Noites na Cidade: Divagações de uma jornalista brasileira em Londres.

Divagações e devaneios de uma carioca em Avalon

Mon
28
Jul '03

Sou cunhada!


Como a maioria dos meus leitores já está sabendo, neste último fim de semana aconteceu o maior evento social de minha família nos últimos anos: o casamento de meu único irmão (de sangue, claro, porque tem os outros). Foi uma bagunça deliciosa, e no fim tudo terminou bem. Aqui vai a narrativa, em capítulos, de toda esta aventura. Enjoy!

Capítulo 1: A Preparação

Sábado, pouco antes das 14hs. Fui ao salão para me preparar para o casamento – cabelo, unhas, maquiagem… Mulher tem que se preocupar com essas coisas, e como além de tudo eu era uma das madrinhas, mais um motivo para caprichar na produção. Tínhamos que estar na igreja teoricamente antes das 18hs (o casamento era às 18:30hs), e achei que fosse dar tempo de irmos com calma – só que era tanta gente pra se arrumar (eu, minha mãe e minhas duas primas de Belo Horizonte) que acabei chegando em casa correndo e atrasada! Entrei varrida, vesti minha roupa na maior pressa e botei um “seca-choro” na bolsa – nem documento eu levei na correria.

Como éramos quase dez pessoas saindo de casa para a igreja, minha mãe contratou uma van para nos levar até o Mosteiro de São Bento e, de lá, para a festa. A ida e a volta, aliás, mereceriam capítulos à parte, de tão engraçados os papos!

Chegamos na igreja um pouco depois das 18hs, para desespero da cerimonialista, mas não houve maiores problemas. Descobrimos quem ia fazer cada leitura, cumprimentamos as pessoas e ficamos a postos para a chegada da noiva.

Capítulo 2: A Cerimônia

Minha mãe, é claro, chorou desde o momento em que entrou na igreja até o fim dos trabalhos. Eu consegui resistir bravamente, embora meus olhos tenham enchido d’água em mais de um momento. A cerimônia, celebrada por Dom Felipe, um dos beneditinos residentes, foi simples e emocionante, muito bonita mesmo. Muita gente estava na igreja, embora eu não saiba precisar quantas pessoas. Por incrível que pareça, alguns convidados foram à missa mas não à festa, o que não costuma acontecer (pelo menos não que eu saiba!). Teve direito até a jogar arroz nos noivos na hora da saída para nossa próxima etapa, no Le Buffet.

(O próximo capítulo, A Festa, merece um post só para ele… Aguardem!)

Fri
25
Jul '03

I love Haku


Mood: Reta final
Music: Let the Sunshine In, Hair

Para relaxar dessa correria toda de casamento, peguei dois DVDs pra ver esta semana. O primeiro, que assisti na quarta-feira, foi O Chamado, aquele da fita de vídeo que mata em sete dias. Achei o filme bem meio mais ou menos até certo ponto, quando parecia que a trama estava resolvida. Qual não foi minha surpresa quando a história sofre uma mega reviravolta, elevando em muitos pontos minha cotação da trama. É uma daquelas películas que prende bem a atenção, sem nomes famosos, e com recursos visuais superinteressantes. Gostei muito!

Mudando completamente de estilo, ontem foi a vez do badalado As Horas, de Stephen Daldry. Como não poderia deixar de ser, o elenco estelar, composto por Meryl Streep, Julianne Moore, Nicole Kidman, Ed Harris, Claire Danes e Jeff Daniels, entre outros, dá um banho e narra perfeitamente os comoventes dramas pessoais de um dia na vida de três mulheres separadas pelo tempo e pela distância, mas com muita coisa em comum. Emocionante, humano e triiiiiste, o filme é uma lição de vida, pequenos momentos de genialidade imersos numa só trama. Não preciso dizer que adorei, né?

Ah, e na segunda fui assistir de novo A Viagem de Chihiro (Spirited Away), o lúdico e apaixonante longa animado do Miyazaki. Não vou dizer nada além de “corram pro cinema e assistam”. O Haku é meu sex symbol! ;-)

Wed
23
Jul '03

Por quê?


