Noites na Cidade: Divagações de uma jornalista brasileira em Londres.

Divagações e devaneios de uma carioca em Avalon

Thu
18
Jun '09

Liberou geral!


Mood: Reflexiva
Music: BLind Mary, Gnarls Barkley

A polêmica do momento no Brasil é a decisão do STF que acabou com a obrigatoriedade do diploma para jornalistas. Embora eu não trabalhe como jornalista no Brasil há vários anos, sou totalmente a favor da resolução do Supremo, que com sorte vai acabar com a farra das universidades privadas de esquina oferecendo uma educação patética e jorrando milhares de proto-jornalistas despreparados no mercado ano após ano.

Aqui na Inglaterra, jornalistas são pessoas formadas em economia, política, história – ou, no caso do jornalismo científico, física, química ou medicina – que normalmente fazem uma pós-graduação de nove meses a um ano para aprender técnicas jornalísticas, legislação de imprensa e estagiar em uma publicação local ou nacional. Eles geralmente têm conhecimento específico e se especializam em sua área de atuação. Num país de 60 milhões de habitantes onde cerca de 10 milhões de jornais são vendidos todo dia (de acordo com dados do Audit Bureau of Circulation relativos a maio de 2009), além daqueles distribuídos gratuitamente, alguma coisa eles devem estar fazendo direito!

Embora eu apóie totalmente quem quer ter uma boa formação acadêmica, não acho que jornalista precise de diploma pra fazer seu trabalho direito. Conheço vários jornalistas que escrevem mal, e diversas pessoas em outras profissões que escrevem extremamente bem – preferiria ler textos produzidos pelo segundo grupo na mídia brasileira…

Thu
28
Aug '08

Trintona


Mood: Atarefada
Music: Let The River Run, Carly Simon

Comemorei a chegada dos 30 com estilo: a festa foi um sucesso e me acabei em todos os sentidos, terminando, como eu havia prometido aos meus convidados, arrasada de tanto me divertir (dançando + bebendo + revendo amigos). As fotos já estão disponíveis em alguns cantos da Grande Rede e em breve serão publicadas no meu Flickr.

Agora estou curtindo a nova idade com estresses de trabalho e uma agenda pra lá de agitada nos próximos dois meses. Pra vocês terem uma idéia, tenho viagens marcadas pro Panamá, França e Dinamarca e quatro edições da revista – uma delas de mais de 200 páginas – pra fechar entre agora e o início de novembro. Se isso não for o suficiente pra me exaurir, ainda vou pra Manchester e provavelmente Hamburgo, também a trabalho, entre as viagens que já estão marcadas. Cansei só de listar tudo, ufa!

A boa notícia é que ganhei um aumentinho (o -inho é porque não é lá grande coisa, mas é mais do que a média aqui ganhou) e que existe uma possibilidade de promoção no futuro próximo. E ainda me divirto fazendo o que faço, apesar dos estresses. Seria duro agüentar o tranco se eu não gostasse do meu trabalho… :)

Fri
18
Jan '08

Justiça ou obsessão?


Mood: Cansada
Music: After The Rain Has Fallen, Sting

Que os ingleses adoravam a Princesa Diana (mais conhecida como Lady Di, especialmente depois de se divorciar do Príncipe Charles), todo mundo sabe. O que eu não sabia antes de me mudar pra cá é que na verdade essa adoração está mais para obsessão. Apesar do trágico acidente que culminou com sua morte ter ocorrido há mais de dez anos, Diana ainda é notícia praticamente todos os dias na mídia britânica. Agora, então, com o inquérito a respeito do acidente acontecendo na Corte Suprema daqui, Lady Di está em todas: uma hora é seu ex-mordomo, um aproveitador de marca maior, contando lorotas bombásticas a respeito de sua vida; depois, é alguém dizendo que a polícia fez parte de uma conspiração encabeçada pela Rainha pra matar a pobre princesa.

