood: Meio sonolenta
Music: Money For Nothing, Dire Straits

Eu ia postar uma letra de música aqui ontem à noite, mas o Weblogger deu piti e não deixou. Aí, enquanto borboleteava pela Net esta manhã, achei um poema pelo qual sou apaixonada, também herdado de um ex-namorado que me apresentou ao dito cujo. O nome dele é Máscaras, do modernista Menotti del Pichia, e na verdade trata-se de um jogral entre três personagens clássicos dos carnavais: Colombina, Pierrot e Arlequim. A poesia é fantástica, mas enorme, e por isso vou colocar aqui só um trechinho no final. Quem quiser ler a versão integral, clique aqui.

COLOMBINA
Pudesse eu repartir-me e encontrar minha calma dando a Arlequim meu corpo e a Pierrot a minh’alma! Quando tenho Arlequim, quero Pierrot tristonho, pois um dá-me o prazer, o outro dá-me o sonho!
Nessa duplicidade o amor todo se encerra: um me fala do céu… outro fala da terra!
Eu amo, porque amar é variar, e em verdade toda a razão do amor está na variedade…
Penso que morreria o desejo da gente, se Arlequim e Pierrot fossem um ser somente,
porque a história do amor pode escrever-se assim:
PIERROT
Um sonho de Pierrot…

ARLEQUIM
E um beijo de Arlequim!

Thu
23
Jan '03

Veríssimo


Não sou do tipo de pessoa que tem ídolos, embora existam vários homens e mulheres que eu admiro profundamente. Um deles é o escritor e jornalista Luís Fernando Veríssimo, que inclusive deu nome à minha turma de formandos na faculdade. Leio sempre suas colunas, infelizmente não mais diárias, no jornal O Globo, e a de hoje é especialmente boa e, por isso, vou compartilhá-la com vocês. :-)

A guerra de dois minutosNinguém pode acusar os americanos de não serem claros. Todas as razões práticas para atacar não a Arábia Saudita mas o Afeganistão na represália ao 11/9, tolerar a Coréia do Norte mas insistir em invadir o Iraque e favorecer uma “mudança de regime” na Venezuela, também, estão num estudo oficial publicado não faz muito sobre a necessidade de os Estados Unidos garantirem suas fontes de petróleo por qualquer meio, no ocaso da civilização do hidrocarbono. O estudo não estava em nenhum dossiê secreto, saiu nos jornais. E ninguém pode acusar o Bush de sutileza. Ele declarou num discurso recente que sua missão na Casa Branca era impedir que qualquer nação do mundo se igualasse à dele em poderio militar ou econômico. Também, pressupõe-se, por qualquer meio.

Tudo bem. Sobrevivência e prevalência eterna, nenhuma potência na História do mundo quis outra coisa, mesmo que não o dissesse tão abertamente, e o fato de o país que consome, sozinho, mais de um quarto de toda a energia produzida no planeta fazer tudo por petróleo também não deveria surpreender. O truque de confundir interesse geopolítico nacional com imperativos morais também não é novidade, todos os impérios fizeram o mesmo. Já se disse no passado que quem não era pela colonização era pela barbárie e quem denunciava a evangelização como disfarce da espoliação era contra Deus, como hoje se diz que quem é contra o bombardeio de civis é a favor de tiranos ou quem é contra Bush é a favor do terrorismo. Ou quem é contra o Eurico Miranda é contra o Vasco.

A novidade atual é este paradoxo: um poder imperial dedicado a nos convencer, com toneladas de bosta de touro, que seus estreitos interesses estratégicos são os de todo o mundo e ao mesmo tempo proclamando sem escrúpulo o seu desdém pela opinião do mundo. Bush é o mais sincero presidente americano desde Theodore Roosevelt, para quem os Estados Unidos também não precisavam de outra desculpa para a prepotência além da sua auto-evidente superioridade sobre o resto. Se for para a guerra pelo petróleo, Bush estará cumprindo com admirável transparência seus compromissos simultâneos com a hegemonia americana a qualquer custo e com a indústria de petróleo que ajudou a elegê-lo. Finalmente, um presidente que faz tudo o que se esperava dele.

Não é pequena a reação contra um ataque ao Iraque, dentro dos Estados Unidos. Ela inclui a ala menos bombástica do próprio Partido Republicano. Se Saddam não der no pé antes, o melhor para Bush seria uma guerra de dois minutos. Se durar mais de dois minutos ele começa a ter problemas em casa.

Wed
23
Oct '02

Carta de despedida


A Carla me mandou por e-mail um texto muito lindo, teoricamente uma carta de despedida do Gabriel García Marquéz que está rolando pela Internet. Não garanto a veracidade da carta enquanto sendo do escritor, mas como o texto vale para qualquer um e para todos, vou postá-lo aqui também. :-)

Si por un instante Dios se olvidara de que soy una marioneta de trapo y me regalara un trozo de vida, posiblemente no diría todo lo que pienso, pero en definitiva pensaría todo lo que digo. (more…)

Mon
21
Oct '02

Conto novo


Um presente para aqueles que, como eu, são fãs da obra de Neil Gaiman: um conto inédito do autor está disponível no site neilgaiman.net, chamado Cinammon. Como tudo que ele faz, o conto é ótimo (ainda que minha opinião seja um bocado parcial, hehehe). Confiram!

