Noites na Cidade: Divagações de uma jornalista brasileira em Londres.

Divagações e devaneios de uma carioca em Avalon

Tue
29
Nov '05

Amsterdã – Parte II


Mood: Fotográfica
Music: If I Could Be Where You Are, Enya

Continuando meu relato sobre o fim de semana, acordamos às 9 da manhã no sábado e, para nossa surpresa, o dia estava lindo – frio mas ensolarado, meu clima preferido! Saímos pra tomar café e fomos ao mercado das flores no Herengracht, que é uma graça e supercolorido, mesmo no inverno. Imagino como não deve ser na primavera, com as tulipas em flor!

Já que o tempo estava bom, decidimos fazer um tour de barco pelos canais da cidade, e por isso fomos caminhando via Dam até a Stationsplein, praça onde fica a estação de trem de Amsterdã. Entramos no barquinho e em uma hora vimos boa parte dos principais pontos turísticos da cidade, com direito a um pouco de história no pacote. Como o barco tem uma área externa aberta, aproveitei pra tirar um monte de fotos. Uma boa pedida!

Como tínhamos um encontro marcado com o resto do pessoal no Café de Jaren, fomos andando pelas ruas comerciais do centro até o restaurante, que é bem transado. Os papos foram tão animados que ficamos lá entre das 3 da tarde até quase 8 da noite, quando fugimos para dar uma passeada pela famosa zona da luz vermelha.

A ZBM (zona do baixo meretrício) de Amsterdã é uma atração, claro, mas ao mesmo tempo é um pouco triste ver aquelas mulheres, algumas lindas e outras com um quê de desespero no olhar, à mostra naquelas vitrines iluminadas pelas lâmpadas avermelhadas que caracterizam o lugar. Éramos algumas das poucas mulheres andando pela área, a maioria dos transeuntes sendo grupos de (homens) jovens, possivelmente em viagens de despedida de solteiro (muito comuns aqui na Europa).

Voltamos correndo pro hotel pra nos arrumarmos pra noitada de sábado, que aconteceu no mesmo bar da sexta – pra que mexer em time que está ganhando, afinal? Batemos papo, rimos à beça e nos divertimos um bocado. Fomos pro hotel cansadas mas felizes, e nos despedimos com dó do resto do pessoal, já que não os veríamos mais.

Hora de correr, mas em breve tem mais! ;-)

Mon
28
Nov '05

Amsterdã – Parte I


Mood: Serelepe
Music: The Tide Is High, Blondie

Me diverti tanto em Amsterdã no fim de semana que os três dias que passei lá passaram rapidíssimo, mas pareceram uma semana! O saldo final foi de muita farra, horas de risadas, novos amigos, dezenas de fotos e momentos memoráveis. Tanta coisa aconteceu que acho que um post não vai dar conta do recado, por isso o ‘Parte I’ lá no título. ;-)

Meu vôo de ida estava marcado pra sexta às 6.25 da manhã, só que uma tempestade na capital holandesa atrasou nossa partida por três horas. Boooooring. Quando finalmente nos aproximamos da Holanda, entendi o porquê do atraso: só se viam nuvens, a turbulência era fortíssima e quando nosso avião finalmente pousou no aeroporto de Schiphol, teve gente batendo palma, tamanha a tensão!

Peguei um ônibus do aeroporto até o hotel onde ficaria hospedada, que na verdade é mais um albergue. Marcel’s Creative Exchange é a casa de um artista gráfico holandês que aluga os quartos extras para turistas, mas no passado foi uma república onde artistas de toda a Europa se concentravam para trocar figurinhas e estudar. Marcel, o dono da casa, é uma figura singular: passa seu tempo entre Amsterdã e Palm Springs, na Califórnia, onde tem um estúdio/segunda casa. Ele também é dono do cinema mais antigo da cidade holandesa e é praticamente uma instituição por lá. Quando cheguei, ele me sentou na sala e desenhou um mapa com os lugares que eu deveria visitar durante minha estada, além de contar vários ‘causos’ engraçadíssimos.

Depois de me instalar no quarto (a casa é toda decorada num tema monocromático e é chiquérrima), saí pra explorar a cidade antes da chegada de minhas companheiras Lu e Simone. A caminhada foi ótima e almocei num café à beira do Prinzengracht, um dos principais canais de Amsterdã. Quando finalmente me encontrei com o resto do pessoal, por volta das 15 horas, fomos para a casa de Anne Frank, um dos pontos turísticos e históricos da capital. Sempre fico um pouco baqueada ao visitar locais e exposições ligadas ao Holocausto de alguma forma, talvez porque minha família também sofreu na pele a perseguição aos judeus na Europa. Triste e impressionante.