Eu até entendo porque Mohammed Al Fayed, dono da Harrods e pai do então namorado da princesa, Dodi, se interessa tanto pelo assunto; é um pai que não vai descansar enquanto não souber exatamente o que causou a morte de seu herdeiro, e que tem dinheiro suficiente pra manter o caso em voga o tempo que for necessário. O que me causa espanto é perceber que todo mundo ainda tem interesse no assunto, e que a Lady Di vende mais jornais e revistas morta do que viva. Pessoalmente, acho essa fixação com a vida e morte da princesa um tanto quanto macabra – pelo menos ela tinha mais virtudes do que outros ídolos da população britânica, que geralmente se limitam a jogadores de futebol ou artistas pop…

Thu
16
Aug '07

Tudo ao mesmo tempo agora


Mood: Atolada
Music: Ztarlight, Digitalism

Estou me sentindo como a Dorothy de O Mágico de Oz no momento, sendo empurrada de um lado pro outro dentro de um furacão. Um furacão bom, cabe dizer, mas não sei onde o tempo está indo. Daqui a uma semana é meu aniversário (jááááá?), mas este ano n’ao vai ter um Festivo propriamente dito porque falta dia – vou viajar na sexta pra um casamento que acontece no sábado, e durante a semana tem vááárias outras coisas acontecendo. Só pra vocês terem uma idéia, só neste sábado eu tenho três festas pra ir.

Isso sem falar no trabalho. Por que diabos fui ter a idéia de não tirar férias entre um emprego e outro! O emprego novo – de editora do site de uma revista chamada Duty-Free News International, se alguém quiser saber – começou devagarinho, mas já tenho a impressão de que não vou ter tempo pra nada muito em breve. E já tenho a minha primeira viagem a trabalho agendada: Cannes, no fim de outubro, pra um mega-evento do mundo duty-free. Chique, né? ;-)

E aos pouquinhos, como quem não quer nada, o tempo passou e eu não percebi em outro aspecto da minha vida: em pouco mais de duas semanas, completo um ano de namoro com o ruivo. Pra onde foram os dias, as semanas, os meses???

Não estou reclamando, muito pelo contrário. Quem me conhece sabe que eu gosto de uma bagunça. Mas sabe como é, quando a gente chega perto dos 30, começa a prestar mais atenção na passagem do tempo… :-)

Wed
1
Aug '07

Os porquês do sexo


Mood: Estudiosa
Music: If I Ever Leave This World Alive, Flogging Molly

Cientistas da Universidade do Texas resolveram criar o ‘Kama Sutra’ das razões pelas quais as pessoas fazem sexo, segundo este artigo do New York Times. As revelações, ainda que não surpreendentes, impressionam: no topo da lista tanto para homens quanto para mulheres está a atração física – a famosa química, em bom português. Amor e paixão também estão no top ten, o que era previsível.

Ao que parece, no entanto, outras razões citadas pelos entrevistados vão desde “para curar uma dor de cabeça” até “para me esquentar”, provando que o importante é participar, seja qual for o motivo!

Leiam a matéria, é bem interessante. A lista completa de explicações encontradas pelos cientistas está aqui (é um documento do Word) – diversão garantida!

Thu
26
Jul '07

Contagem regressiva


Mood: Ansiosa
Music: Little Dreamer, Van Halen

Falta pouco mais de uma semana para o meu primeiro dia no novo emprego. Nunca trabalhei tanto tempo no mesmo lugar quanto na minha empresa atual, então estou tentando me preparar pro choque que deve ser começar do zero num lugar completamente novo, e com bem mais responsabilidade do que tenho hoje.

Não me entendam mal, estou animadíssima: a oportunidade é ótima, e vou trabalhar numa área onde não tenho experiência, o que é um desafio e deve por si só me manter ocupada por um bom tempo. Mas meu lado virginiano que não gosta de mudanças radicais e prefere estabilidade fica gritando aqui dentro, reclamando: “Pra que mexer em time que está ganhando?” A resposta é óbvia: não dá pra ficar parada, e eu tenho ambições que não serão alcançadas se eu ficar aqui minha vida inteira apenas por conveniência.

Sentirei saudades daqui, e das pessoas com quem trabalhei durante estes três anos e meio (menos uma, com quem os leitores deste blog estão familiarizados). Por outro lado, mal posso esperar pra conhecer meus novos colegas – vou dividir o escritório com as equipes de sete revistas diferentes, além da “minha”!

Enfim, é normal sentir esse friozinho na barriga antes de qualquer evento que muda a vida da gente. Não estou preocupada, só um tiquinho ansiosa. Mas passa. :-)

Tue
3
Jul '07

Ideais de segurança


Mood: Impaciente
Music: I Predict A Riot, Kaiser Chiefs

Não sei quanto foi publicado no Brasil a respeito dos recentes incidentes ligados ao terrorismo que ocorreram na última semana no Reino Unido, mas imagino que a maioria saiba por alto do que se trata. Pra quem estava em Marte, resumirei o caso.