Coisas que não entendo na vida (e nem tento mais entender)

* Por que quanto mais a gente arruma as coisas, mais aparece coisa bagunçada?
* Por que o cara que inventou o sorvete não é adorado como um deus?
* Por que as pessoas têm medo de serem amadas, mais até do que de amar?
* Por que carros são símbolos de status?
* Por que chocolate não é distribuído gratuitamente nos postos de saúde como remédio (especialmente para moças em TPM)?
* Por que galinha nãe sabe nadar, se pato bota ovo?
* Por que a mentalidade do brasileiro médio é do jeito que é?
* Por que a palavra “saudade” só existe em português?
* Por que tem tanta gente insatisfeita sem motivo, e tanta gente feliz com razão para estar insatisfeita?
* Por que os bons morrem cedo?
* Por que damos tanta importância às coisas pequenas?
* Por que é tão difícil deixar cada um cuidar da sua própria vida?

Tue
22
Jul '03

Hua hua hua!


Momento Besteirol do Noites na Cidade

Sabe a diferença entre medo e pânico?
MEDO: Quando um homem, pela primeira vez, nao consegue dar a segunda.
PÂNICO: Quando um homem, pela segunda vez, nao consegue dar a primeira.

(Piadinha gentilmente copiada do blog do Alex.)

Mon
21
Jul '03

Paris 1900


Sexta-feira, 18 de julho de 2003

Por volta das 19hs, tocam a campainha aqui em casa. É o Péuna, perguntando o que diabos eu vou fazer naquela sexta à noite, comunicando que vai com sua distinta namorada à Nautilus, na festa Paris 1900. Eu sabia da festa, mas tinha me esquecido completamente! Claro que me empolguei pra ir, ainda mais porque era uma festa temática, à fantasia, e embora eu não tivesse preparado nada, amo de paixão festas à fantasia.

Perna foi para a casa de sua amada, e eu me enfiei no meu guarda-roupa, procurando coisas para montar o modelito da festa. Depois de muito matutar, optei por uma saia longa preta rodada, uma blusa creme com babados e rendas que era da minha mãe, um chapéu preto com flores de pano também da genitora, e um par de luvas bordadas que tinha sido da minha avó. Estava montado o look “mulher de respeito do século XIX”.

Conseguimos convencer o Edgar a ir conosco, e ele passou aqui em casa para nos pegar. Kmila também tinha se caraterizado, mas, como a maioria das moças que foram à festa, ela preferiu um modelito mais pra Moulin Rouge, ou seja, de moça de vida fácil (ou nem tanto). Chegando lá, logo esbarramos com uma cena que se repetiria ad infinitum: Y, nossa Fada Verde, posando para fotos. A propósito, ela fica muito bem de verde. :-)

Mais algumas caras conhecidas pintaram por lá, algumas caracterizadas, outras não. O som foi ótimo, do tipo que você jamais ouviria numa boate tradicional do Rio, mas a quantidade de góticas proto-disfarçadas de vedetes impressionou. O melhor momento da noite foi quando a Fada Verde se aposentou e deixou uma garrafa quase intacta de absinto na mão desta que vos fala – descobri que adoro a sensação de acompanhar o trajeto daquele líquido verde descendo pela minha garganta e chegando até o estômago (a queimação permite este fenômeno, ou vocês acham que eu tomei absinto diluído? Nah, foi no gargalo mesmo!).

Me diverti horrores, dancei um bocado, tirei fotos, bati altos papos, bebi absinto… Ou seja, uma noite memorável. Vou sentir falta dessas coisas.

Fri
18
Jul '03

Mais sessão nostalgia


Mood: Ansiosa
Music: The Knack, My Sharona

Ontem, saí pra bater um papo com o André, e por acaso encontramos com a Aline (quando eu digo que só existem 249 pessoas no Rio, os outros acham graça, mas é sério!). Sessão velharia total – relembramos altas histórias do passado (nada difícil, já que nos conhecemos há mais de dez anos), colocamos as fofocas em dia e rimos um bocado. Mais uma vez, e isso tem sido uma freqüente nos últimos meses, a vida me mostra que certas coisas nunca mudam, não importa o que aconteça. E isso é muito bom, reconfortante, até.