De lá, fomos para um café na Leidseplein (que é a maior tourist trap da cidade, mas era perto do nosso albergue) onde batemos papo, comemos e bebemos. Eu, Lu e Simone fomos então para o Museu Van Gogh enquanto os demais se dirigiram a um bar na ‘Rua do Babado’, onde nos encontramos algumas horas depois. Nos divertimos horrores, bebi mais do que devia mas menos do que seria imprudente e capotei por volta das 3 da manhã.

Nos próximos posts: sábado e domingo em Amsterdã; zona da luz vermelha; mais babado e mais museus. Não percam! :-)

Sun
27
Nov '05

De volta a Londres…


Post rapidinho só pra dizer que voltei – sobrevivi a Amsterdã, onde me divirti horrores. Agora vou dormir, mas amanhã escrevo mais a respeito da viagem!

Thu
24
Nov '05

Acredite se quiser


Mood: Divertida
Music: Too Lost In You, Sugababes

Diálogo ouvido no metrô de volta pra casa hoje entre um casal de brasileiros:

Ele – Vamos assistir a King Kong?
Ela – Vamos. Sabia que a história foi baseada na teoria de que o homem veio dos macacos?

Mas hein?

Tue
22
Nov '05

Hemisfério Norte


Mood: Animada
Music: Black Night, Deep Purple

Um dos motivos pelos quais adoro morar na Europa é ter as quatro estações do ano bem-definidas: a primavera fresquinha e florida, o verão ensolarado, o outono com folhas caindo das árvores e o inverno gelado. E põe gelado nisso – a temperatura máxima em Londres esta semana não passou dos 7 graus, e a previsão do tempo ameaçou neve para sexta-feira.

Quem conhece a capital inglesa sabe que aqui raramente neva antes de janeiro, e mesmo assim geralmente neva pouco e por uns três, quatro dias no inverno todo. Este ano tivemos uma neve bizarra em março/abril, e ao que parece vai nevar em novembro também. Mas não vou pegar este tempo doido daqui no fim de semana, porque na sexta pela manhã embarco para Amsterdã para um fim de semana prolongado.

Não estou reclamando; gosto de frio e adoro usar roupas de inverno, que acho chiquérrimas. Se não começar a chover e ventar, estou feliz! Claro que é querer demais, mas tenho que ser otimista, certo? :-)

Mon
21
Nov '05

O direito de dizer não


Mood: Chocada
Music: Talk, Coldplay

Hoje foi divulgado aqui na Inglaterra o resultado de uma pesquisa de opinião da Anistia Internacional sobre estupro. Surpreendentemente (pelo menos pra mim), um terço dos ingleses acredita que se uma mulher usar roupas reveladoras e flertar com homens, ela deve ser responsabilizada em caso de estupro.

Tudo bem que aqui algumas mulheres abusam tanto do álcool quanto de decotes e saias curtas, mas acredito que NADA que uma mulher faça justifica culpá-la por ter sido estuprada. Estupro é um ato covarde e uma violação da intimidade de uma pessoa. E o que é pior: essa atitude de responsabilizar a vítima acaba prejudicando que justiça seja feita. Os números comprovam isso – na Inglaterra, apenas 6% dos casos reportados de estupro resultam em condenação dos acusados. Descontando os casos de mulheres que simplesmente estavam bêbadas demais pra lembrar o que aconteceu e ‘acham’ que podem ter sido estupradas, ainda assim é uma estatística alarmante.

Fui procurar estatísticas para comparar o quadro inglês com o brasileiro e fiquei chocada: aqui na Inglaterra, foram registrados 12,867 casos de estupro em 2004/05. Já no Brasil, em 2003 houve 14,280 casos registrados. Vale lembrar que estes são apenas os casos que chegaram à polícia, e que no Brasil a proporção de estupros não-reportados deve ser bem maior do que aqui, mas ainda assim é surpreendente ver que a Inglaterra, que possui uma popolação quase quatro vezes menor do que a do Brasil, tem quase o mesmo número de estupros por ano.