Mon
9
Sep '02

Pausa poética


Mood: Nem sei direito!
Music: Tema de Abertura do Bozo (por causa do post abaixo)

Como não consegui postar nada o final de semana inteiro, esta madrugada será prolixa. Não que eu tenha muito a falar do weekend – ele foi calmo até demais. Ontem, saí de manhã com meu irmão e a cunhada, e ficamos na rua até depois das duas da tarde. Pegamos uns DVDs para assistir, e cochilei no sofá da sala um tempinho. Lá pelas seis horas, tive uma reunião de trabalho aqui em casa, que durou até uma e meia da manhã. Terminado o trabalho, obviamente eu nem tinha ânimo para sair de casa, então fiquei um pouco na Net e fui dormir.

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Wed
7
Aug '02

A natureza do amor


Mood: Cansada, mas feliz
Music: A Hard Day’s Night, Beatles

Cheguei à conclusão de que estou estressada, no sentido “patológico” da coisa. Além de estar supersensível, e com o humor um bocado flutuante, o que não é normal para mim, tenho tido ora insônia, ora excesso de sono, minha saúde está um caco e minha memória, que sempre foi melhor do que a média, está terrível. Acho que estou precisando de férias. E sei que não vou poder tirá-las tão cedo… Por isso, armei um plano de emergência com meu amigo Lê: vamos sumir durante um final de semana. Nada de celular, Internet, telefone, nem minha mãe vai saber como me encontrar. Logo, se eu passar um final de semana inteiro sem postar nada nem avisar, vocês já sabem o que houve. ;-)

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Wed
7
Aug '02

Sobre o amor


Como prometi, vou começar a colocar outros textos aqui com visões diferentes do amor. Em alguns momentos, darei meus próprios testemunhos e opiniões a respeito do tema. Espero que todos comentem, somando suas palavras a todas as que eu postar por aqui, ok? :-)

A IMPONTUALIDADE DO AMOR
(Luís Fernando Veríssimo)
Você está sozinho.
Você e a torcida do Flamengo.
Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.
Trimmm!
É sua mãe, quem mais poderia ser?
Amor nenhum faz chamadas por telepatia.
Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí.
Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver.
Por que o amor nunca chega na hora certa?
Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans.
Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema.
Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.
O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina.
Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você.
Ou então ficam arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros.
Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida.
O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.
O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste.
Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro.
Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole.
O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.
A primeira lição está dada: o amor é onipresente.
Agora a segunda: mas é imprevisível.
Jamais espere ouvir “eu te amo” num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês.
Você vai ouvir “eu te amo” numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza.
Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.

Mon
5
Aug '02

O mestre fala


Antes de dormir, sou obrigada a postar aqui uma citação do mestre Neil Gaiman, que por acaso acabei de ler em um comment do blog da Dri. Peço perdão pelo “plágio”, mas é que isso descreve tão bem minha recente angústia que eu precisava compartilhar estas palavras com vocês. Enjoy!

“Você já amou? Horrível, não? Você fica tão vulnerável. O peito se abre e o coração também. Desse jeito qualquer um pode entrar em você e bagunçar tudo. Você ergue todas essas defesas. Constrói essa armadura durante anos, pra que nada possa causar mal. Aí, uma pessoa idiota, igualzinha a qualquer outra, entra em sua vida idiota. Você dá a essa pessoa um pedaço seu. E ela nem pediu. Um dia, faz alguma coisa boba como beijar você ou sorrir. E, de repente, sua vida não lhe pertence mais. O amor faz reféns. Ele entra em você. Devora tudo o que é seu e te deixa chorando no escuro. Por isso, uma frase simples como “talvez a gente devesse ser apenas amigos” ou “muito perspicaz” vira estilhaços de vidro rasgando seu coração. Dói. Não só na imaginação ou na mente. É uma dor na alma, no corpo, uma verdadeira dor que entra-em-você-e-destroça-por-dentro. Nada deveria ser assim. Principalmente o amor”.