Este final de semana, vou marcar a data de minha passagem para Londres. Ainda não sei ao certo quando vou viajar, mas provavelmente vai ser por volta do dia 10 de setembro, já que tenho que estar lá no dia 15 (início da semana de matrícula). Minha vida está tão corrida ultimamente que mal consigo parar pra pensar no peso que esta data vai ter, mas quando eu reflito sobre o assunto, bate um frio gostoso na barriga, um misto de nervosismo e alegris por tudo de bom que me espera.

Ah, e semana que vem a faxina tem que estar pronta, porque meus primos de Belo Horizonte vêm para o Rio para o casamento do meu irmão, e a turma toda vai ficar aqui em casa. Já viram a confusão que não vai ser, né? :-D

Wed
16
Jul '03

Ainda na faxina


Faxina é uma coisa muito engraçada mesmo. Entre as intermináveis tralhas (que estão sendo devidamente despachadas para o Sr. Lixão), encontrei várias pérolas do passado. Uma delas me fiz rir à beça: uma redação escrita por mim no primeiro ano do colegial, com um comentário do professor no fim: “Consigo pra você um emprego na Folha de São Paulo. Quer?” Naquela época, eu nem me imaginava como jornalista. Aliás, eu não me imaginava como nada aos 14-15 anos de idade! Nem beijo na boca eu tinha dado ainda… Eram bons tempos, mas hoje os tempos são ainda melhores. Pra mim, a melhor época da vida é sempre aquela que estou vivendo.

A parte mais difícil da arrumação sempre é decidir o que será guardado para faxinas futuras, e o que não passa no crivo do controle de qualidade. Certas coisas não requerem nenhuma reflexão, e são jogadas fora sem dó nem piedade. Outras, no entanto, ficam rolando no meio da bagunça até que a dolorosa decisão seja tomada. Difícil, por exemplo, optar por me defazer de minha coleção de cartas de Magic, construída em anos de compras e trocas, mas que agora não guarda nada além de um tênue valor sentimental (e, claro, um grande valor monetário, já que as cartas valem uma grana e serão devidamente vendidas).

O pior, certamente, será quando chegar a hora de decidir o que levar ou não para o Velho Continente. Mas vamos deixar essa parte para mais tarde… ;-)

Mon
14
Jul '03

Update


Mood: Gripadinha
Music: I Still Haven’t Found What I’m Looking For, U2

Fim de semana animado aqui em casa. Na sexta, fui com minha mãe ao show do Lulu Santos, no Canecão. Casa cheia, músicas agitadas, uma ótima banda, novidades e clássicos foram os ingredientes de uma receita de sucesso: foram duas horas de agito comandadas pelo maestro Lulu, que apesar de não ter muita ginga esbanjou disposição. Pra quem gosta, recomendo o programa – a turnê carioca do artista termina no próximo domingo.

Sabadão teve ensaio para o casamento do meu irmão, e depois do almoço fui à Point HQ cuidar da liga O Senhor dos Anéis. Lá, vi pela primeira vez minha nova revista “em mãos” – e não é que a bichinha ficou bonitinha? (Pra quem ainda não sabe, estou editando uma revista de card games, chamada Card Gamer, que já pode ser encontrada nas bancas por aí.)

À noite, fui para a Casa da Matriz, onde ajudei meu maninho Péuna a preparar uma quase-festa-surpresa para sua namorada, Camila. Apesar de uma peça de teatro me obrigar a ficar esperando quase meia hora do lado de fora, e de termos tido que arrumar tudo correndo, fomos bem sucedidos na empreitada, e a aniversariante adorou. Teve bolas, bolo, foto, parabéns, música dos anos 80, e até mesmo 2001: Uma Odisséia no Espaço na TV! Dancei alucinadamente até as quatro da manhã, hora em que minha carona partiu de lá.

