Mood: Cegueta!
Music: Baby’s Got a Temper, Prodigy
Não se assustem: o termo cegueta aí de cima se refere ao triste fim de minha lente de contato do olho esquerdo, que ejetou-se do mesmo no vôo de volta ao Brasil, e que me eixou “caolha” desde então, já que estou sem lentes de reposição no momento. Como cansa muito ficar com uma só lente, tirei a outra, e por isso fiquei “cegueta”.
Recapitulando…
Quinta-feira, 6 de fevereiro de 2003
Estava eu no conforto de meu lar quando o telefone toca: era meu amigo Alexandre Maron, também conhecido como Editor-Chefe da Revista da Net, ligando para confirmar minha ida aos Estados Unidos para escrever uma matéria sobre o seriado Dawson’s Creek para a revista. Eu iria a Wilmington, na Carolina do Norte, onde a série é gravada, e deveria entrevistar pelo menos um dos atores (preferencialmente o James Van Der Beek, que interpreta o chatinho protagonista).
Obviamente, a notícia me deixou extasiada: era meu primeiro trabalho freelance para uma publicação de renome, ainda mais um título da Editora Globo. Além disso, eu iria viajar de graça e ainda receber pelo trabalho! A responsabilidade era grande, principalmente porque o prazo era apertado (tive que mandar os textos de lá mesmo), mas nada disso me desanimou – pelo contrário!
Ainda na quinta-feira, confirmei com o pessoal nossa viagem a Cabo Frio naquele final de semana, onde eu aproveitaria para descansar a cabeça e o corpo. Ledo engano, mas eu só descobriria isso mais tarde…
Sexta-feira, 7 de fevereiro de 2003
Passei o dia trabalhando em outros textos que eu tinha para entregar, e no final da tarde arrumei as coisas que eu deveria levar na viagem: roupa de cama, ventilador portátil, CD player, colchonete, e mais os pertences pessoais. Corríamos o risco de irmos em três carros apertados, mas na última hora surgiu um quarto e salvador carro (éramos doze pessoas, e um dos carros só comportava duas).
Por volta de meia-noite, a Silvia (namorada do Alexandre) veio me pegar, já tendo buscado o casal Fernando e Andréia no meio do caminho. Passamos no supermercado para comprar pão de cachorro-quente, e seguimos adiante até o rendezvous point, a casa do Alexandre, fazendo um rápido pit-stop num posto de gasolina para abastecer o carro.
Fomos os últimos a chegar no ponto de encontro, onde já nos esperavam os outros oito componentes de nossa “Irmandade”: Roberto e Adriana, Leandro e Patrícia, Alexandre, Rodolpho, Fernanda e Péuna. Éramos, então, quatro casais e quatro solteiros, e dividimos a galera pelos carros: eu iria com o casal anfitrião, Fernando e Andréia iriam com o Rodolpho, e Fernanda e Péuna viajariam com o Beto e sua consorte. Leandro e Patrícia iriam no carro egoísta dele.
Apesar da primeira metade da estrada ser meio sinistra (nenhuma iluminação ou sinalização), a ida transcorreu sem problemas. Chegamos em Cabo Frio por volta das três da madrugada, e paramos num posto de gasolina para comprar cerveja gelada. Saímos correndo do posto depois de perceber um Chevette rebaixado repleto de homens nada amistosos e armados, dirigindo-se para a loja de conveniência.
A casa da família da Silvia é ótima, espaçosa e confortável, e as pessoas trataram de se instalar nos quartos assim que lá chegamos. Aos poucos, nossos companheiros foram se rendendo ao sono, e no final ficamos apenas eu, Alexandre e Péuna batendo papo até as nove da matina, quando finalmente capotamos.
Sábado, 8 de fevereiro de 2003
Acordei por volta do meio-dia, e quase todos já estavam de pé. Tomamos um brunch tranqüilo, e ficamos batendo papo e curtindo a casa até as três e meia, quando fomos para a Praia do Peró. O mar estava geladíssimo (uma característica do loca, de onde tiraram o nome da cidade) e as correntes eram fortes, o que não estimulou muita gente a entrar na água: somente alguns dos meninos e eu tivemos essa disposição.
Lá pelas sete, quando o sol estava prestes a se pôr, juntamos nossas coisas e fomos embora para a casa, onde fizemos um churrasco no fim da noite. Eu, Fernando, Alexandre, Rodolpho, Beto e Péuna fomos jogar War, e isso durou quase a madrugada inteira – e o jogo não terminou, obviamente! Desta vez, os últimos remanescentes fomos eu, Péuna e Rodolpho, indo dormir por volta das sete da manhã.
Domingo, 9 de fevereiro de 2003
No domingo, acordei antes das dez, e o pessoal estava meio indeciso sobre ir à praia cedo ou à tardinha, como fizemos no sábado. Um grupo (Leandro, Patrícia, Fernando e Péuna) foi jogar War, e só pararam na hora do almoço, quando outro churrasco (com o que tinha sobrado da noite anterior) foi feito. A sobremesa foi um delicioso brigadeiro feito pela Andréia, que estava com desejo na noite anterior e obrigou os meninos a saírem para comprar leite condensado – e foi dormir antes deles voltarem!
Acabamos indo à praia só às quatro da tarde de novo, dessa vez para a Praia das Conchas, com águas mais tranqüilas, freqüentadores mais animados e um morro com uma vista maravilhosa. Mais uma vez, ficamos lá até quase o anoitecer, quando viemos embora – o Leandro ainda deu carona para três locais na caçamba de sua picape.
Parte do pessoal resolveu ir embora ao voltarmos para casa (Beto, Adriana, Fernanda e Péuna), e o Leandro e a Patrícia se foram pouco depois disso. Eu, Fernando, Alexandre e Rodolpho voltamos mais uma vez para o tabuleiro de War (era o único jogo que tínhamos), mas não ficamos de pé até tarde, pois voltaríamos para o Rio bem cedo na segunda-feira. Dito e feito: fomos dormir pouco depois da meia-noite, e acordamos às seis e meia.
Segunda-feira, 10 de fevereiro de 2003
Cheguei em casa depois das dez da manhã, e comecei a pensar em me preparar para descansar um pouco, mas uma voz lá dentro me disse para primeiro ligar para o pessoal da Sony, que estava organizando minha viagem, para confirmar o horário e a data do meu vôo (que, em princípio, seria na terça-feira). Ainda bem que fiz isso, pois descobri que minha ida estava programada para aquela noite! Meu dia foi uma correria entre arrumação de malas, compra do seguro para a viagem e preparações finais. Fui para o Galeão às seis e meia, e embarquei no vôo para São Paulo às sete! Não preciso dizer a correria que foi, né?
Este deve ter sido o post mais longo que escrevi na vida! Vou dar uma parada por aqui, e dedicar outro exclusivamente a minha ida aos EUA. Antes, porém, vamos ao saldo final do fim de semana em Cabo Frio:
* Dez caixas de cerveja (consumidas por quatro pessoas – incluindo eu – e alguns bicões eventuais)
* Vários quilos de carne e frango, incluindo os que estragaram porque o Alexandre deixou fora da geladeira
* Três partidas infinitas de War, totalizando mais de 12 horas de jogo
* Cerca de dez horas de sono nos três dias (foi o que eu dormi)
* Duas frases inesquecíveis (“gang bang espontâneo” e “fiquei com ele por pena”)
* Incontáveis risadas, que valeram por anos de análise para a maioria dos presentes
11 devaneios »