Na sexta passada, dois carros-bomba foram encontrados e desarmados no centro de Londres. Depois, no fim de semana, dois homens tentaram entrar com um carro em chamas no aeroporto de Glasgow, na Escócia. Desde então, o nível de segurança por essas bandas subiu absurdamente, por motivos óbvios.

Sou a primeira pessoa a louvar os esforços da polícia em garantir que nada de ruim aconteça, especialmente onde centenas ou milhares de pessoas inocentes possam ser vítimas da covardia dos terroristas. Acho ótimo que haja revistas aleatórias e entendo que um pouco de paranóia seja uma conseqüência natural em vista dos acontecimentos.

Por outro lado, todo mundo sabe que o que os terroristas querem é bagunçar a vida de todo mundo. Matar pessoas é apenas um efeito colateral das suas tentativas de assustar as pessoas ao ponto delas mudarem seu estilo de vida. Por isso fico um pouco revoltada quando as precauções das forças de segurança são exageradas.

Hoje de manhã, houve pelo menos três ‘suspeitas de bomba’ em diversos pontos na cidade, todos resultando em fechamento de ruas e linhas do metrô londrino e, obviamente, em prejuízo pra milhares de pessoas. Todos os três incidentes revelaram-se alarmes falsos. Só que até isto ser provado, a confusão já tinha sido armada e o caos tomou conta da cidade.

Mais uma vez, acho ótimo que o assunto seja tratado com a seriedade que merece. Mas será que é realmente necessário para tudo pra só depois verificar o que de fato está acontecendo? Isso acaba gerando pânico desnecessário na tentativa de ‘mostrar serviço’. Será que todos os inconvenientes ao público são mesmo importantes, ou será que a polícia (e o governo, é claro) estão querendo provar algo para os olhos atentos da mídia (e do resto do mundo)?

Thu
29
Mar '07

Coisas legais da profissão


Mood: Jornalística
Music: Heroes and Villains, The Beach Boys

Como diria meu amigo Ygor, que abandonou as maravilhas da vida de jornalista pelos salários e a estabilidade de funcionário público, os profissionais da imprensa têm vários benefícios, como receber produtos para resenha e convites diversos, além da oportunidade de conversar com pessoas famosas e/ou interessantes – tudo isso pra compensar a mixaria que ganham. Como sou uma das otárias que permaneceu no jornalismo apesar da merreca que ganho, ainda tenho a chance de conhecer gente legal e recebo o ocasional convite.

Nos últimos dias, entre as coisas legais que meu trabalho me proporciona estiveram entrevistas com um astrônomo especializado em telescópios (não os pequenininhos, mas os grandões) e um físico que foi o consultor científico do último filme do Danny Boyle, Sunshine (que eu assisti ontem numa sessão de imprensa, de graça); outra sessão de imprensa, desta vez do novo filme de Zhang Yimou (o mesmo de Hero e Clã das Adagas Voadoras), The Curse of the Golden Flower; e espero em breve visitar o London Zoo pra conhecer a nova casa dos três gorilas que o zoológico abriga.

Tá, admito que nada do que eu faço tem lá muito glamour, mas sempre aprendo coisas novas e tenho um prazer quase sexual em conversar com pessoas extremamente inteligentes. Sou esquisita assim mesmo. ”A gente ganha mal mas se diverte” é meu lema de vida. ;-)  

Thu
15
Feb '07

Compulsiva


Mood: Apaixonada
Music: Stay The Night, Ghosts

Quem me conhece sabe que tenho dois grandes vícios: ler e escrever. O primeiro resultou numa respeitável coleção de livros espalhada por dois continentes, e o segundo definiu minhas escolhas profissionais e foi responsável pela criação deste espaço de divagações. Mas como compulsão é incontrolável, agora vocês podem ler eventuais contribuições minhas em outro lugar, no site Revista Paradoxo. Esta que vos escreve é a nova correspondente em Londres daquele semanário, e já tem coisa minha aqui e aqui.

PS: Ontem foi o melhor Dia dos Namorados ever! :-)

Thu
10
Aug '06

Trabalhadora do meu Reino Unido


Mood: Espevitada
Music: Empire, Kasabian

Uma das novidades agora eu posso contar: serei ‘promovida’ por dois meses no trabalho. Explico: meu chefe vai tirar dois meses de licença não-remunerada para cruzar os Estados Unidos de carro com a namorada (inveeeeeja!), e vou substitui-lo enquanto ele estiver passeando de costa a costa por lá.