Triste perceber que o machismo parece ser endêmico por aqui também, até mesmo entre mulheres. Muitas vítimas de estupro não reportam a violação porque se sentem culpadas. E voltamos aos estereótipos de sempre no fim das contas – homens podem beber e flertar o quanto quiserem impunemente, mas se uma mulher faz o mesmo e é estuprada, azar o dela. :-(

Fri
18
Nov '05

Sexta poética


en la lucha de clases
todas las armas son buenas
piedras
moches
poemas

– Paulo Leminski

Thu
17
Nov '05

Obsessiva-compulsiva


Mood: Maníaca
Music: All Day And All Of The Night, The Kinks

Estou passando por uma fase obsessiva-compulsiva, em especial com relação às minhas nerdices. Pra vocês terem uma idéia, aqui vão alguns exemplos deste comportamento:

* No domingo, passei o dia em casa assistindo à terceira temporada de Babylon 5 em DVD – só levantei do sofá para comer e ir ao banheiro, praticamente. Forró? Nem pensar!

* Na noite de terça, depois de finalmente instalar Civilization IV no meu computador, fiquei jogando até as 6 da manhã de quarta. Considerando que eu teoricamente deveria acordar dali a uma hora para trabalhar, não foi uma decisão muito sábia. No fim das contas, apelei para a flexibilidade do meu chefe e avisei que iria trabalhar de casa só para poder dormir uma horinha extra. Não preciso dizer que não foi o dia mais produtivo da minha vida…

Espero conseguir canalizar um pouco deste distúrbio para fins eruditos – preciso correr atrás do alemão (o idioma, antes que venham as gracinhas) e estudar mais em casa. Mas como me dedicar à complexa gramática saxônica quando tenho outras tentações à minha volta? Aceito sugestões! :-)

Tue
15
Nov '05

Labirinto de memórias


Mood: Nostálgica ma non troppo
Music: Força, Nelly Furtado

Por conta da mudança do blog, acabei me vendo obrigada a reler meses e mais meses de posts antigos para criar títulos e categorizá-los. Como nunca mantive diários por tempo suficiente pra fazer isso antes de criar o Noites, nunca passei por essa experiência de remexer nas memórias do passado desta maneira. Ao voltar a ler coisas que escrevi há um ano atrás, pude perceber entre as linhas o que eu estava sentindo quando digitei aquelas exatas palavras. É quase perturbador.

Ao mesmo tempo, reviver os bons momentos através de minhas próprias lembranças tem seu lado positivo. E também perceber que aproveitei (e muito!) cada momento desde que me mudei para Londres, warts and all. Acho que agora entendo por que as pessoas escrevem autobiografias.

Mon
14
Nov '05

Casa nova!


Mood: Radiante
Music: Breakout, Foo Fighters

Bem-vindos ao novo Noites na Cidade! Graças aos esforços do amigo Ricardo Engel, finalmente finalizamos a migração do conteúdo do blog para meu cantinho no ciberespaço. Embora ainda haja muito a ser feito para que tudo fique do jeito que eu quero, não agüentava mais esperar para apresentar minha casa nova a vocês. Espero que gostem! :-)

Fri
11
Nov '05

Remembrance Day


Mood: Contemplativa
Music: The Way I Feel Inside, The Zombies

“On the eleventh hour of the eleventh day of the eleventh month in 1918, we celebrated…” Há 87 anos terminava a Primeira Guerra Mundial, um dos mais sangrentos conflitos da Europa. O Reino Unido e algumas antigas colônias (Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul) promovem dois minutos de silêncio na 11ª hora do dia 11 de novembro (Remembrance Day) para lembrar daqueles que deram suas vidas por um ideal, não apenas na Grande Guerra.

Novembro também é marcado pelas papoulas que os britânicos, especialmente os mais velhos, carregam em suas roupas. A papoula foi escolhida como símbolo da Royal British Legion, entidade que ajuda veteranos de guerra por aqui, por ser a única coisa que crescia depois das batalhas nos campos franceses de Flandres, onde boa parte do milhão de britânicos que perdeu a vida na Primeira Guerra pereceu.

Pra mim, o Remembrance Day é também um dia de reflexão sobre o verdadeiro preço das guerras. Será que um dia iremos aprender?