Domingão ainda é me dia sagrado de jogar RPG, e este não podia ser diferente. A diferença foi que passei boa parte da tarde preparando pizzas para o pessoal, porque resolvemos gastar dinheiro comendo mais do que pedir alguma coisa na rua, como normalmente fazemos. O resultado é que todos se empanturraram até não agüentar mais, e ainda tivemos sorvete de pavê de sobremesa. Muito bom!

Hoje, no entanto, o dia não foi muito produtivo. Um princípio de gripe me deixou mole boa parte do tempo, e o restante eu passei dormindo. Deu tempo, no entanto, de dar uma olhada no sneak peek da nova edição de Dragonlance, para o sistema D20. Mal posso esperar para ver o livro, embora eu saiba que dificilmente conseguirei jogar com ele antes de viajar…

Fri
11
Jul '03

Sessão da Tarde


Mood: Totalmente 80′s
Music: Oh Yeah, Yello

A Sessão da Tarde desta semana está me deixando muito feliz por trabalhar m casa. Ontem, tive a oportunidade de rever o excepcional Curtindo a Vida Adoidado, filme icônico da juventude não tão transviada dos anos 80, mas que adoraria ser Ferris Bueller por um dia. O lema “Save Ferris” ficou tão popular que até hoje é utilizado – tem inclusive blog com esse nome!

Hoje vai ser ainda melhor: o título da sessão vespertina da Globo será nada menos do que A Morte do Hulk, com o verdão sendo magistralmente interpretado por Lou Ferrigno. Um clássico! Não posso perder. ;-)

Em tempo: Wolves in the Walls não é exatamente um livro, mas sim uma graphic novel. Correção feita.

Thu
10
Jul '03

Arroubo consumista


Aaaaahhh! Descobri que o Neil Gaiman lançou um novo livro ilustrado pelo Dave McKean, chamado Wolves in the Walls, e vai escrever uma mini-série para a Marvel chamada 1602, ambientada na Inglaterra naquele ano e com os personagens que conhecemos: o chefe do serviço de inteligência é Sir Nicholas Fury, o médico (e mágico) real é Stephen Strange, e outros personagens incluem o espanhol Carlos Javier (dã!) e o poeta irlandês Matthew Murdock. Eu quero! Eu preciso!

Wed
9
Jul '03

Sobre viagens


Mood: Ainda nostálgica
Music: Rapture, Lio

Viajar, pra mim, é mais do que um passatempo – é uma opção de vida. Adoro conhecer lugares novos, mudar de ares, visitar amigos que moram longe, reparar nas diferenças, curtir as dissimilaridades. Não importa se é pra longe ou pra perto, uma viagem é sempre um ótimo programa. E, embora a companhia possa fazer a diferença entre uma viagem horrível e uma fantástica, também gosto de viajar sozinha, pois isso abre uma série de novas possibilidades. Quando se está sozinho, você acaba se abrindo mais para os lugares e para as pessoas que conhece no caminho, e se permite viver coisas que talvez você nem tentasse se estivesse com amigos, namorado ou família.

Em fevereiro, fiz minha primeira viagem ao exterior completamente sozinha. Foi o máximo – me enturmei com muita gente, fiz amigos com quem me comunico até hoje, e isso porque passei quatro dias numa cidadezinha de menos de 50 mil habitantes, sem nada para fazer à noite. Antes, eu só havia viajado com a família ou com amigos, ou então para encontrar com amigos em algum lugar. O clima da viagem é totalmente diferente quando se está sozinho…

Por que estou falando nisso? Por causa de minha iminente ida a Londres, claro. Estou apreensiva por abandonar tudo o que conheço, amigos, família, e ir para uma cidade estranha, com uma cultura diferente. Mas ao mesmo tempo estou extremamente animada, porque sei que irei conhecer muita gente nova e interessante, que irei me aprimorar profissional e pessoalmente, e que, mesmo a saudade sendo grande, uma hora eu volto e mato ela com vontade. :-)

Em tempo: hoje à noite, voltarei a jogar Neverwinter Nights, só que dessa vez via web, com os amigos Cris e Alex (e o resto do grupo deles). Por conta disso, descobri um programinha ótimo para conversar em grupo pela Internet, que pode ser adaptado no futuro para que eu me comunique com o povo daqui lá da Inglaterra. De volta à prancheta de estudos!