A parte ruim é que, além de todo o trabalho que eu já faço – e que só tem aumentado, com projetos novos (e muito legais) aparecendo o tempo todo – vou ter que fazer o trabalho dele também. A parte boa é que, além do bônus de fim de ano que todos os funcionários da empresa ganham em janeiro, vou ganhar um ‘bônus’ especial pra refletir o aumento de responsabilidade – na prática, um aumento de salário por dois meses, mas que só vai cair na minha conta de dezembro.

Outra coisa legal que está acontecendo profissionalmente é que vamos lançar uma revista de ciência e tecnologia para jovens entre 16 e 19 anos de idade (ou seja, que estão no equivalente ao Segundo Grau aqui) em setembro, e sou a editora da dita cuja. Ontem participei de uma sessão de fotos pra tirar uma decente pra aparecer na ‘Carta do Editor’ – chique, né? :-)

Tue
23
May '06

Dias intensos


Mood: Feliz
Music: No Way back, Freaks

Estou atolada de trabalho depois de alguns dias bem intensos, tanto no trabalho quanto na minha vida pessoal. Provavelmente não terei tempo de fazer um relato detalhado do que aconteceu, mas vamos aos pontos altos:

* Entrevistei o diretor de cinema Paul Greengrass
* Fui à Fabric di grátis e fiquei na área VIP
* Me viciei em Guitar Hero
* Lordi ganhou o Eurovision!
* Conheci pessoas interessantes
* Assisti a United 93 e Missão Impossível III

Agora vocês vão ter que me dar licença, o tronco me aguarda. ;-)

Wed
1
Mar '06

Ano eleitoral


Mood: Contemplativa
Music: Até Quando Esperar, Plebe Rude

“Lula recebe R$ 3.900 mensais como aposentado da ditadura que, em 1980, prendeu-o por 51 dias e tomou-lhe a presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. O governo japonês paga a cada um dos 300 mil sobreviventes das bombas de Hiroshima e Nagasaki uma pensão de US$ 1.120 (R$ 2.400). Para arrebentar o Japão foram necessárias duas bombas atômicas. Para detonar o Erário brasileiro, basta a voracidade.

- Elio Gaspari

Thu
9
Feb '06

Brasil Abaixo de Zero


Mood: Ensolarada
Music:Be True, Bruce Springsteen

Hoje têm início os Jogos Olímpicos de Inverno em Turim, na Itália, e o Brasil participará da competição com nada menos do que dez atletas – um número excepcional se considerarmos que não temos um inverno propriamente dito, pelo menos não um propício para esportes de inverno.

O mais legal, no entanto, é que estaremos competindo no bobsled, aquele trenó com formato fálico manejado por quatro marmanjos que escorrega por um tubo de gelo a altas velocidades, e o apelido da equipe verde-e-amarela é o inspirado Frozen Banana Team. Automaticamente me lembrei do notório time jamaicano no mesmo esporte, que inspirou a engraçada comédia Jamaica Abaixo de Zero. Nossa equipe é quase veterana, no entanto, tendo participado dos últimos Jogos de Inverno em Salt Lake City, onde ganharam a divertida alcunha e ficaram em 27º lugar.

Se alguém se interessar em ler mais sobre os atletas brasileiros que estarão participando do evento, esta matéria é bem legal. Através dela eu descobri que existe a Confederação Brasileira dos Desportos de Neve, por exemplo!

Como a Inglaterra tem inverno, diversos atletas (40, pra ser mais exata) nos Jogos e conquistou duas medalhas na última edição do das Olimpíadas de Inverno, a cobertura na mídia aqui até que é grande: a BBC transmite quase todas as provas que terão a participação de britânicos, além das cerimônias de abertura e encerramento. Eu mesma só me animo pra assistir à patinação no gelo – sou fã desde os tempos de Holiday On Ice no Maracanãzinho. ;-)

Tue
7
Feb '06

Paz… ou não?


Mood: Intrigada
Music: Lights Out, UFO

Minha vida finalmente resolveu me dar uma trégua e ontem tive uma noite livre, pra variar um pouco. Não temos mais nenhum hóspede em casa (o que, apesar de eu adorar, dá trabalho), entreguei tudo o que eu tinha pra terminar no trabalho na semana passada e a próxima deadline é só daqui a algumas semanas e não tenho nada urgente por vir. Terminei colocando minhas séries em dia (assisti ao primeiro episódio de Taken que estava gravado) e vi O Feitiço de Áquila no DVD – impressionante como a trilha sonora do filme é boa! Tenho o CD, mas ele ficou no Rio…

Evitei o assunto porque é polêmico, mas não vai ter jeito: tenho que comentar sobre a repercussão das charges sobre Maomé publicadas originalmente em um jornal dinamarquês, que vêm causando tanta confusão mundo afora. A BBC publicou um FAQ ótimo sobre a situação pra quem está por fora.