Ah, Gaiman, quem dera a gente não precisasse sofrer isso na pele para ter insights dessa natureza…

P.S.: Apesar do post deveras melancólico, estou bem e de ótimo humor, por isso, don’t worry, be happy! ;-)

Mon
15
Jul '02

Tudo azul


Mood: Dia preguiçoso de inverno
Music: Wintertime Love, The Doors

Wintertime winds blow cold this season
Falling in love, I’m hoping to be
Wind is so cold, is that the reason?
Keeping you warm, your hands touching me

Não fui pro escritório hoje – fiquei trabalhando em casa, contabilizando os resultados da pesquisa que fiz no final de semana em Sampa. Eu até gosto desse trabalho mais burocrático e metódico de vez em quando, mas são quase 150 questionários para contabilizar, e chega uma hora que as costas começam a doer e o olho começa a misturar os números e letrinhas. Por isso, estou dando uma pausa, aproveitando para entremear este post com a letra da música que citei lá em cima, Wintertime Love, do The Doors. Espero que vocês curtam, tem tudo a ver com meu clima e é muito fofa. :-)

Come with me, dance my dear
Winter’s so cold this year
You are so warm
My wintertime love, to me

A única coisa realmente ruim que aconteceu com meu computador depois que ele voltou pra casa é que perdi todos os sites no meu Favoritos quando o HD foi formatado. Vocês podem não acreditar, mas eram uns cinco anos de links guardados com carinho ali, e só fiquei sabendo que eles tinham ido pro saco ontem, quando cheguei de viagem. Dá para imaginar a minha alegria esfuziante, não? Logo, estou montando tudo de novo, desde os links pessoais até as coisas de trabalho. Se alguém tiver alguma sugestão legal para fazer, estou aceitando indicações!

Winter time-winds blue and freezing
Comin’ from northern, storms in the sea
Love has been lost, is that the reason?
Trying so desperately to be free

Ah, comecei a ler durante a viagem o livro “American Gods”, o último trabalho publicado pelo Neil Gaiman (que, como vocês já sabem, é um de meus escritores favoritos). O livro já foi lançado em português aqui no Brasil, e se chama “Deuses Americanos” – vale a pena, pelo pouco que já pude ver. Gaiman é um especialista em misturar elementos fantásticos com coisas do nosso dia a dia, reunindo com perfeição fadas, deuses, monstros, pessoas e lugares comuns. Ele tem três livros em especial de que gosto muito:

* Good Omens (Belas Maldições em português) – escrito junto com o genial Terry Pratchett, este livro trata do Apocalipse de uma forma super bem-humorada, e é garantia de boas gargalhadas. Recomendo a leitura detse em inglês, porque tem muitas piadas que se perdem com a tradução.

* Neverwhere (não disponível por aqui) – neste conto de fadas moderno, um pacato cidadão de Londres se vê imerso em um estranho mundo ao ajudar uma moça na rua, e se ve obrigado a desbravar um reino subterrâneo escondido nos túneis do metrô para recuperar sua identidade. É o meu favorito. :-)

* Stardust (acho que a versão em quadrinhos foi traduzida) – originalmente lançada em quatro edições no estilo Graphic Novel, Stardust conta a história de um garoto capaz de fazer qualquer coisa para conquistar a garota que ama – até mesmp buscar no Mundo das Fadas uma estrela cadente. Lindo, lírico e ricamente ilustrado por George Pratt na versão quadrinizada, essa história também está disponível na forma de romance.

Come with me, dance my dear
Winter’s so cold this year
You are so warm
My wintertime love, to me

Acho que esse é o post mais longo que já fiz! me empolguei de leve… Também, apaixonada, falando de Neil Gaiman e ouvindo The Doors, fica difícil não perder a noção das coisas… ;-)

Tue
25
Jun '02

Esportes favoritos


Em homenagem ao jogo de amanhã da Copa do Mundo, resolvi postar aqui um textinho do Veríssimo (um de meus autores favoritos, by the way) sobre dois de meus esportes preferidos! :-D

SEXO E FUTEBOL
(Luís Fernando Veríssimo)

No que se parecem: o sexo e o futebol?
No futebol, como no sexo, as pessoas suam ao mesmo tempo, avançam e recuam, quase sempre vão pelo meio, mas também caem para um lado ou para o outro, e às vezes há um deslocamento.

Nos dois é importantíssimo ter jogo de cintura.

No sexo, como no futebol, muitas vezes acontece um cotovelaço no olho sem querer, ou um desentendimento que acaba em expulsão. Aí um vai para o chuveiro mais cedo.

Dizem que a única diferença entre uma festa de amasso e a cobrança de um escanteio é que na grande área não tem música, porque o agarramento é o mesmo, e no escanteio também tem gente que fica quase sem roupa.

Também dizem que uma das diferenças entre o futebol e o sexo é a diferença entre a camiseta e a camisinha. Mas a camisinha, como a camiseta, também não distingue, ela tanto pode vestir um craque como um medíocre.

No sexo, como no futebol, você amacia no peito, bota no chão, cadencia e tem que ter uma explicação pronta na saída para o caso de não dar certo.

No futebol, como no sexo, tem gente que se benze antes de entrar e sempre sai ofegante.

No sexo, como no futebol, tem feijão com arroz, mas também tem o requintado, a firula e o lance de efeito. E, é claro, o lençol!

No sexo também tem gente que vai direto no calcanhar.

E tanto no sexo quanto no futebol o som que mais se ouve é aquele “uuu”.

No fim, sexo e futebol só são diferentes, mesmo, em duas coisas.

No futebol não se pode usar as mãos.

E o sexo, graças a Deus, não é organizado pela CBF.