Tue
8
Jul '03

Baú de recordações


Mood: Contemplativa
Music: Consequences of Falling, k.d. lang

Continuando a sessão nostalgia, comecei este fim de semana uma megafaxina no meu quarto. Digo comecei porque, obviamente, dei início à arrumação, mas nem de longe estou perto de terminá-la. Passei o domingo imersa em memórias: sensações, imagens, sons e cheiros que remetem a diversas épocas da minha vida. Devo ser uma das poucas pessoas do planeta que gosta de fazer faxina, ainda que não pelo prazer de arrumar, mas sim pela oportunidade de reencontrar pedaços do meu passado.

Entre convites de formaturas diversas (incluindo as minhas – colégio e faculdade), ingressos de cinema, teatro e shows, cartões de aniversário, cartas de ex-namorados, fotos e mais fotos, recordações de viagens e muitos outros papéis, toda a minha vida consciente foi se revelando para mim. E cheguei à feliz conclusão de que sou uma pessoa verdadeiramente abençoada, por tudo o que já vivi, pelos corações que cativei e me cativaram, pelas conquistas que alcancei, pelos amigos que me acompanham, e por jamais ter feito algo do qual pudesse me arrepender.

Encaixotando minhas lembranças mais queridas, dou início a uma nova fase da minha vida, mais leve, mais satisfeita e, se é que isso é possível, mais feliz. Obrigada a todos vocês que fizeram, fazem ou ainda farão parte deste seleto grupo de recordações – não há palavras para descrever sua importância para mim. :-)

Sat
5
Jul '03

Blast from the past


A vida não cansa mesmo de me surpreender. Ontem foi um daqueles dias repletos de pequenas coisas que fazem a vida valer a pena. Primeiro, teve a visita de uma pessoa muito querida, que mora em Sampa mas veio ao Rio rapidamente a trabalho, e reservou um tempinho em sua agenda corrida para vir aqui em casa. Saudades ao menos temporariamente assassinadas, fofocas postas em dia, e uma sensação gostosa de que a nostalgia pode ser uma coisa boa (e não melancólica) coexisitiram pacificamente em meu coração.

Depois, colação e festa de formatura de outro bom amigo, cuja felicidade com a presença de seus convidados fez valer a noite. Como se não bastasse, reencontrei três pessoas que há muito não via, recebi a notícia do casamento de outro par de amigos, e tive a oportunidade de conversar novamente com um cara muito especial, do mesmo jeito que eu conversava há anos atrás, como se o tempo não tivesse passado. E ainda cruzei com um sujeito que viajou pro Japão comigo no fim da noite!

E o que me surpreendeu foi exatamente isso: como Einstein estava certo e o tempo é totalmente relativo. Ontem, fui bombardeada pelo meu passado, e saí incólume. Percebi ainda que algumas coisas, felizmente, nunca mudam, não importa se os anos passam ou a distância se estabelece. O que realmente me deixou convencida de que sou uma pessoa de sorte foi me dar conta de que tenho ligações muito fortes com pessoas realmente excepcionais, ligações que nem a ação do tempo, de agentes externos ou dos quilômetros que nos separam são capazes de afetar.

É… Perspectivas mudam, sentimentos se transformam, mas o que é importante sempre permanece.

Fri
4
Jul '03

Mulher-múltipla


Mood: Pensativa
Music: Montecastelo, Legião Urbana

Fui ao cinema hoje para ver o tão (mal) falado Hulk. No meu ranking pessoal de filmes de super-herói, ele ficaria bem abaixo de Homem-Aranha e X-Men 2, mas acima do Demolidor. Eric Bana é inexpressivo, mas não sei se por ser um ator mediano ou porque o personagem é sem graça e contido mesmo. Jennifer Connely é linda, mas sua Betty Ross é chatinha, chatinha. Nick Nolte está muito bem, apesar dos excessos de seu personagem, mas é o General Ross de Sam Elliott quem rouba a cena todas as vezes que aparece. Mudar a origem do Verdão foi, no entanto, imperdoável pra mim. Pô, Bruce Banner não é um cara traumatizado, nem são recalques em sua mente que liberam seu lado mais violento, e sim a fúria inerente ao ser humano. A história deixou de ser “Jekyll and Hyde” para se tornar um conto psiquiátrico. Embora o filme seja divertido, meu lado fã não engoliu esse lance na boa.