Nenhum jornal britânico republicou os cartoons, mesmo os mais radicais de direita. A própria BBC publicou online uma justificativa por não ter disponibilizado as tais caricaturas para os internautas. Mesmo assim, o país está sentindo os reflexos do problema: numa manifestação em Londres no fim de semana, islamistas carregavam cartazes com dizeres do tipo “Morte a quem ridicularizar a imagem do Profeta” e “Eu amo a Al-Qaeda”. Um deles se vestiu como um homem-bomba e foi preso. Alguns fanáticos andaram participando de debates sobre o assunto na televisão e não estão causando uma boa impressão.

Enquanto jornalista, defenderei sempre a liberdade de expressão da mídia. Entendo que alguns muçulmanos tenham se sentido ofendidos e sintam-se no direito de protestar, e também defendo este direito. O que eu não engulo é alguns fundamentalistas se aproveitaram da situação pra tentar gerar um efeito bola-de-neve: os islamistas radicais armam confusão, gerando revolta e um sentimento anti-Islã no Ocidente, que por sua vez gera mais bagunça. É óbvio que é isso que eles querem.

Agora, um jornal iraniano resolveu retaliar publicando caricaturas ridicularizando o Holocausto. O que os alhos tem a ver com os bugalhos, só eles sabem. Só espero que o bom senso em ambos os lados vença esta batalha…

Pra terminar, deixo vocês com uma citação genial do editor de cultura do Jyllands-Posten, jornal dinamarquês que começou a confusão, quando perguntado se deixaria de publicar as charges caso soubesse o que sabe hoje:

“I would say that I do not regret having commissioned those cartoons and I think asking me that question is like asking a rape victim if she regrets wearing a short skirt Friday night at the discotheque.”

Sat
3
Dec '05

Sábias palavras


We are currently wealthy, fat, comfortable and complacent. We have currently a built-in allergy to unpleasant or disturbing information. Our mass media reflect this. But unless we get up off our fat surpluses and recognize that television in the main is being used to distract, delude, amuse and insulate us, then television and those who finance it, those who look at it and those who work at it, may see a totally different picture too late. (…)

This instrument can teach, it can illuminate; yes, and it can even inspire. But it can do so only to the extent that humans are determined to use it to those ends. Otherwise it is merely wires and lights in a box. There is a great and perhaps decisive battle to be fought against ignorance, intolerance and indifference. This weapon of television could be useful.

– Edward R. Murrow, 15 de outubro de 1958

Mon
22
Aug '05

Momento de utilidade pública


Aos amigos jornalistas, publicitários e afins que estão à procura de emprego, o BNDES abriu hoje as inscrições para seu próximo concurso, e há vagas na área de Comunicação Social. O salário básico é de cerca de R$4.700 e tem que ter diploma de curso superior. Mais informações aqui.

Tue
19
Apr '05

Habemus Papam!


Mood: Produtiva
Music: Rhythm Is a Dancer, Snap!

O Conclave do Vaticano elegeu o cardeal alemão Joseph Ratzinger como sucessor de João Paulo II. Talvez por medo de ser comparado ao amigo, de quem foi confidente durante 20 anos, Ratzinger adotou o nome de Benedito (ou Bento) XVI. Aliás, tem um artigo bem legal no Globo Online sobre o que representa a escolha do nome de um Papa.

Ainda não decidi se achei essa decisão a mais acertada, mas sem dúvida era previsível. Certo é que continuaremos a ver uma Igreja Católica com posições ultraconservadoras, o que não é bom. Anyway, só o tempo dirá quão positiva (ou negativa) a atuação do novo pontífice será…

Sat
2
Apr '05

João de Deus


Mood: Triste
Music: Somewhere Over the Rainbow, Sarah Vaughn

Há cerca de meia hora foi confirmada a notícia de que o único Papa que conheci faleceu. Religião e convicções políticas à parte, Papa João Paulo II foi um verdadeiro líder mundial, não só para católicos. Não concordo com todos os seus posicionamentos mais polêmicos, mas acho que o trabalho que ele fez em prol da tolerância religiosa foi excepcional.

Sat
15
Jan '05

O lado negro da história


Mood: Pensativa
Music: God Only Knows, The Beach Boys

Este mês comemora-se o 60o aniversário da liberação dos campos de concentração de Auschwitz-Birkenau, e para marcar a data a BBC preparou uma série de documentários sobre o palco de uma das maiores chacinas da História.

O produtor da série encomendou então uma pesquisa entre os ingleses para ver o que a população daqui sabia sobre Auschwitz. Bizarramente, metade dos entrevistados não sabia o que o nome representava, e dos 50% que diziam saber, 98% erraram! Ou seja, um número insignificante de pessoas na Inglaterra – que participou desde o início da resistência à Alemanha nazista e se orgulha em ter “salvo” o resto da Europa – realmente sabe o que aconteceu nos campos de concentração na Polônia.

Ao mesmo tempo, essa semana a polêmica por aqui foi o fato do Príncipe Harry, filho mais novo de Charles e Diana e terceiro na linha para o trono, ter se vestido de nazista pra uma festa à fantasia, com direito a suástica no braço e tudo. Todos os jornais deram cobertura para a mais recente gafe da família real britânica, condenando a atitude do príncipe como insensível e até mesmo inaceitável.

Minha pergunta é: se as pessoas neste país nem ao mesmo sabem o que é Auschwitz (e, consequentemente, o que aconteceu por lá), por que tanta revolta? Porque os alemães bombardearam a Inglaterra? Porque milhares de soldados britânicos morreram na guerra? Ou será que este é mais um exemplo da hipocrisia que reina por aqui? Deixo no ar a pergunta…

Thu
30
Oct '03

Eu e Rod


A pedidos, vamos elaborar os assuntos citados no último post. Pra começar com chave de ouro, vou contar o “causo” da minha entrevista com o Rod Stewart.

Estava eu, na terça-feira à noite, jantando em um simpático restaurante chinês em Leicester Square, quando meu celular toca. Era a assessora de imprensa da gravadora BMG, me ligando do Brasil pra saber se eu não queria entrevistar o cantor na sexta-feira, porque eles estavam com um horário vago e ela lembrou de mim.

Nem precisa perguntar se eu aceitei, né? ;-)

Passei o resto da semana pesquisando sobre a vida do homem e tentando fazer contatos com possíveis publicações interessadas em comprar a matéria. Meus amigos da universidade me ajudaram a pensar nas perguntas, o que foi ótimo!

Na sexta, saí da faculdade correndo para o Dorchester Hotel, um cinco estrelas monumental em frente ao Hyde Park. Claro que fui arrumadinha, pra não fazer feio.

Chegando lá, comecei a bater papo com outro jornalista que estava esperando. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que se tratava de Fernando Duarte, correspondente do jornal O Globo em Londres – e que eu conhecia há anos pelo telefone, mas que nunca tinha visto pessoalmente! Ele trabalhava na seção de esportes na época, e eu, na assessoria da Confederação Brasileira de Basquete. Mundo minúsculo!

Depois de muito esperar (a entrevista atrasou cerca de duas horas), acabei encontrando com o Rod Stewart junto com o Fernando, porque éramos os últimos e eles queriam apressar as coisas. Sem problemas, vimos juntos o que iríamos perguntar e entramos.

Minha primeira impressão foi: UAU! O cara tem quase 60 anos de idade, mas você não dá nem 50, de tão inteiro que o sujeito está. Muito elegante e charmoso, ele beijou minha mão, cumprimentou o Fernando, e começamos o papo, que acabou sendo bem informal e divertido.

Conversamos por cerca de meia hora, e eu, que não ligava pra ele, acabei virando fã. :-)

Mon
13
Oct '03

Alma do negócio


Já que o blog está sendo supervisitado graças à sua inclusão no Hall da Fama, vou aproveitar para fazer uma autopromoção descarada: sou uma das colunistas do site Sobrecarga, uma revista online sobre cultura pop em geral. Além da minha coluna, adequadamente denominada London Bridge, o site traz notícias, promoções e diversas outras colunas interessantes, escritas por gente que entende do assunto. Logo, se vocês tiverem um tempinho extra, dêem uma passada lá clicando aqui. ;-)

Thu
26
Jun '03

Outraz vez?