Mudando de assunto, alguém conhece uma fórmula que me permita estar em três lugares ao mesmo tempo? Tenho três compromissos sociais importantes sexta à noite, e não faço idéia de como fazer para ir a todos eles… Se alguém souber, por favor entre em contato!

Wed
2
Jul '03

O poder das palavras


Ainda falando sobre relacionamentos, estava lendo uma crônica numa revista, que dizia “não basta amar, tem que dizer ‘eu te amo’”. Me toquei, ao ler isso, de que hoje em dia a maioria das pessoas tem medo de revelar o que sente e de se declarar para alguém. As razões são várias: não querer entregar o jogo, “dar mole” para a pessoa, nem parecer fraco; temor de parecer ridículo, cafona, ultrapassado; e outras pseudo-justificativas que eu não engulo.

Pô, é tão gostoso estar apaixonado, é tão evidente na maior parte dos casos que não dá pra fingir que não está acontecendo. Por que, então, deveríamos achar errado dizer “gosto de você”, “te amo” ou elogiar a pessoa? No mundo contemporâneo, o grande lance é “ser de todo mundo e não ser de ninguém”, como prega a filosofia Tribalista do século XXI… mas, no fundo, o que todo mundo quer é pertencer a alguém, viver um romance cinematográfico, ou simplesmente estar ao lado de alguém que admire, respeite e ame (e vice-versa, claro). Em meio ao jogo de sedução de que somos obrigados a participar, o que se vê são muitos perdedores, e pouquíssimos vencedores.

Estava revendo Kate and Leopold no DVD essa semana, e uma cena do filme é bem característica disso tudo: quando o irmão de Kate, Charlie, conversa com Leopold sobre como conquistar uma garota, e diz que deve jogar a bola para o campo dela, obrigando-a a fazer a próxima jogada. Leopold, que entende tudo de mulher, responde placidamente: mulher gosta de sinceridade, honestidade, e não de joguinhos repetitivos e entediantes.

Não tenho o menor medo ou vergonha de declarar o que sinto e penso. Se um sujeito não agüenta ouvir que eu gosto dele e foge, quem tem problemas na história não sou eu… E se ele não dá valor a isso, é um idiota e não merece meu afeto. Mesmo que você esteja dentro de um relacionamento, não deixe de dizer todos os dias o quanto aquela pessoa é importante pra você: ao contrário do que possa parecer, isso faz um bem enorme, a pessoa se sente querida e feliz, e você será uma pessoa melhor por isso. Já fez isso hoje? Ainda há tempo. ;-)

Tue
1
Jul '03

A fina arte de se casar


Mood: Romântica
Music: Kiss Me, Sixpence None the Richer

Até o meio do ano passado, se alguém que perguntasse eu diria que não fazia a mínima questão de casar, que festa de casamento era um desperdício de dinheiro e que só morar junto era mas do que suficiente. Depois de me tornar madrinha de casamentos oficial, no entanto, fui convencida a mudar de idéia, e passei a achar isso tudo o maior barato, ainda que não completamente indispensável.

Alguns argumentos contra as festas ainda são válidos: elas são caras, dão dor de cabeça, e o dinheiro poderia pagar uma lua-de-mel fantástica em algum lugar paradisíaco, ou comprar bens preciosos para montar sua casa. Mas os noivos acabam se divertindo tanto, os amigos idem, o momento fica registrado para sempre, que a questão financeira acaba ficando de lado (claro, se não houver problemas em pagar a festa – se for pra se endividar, esquece!).

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