Random Rants in a Winter Night

* Algumas pessoas sempre surpreendem a gente – pena que nem sempre positivamente
* O Lulu Santos é muito gente boa
* Amor não cultivado, como uma flor, sempre murcha (mas nunca morre, se for verdadeiro)
* O quarto livro do Harry Potter ainda é o meu preferido
* Gosto bastante do meu cabelo curto e liso
* Tem muita gente completamente perdida no mundo
* A mesquinhez de algumas pessoas não conhece limites
* A generosidade de outras é infinita
* Acho que tem algo muito errado comigo
* London will set me free…

E, num momento descarado de auto-propaganda, procurem a minha revista, ela finalmente saiu! O nome é Card Gamer, e já deve ser encontrada nas melhores bancas do eixo Rio-Sampa, e espero que em todo o Brasil. Eu nem vi ainda, mas me disseram que ficou linda – embora minha opinião com certeza seja parcial, por maior que seja minha auto-crítica. Comprem! E me escrevam dizendo o que acharam! ;-)

Fri
20
Jun '03

Tudo de bom


Mood: 78 rotações!
Music: Zombie, The Cranberries

Da mesma forma que tem dias que a gente tem vontade de não ter levantado da cama, há dias em que tudo dá certo na nossa vida. Ontem foi um desses últimos na minha: boas notícias, bons programas, boa companhia – resumindo, tudo de bom!

Pra começar, estava eu trabalhando em casa quando recebo um telefonema de meu grande amigo Alexandre Maron, editor da revista Monet (antiga revista Net, a da operadora de TV a cabo mesmo). Ele normalmente me liga quando quer alguma coisa – geralmente, me dar trabalho, e sempre trabalhos legais. Dessa vez, ele estava precisando de alguém para entrevistar um famoso cantor aqui no Rio, e perguntou se eu estava disponível. Preciso responder? ;-)

Depois, minha fiel escudeira Aline me chamou para ir ao cinema. Fomos ver O Homem que Copiava, último longa do Jorge Furtado, e certamente não nos arrependemos. O filme é sensacional, com um roteiro super bem amarrado e surpreendente até o final, atuações excepcionais dos quatro protagonistas (Lázaro Ramos, Leandra Leal, Pedro Cardoso e Luana Piovanni) e situações inacreditavelmente engraçadas. Recomendo a fita especialmente àqueles que têm preconceitos contra filmes nacionais – este com certeza irá agradar até mesmo aos mais chatos!

Do cinema, partimos para a Cobal do Leblon para encontrar a Marcinha, que estava bebendo com algumas amigas (só mulher, não é estranho?). Batemos papo, rimos à beça, e quando parte das moças foi embora, resolvemos esticar a noite na Pizzaria Guanabara, já que Aline queria “ver e ser vista”. Já de madrugada, outro amigo dela, o Vinícius, se juntou a nós, e ficamos conversando animadamente até depois das três da manhã.

O melhor é que a Marcinha nos brindou com a melhor desculpa esfarrapada já proferida por um homem ao ser pego no flagra pela namorada com outra: “Ih, meu amor, confundi você!” Dá pra acreditar que um cara disse isso pra namorada, depois de estar no maior amasso com outra? Os limites da cara-de-pau da Humanidade ainda não foram atingidos, com certeza!

Quando eu acordar, volto para escrever sobre minha quinta-feira, e também sobre relacionamentos. Não percam! :-)

Mon
26
May '03

Sem sentido


Mood: Ciclo fechado
Music: Iris, Goo Goo Dolls

Tanta coisa pra contar… tanta coisa ainda por fazer… minha vida está uma loucura, faltam apenas três meses para a minha ida para Londres e a impressão que eu tenho é que alguém lá em cima apertou o botão de fast forward do meu filme. Tenho medo de não conseguir curtir de verdade os meses que restam por conta do tanto de trabalho que arranjei, mas por outro lado me sinto aliviada porque boa parte de minhas pseudo-frustrações profissionais estão caindo por terra. Difícil encarar tantos paradoxos ao mesmo tempo…

A Bienal acabou, terminei os textos da primeira edição da minha nova revista, vou começar a fazer a tradução do site de uma pousada, engreno nos textos do segundo número da revista (que vai ser quinzenal), viajo de novo a trabalho… Não vou conseguir tirar a minha pretendida folguinha no fim de semana, nem matar as saudades que apertam tanto meu coração. Por outro lado, tenho a nítida impressão que, embora o ritmo esteja crescendo e tenda a aumentar até a minha viagem, assim que eu chegar lá vou entrar em câmera lenta de novo. Vai entender.

(Não tentem entender este post.)

Tue
13
May '03

Cadê o tempo?


Mood: Alucinada
Music: I Wanna Be Sedated, Ramones

Putz! Acho que poucas vezes na minha vida encarei um ritmo de trabalho tão pesado! Eu estava toda feliz na semana passada por ter terminado um trabalho de tradução, mas falei cedo demais: agora estou presa no ritmo frenético da Bienal do Livro (pelo menos 13 horas de trabalho por dia, fora o translado até o Riocentro) e correndo para fechar os textos de uma revista que eu tenho que entregar essa semana ainda (*apenas* 22 páginas de texto, mais editar os textos dos outros colaboradores). Será que eu sobrevivo?

Brincadeiras à parte, tenho certeza que estarei destruída já neste fim de semana, e ainda terei mais uma semana de Bienal e uma tradução pendente pela frente, além de ter que pensar na segunda edição da revista que estou fazendo agora. Ai, ai… a única coisa que eu queria agora era que meu amado morasse na mesma cidade que eu, pra aliviar pelo menos um pouco a pressão deste amontoado de trabalho simultâneo. Não reclamo de ter muito trabalho (até gosto, na verdade), mas é muito estresse, e nem dá pra sair uma noite para descarregar a tensão num barzinho ou boate, porque não sobra tempo!

Ainda bem que o último fim de semana do mês já está reservado para uma escapada estratégica para um local paradisíaco! É pensar nisso que me dá forças para agüentar o tranco de agora… Por isso, queridos leitores, se por acaso eu ficarsem escrever por longos intervalos, é porque eu estou priorizando outras coisas no momento, mas não morri. :-D

Mon
5
May '03

Dizendo adeus


Muitos conhecem Waly Salomão como um grande poeta contemporâneo; outros ainda lembram-se dele por suas contribuições à MPB, como parceiro de artistas do porte de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Para mim, Waly Salomão era o pai de dois amigos, Khalid e Omar. E Waly Salomão faleceu esta manhã, sucumbindo a um câncer no fígado.

Todos os jornais, TVs e portais anunciaram. E a mídia compareceu em peso ao velório do poeta, na Biblioteca Nacional. Fui com meu amigo Ricardo, colega de colégio de Khalid, dar uma força à família – felizmente, vários outros amigos tiveram a mesma idéia, e havia diversos colegas de turma, amigos de rodas de RPG e afins oferecendo sua solidariedade aos dois jovens. Essa foi a parte legal.

A parte revoltante foi a postura de alguns membros da imprensa lá presentes. Enquanto jornalista, entendo a necessidade de documentar o velório de uma figura pública, membro do governo Lula, Secretário Nacional do Livro e artista de renome. Muitos dos jornalistas lá presentes, inclusive, foram amigos pessoais de Waly. Mas não dá pra tolerar coisas como ouvir de uma apresentadora de telejornal um comentário do tipo: “Poxa, o velório tava marcado para as quatro, até que horas vou ter que ficar aqui? Daqui a pouco, a chuva vai borrar minha maquiagem…” Hello!! Estamos falando de pessoas aqui! De uma família que ficou sem pai, de uma porção de amigos que perdeu uma pessoa querida, de uma legião de fãs que perdeu um ídolo – dá pra se preocupar com algo um pouco maior do que a maquiagem?

Isso, claro, sem falar nas luzes fortíssimas das câmeras de TV apontadas para o rosto dos familiares do poeta baiano, que nem em seu momento mais triste conseguiram alguma paz. Obviamente, o frenesi da imprensa se devia à aguardada presença do Ministro da Cultura, Gilberto Gil, que de fato apareceu mais tarde. Da mesma forma, assim que ele se foi, os repórteres foram junto.

Tudo isso me faz questionar os limites da ética jornalística – é claro que os fatos devem ser mostrados e revelados, mas será realmente necessário abusar do sofrimento alheio? Talvez isso seja uma falha minha enquanto jornalista, mas eu jamais conseguiria chegar para uma mãe que acabou de perder um filho e perguntar “Como você está se sentindo?” É óbvio que a pessoa está mal, chorando, arrasada; precisa piorar a situação?

Feita a reflexão, só me resta esperar que o espírito de Waly Salomão encontre seu lugar de repouso e tenha a paz que merece, e que sua família consiga superar tão grande perda o mais rapidamente possível. Eu e todos os amigos estaremos por perto para dar a força que pudermos. Mas a parte mais difícil só cabe a eles.