Wed
9
Nov '05

Mestre dos Sonhos


Mood: Dreamy
Music: Hallelujah, Kathryn Williams

*suspiro* Ontem me vi cara a cara pela segunda vez com Neil Gaiman, criador de Sandman e os Perpétuos e autor de livros como Belas Maldições e Deuses Americanos. Sou fã de Gaiman há muitos anos e tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente na Bienal do Rio de 1999 – meu Fotolog tem prova do fatídico encontro, quando até um desenho do Sonho ele fez pra mim. *suspiro*

O evento inclui uma sessão de perguntas e respostas com Gaiman e Lenny Henry, um ator e comediante genial; leituras de trechos de Anansi Boys, último livro de Gaiman (que já li, obviamente); e uma longa fila de autógrafos. Esqueci de levar minha cópia do livro e fui obrigada a comprar outra (que sacrifício), mas foi tudo em vão – ele autografou tudo menos o Anansi Boys. Será que tenho disposição de enfrentar outra fila no sábado, quando ele volta a Londres para mais uma indução de tendinite na Forbidden Planet?

Nunca fui de ter ídolos, mesmo quando criança, mas tenho uma admiração profunda por Gaiman e tudo o que ele já fez. The Sound of Her Wings, conto que marca a primeira aparição da Morte em Sandman, é uma de minhas histórias preferidas de todos os tempos. Eu poderia passar o dia inteiro escrevendo sobre o que gosto nas obras dele, mas vou me conter e dizer apenas uma coisa: quero ser que nem ele quando eu crescer.

O legal é que na semana passada entrevistei Dave McKean, parceiro de trabalho de Gaiman pelos últimos 18 anos e responsável pelas capas de todas as edições de Sandman já publicadas. McKean recentemente dirigiu MirrorMask, que assisti durante o Festival de Cinema de Londres e cujo roteiro foi escrito em colaboração pelos dois. Pra quem tiver curiosidade e não tiver problemas com ler em inglês, a entrevista está aqui.

Ah, e fofoca para os fãs: Gaiman ontem anunciou que o artista P. Craig Russell, famoso por desenhar várias das antigas revistas do Elric, está trabalhando em uma graphic novel de Coraline. Ai, meu bolso…

Mon
7
Nov '05

Sou nerd sim, vai encarar?


Mood: Nerd!
Music: Andreas Johnson, Glorious

Já confessei aqui diversas vezes que sou nerd, e com muito orgulho. Sou o tipo de pessoa que perde a hora jogando jogos de computador/videogame, e não tenho um console em casa porque sei que não faria mais nada da vida. Isso significa que estou condenada – ontem passei a tarde jogando Starcraft em rede com amigos na Toca dos Mongos, e sei que agora vou passar boa parte de meu tempo livre praticando pra não tomar um couro dos moleques na nossa próxima LAN Party (pros não-iniciados, o termo se refere a um evento em que os participantes levam seus computadores para um mesmo lugar e os conectam em rede – e sim, carreguei meu laptop até lá pra poder jogar). Até ontem eu era café-com-leite porque não jogava nada há milênios, mas não haverá piedade na próxima sessão.

Pra vocês terem uma idéia de quão nerd eu sou, deixei de ir ao forró pra continuar jogando. Pra que dançar e socializar com pessoas normais quando eu posso erradicar Terrans com meus Carriers? :-)

Em tempo: Cansei das frescuras do Weblogger e em breve este blog terá uma casa nova. Fiquem ligados neste espaço para saber das novidades!

Fri
4
Nov '05

Santa paciência, Batman


Mood: Hein?
Music: Breathe Me, Sia

Deu a louca no Weblogger. Nem eu consigo ver meu blog. É por essas outras que eu queria mudar de hospedagem… :-(

Tue
1
Nov '05

Mulher nota mil


Mood: Curiosa
Music: Peacekeeper, Fleetwood Mac

Conversando com um amigo, chegamos à conclusão hoje de que sou um robô. Definitivamente não sou uma pessoa normal, e ele não gostou da minha teoria de que eu seria a evolução da espécie. Acabamos por concordar que sou uma nova versão do D.A.R.Y.L., aquele menino-andróide criado pelo governo e que sabia fazer um monte de coisas legais, tipo pilotar aviões. (Sim, minha cultura inútil relativa a filmes dos anos 80 é praticamente infinita.) Só que as “coisas legais” que eu sei fazer são um pouco mais mundanas. ;-)

Fim de semana agitado – teve comida tailandesa, forrolloween, Devassa, sushi e luvas novas. Também teve sorteio do primeiro amigo oculto internacional de que vou participar. Vai ser divertido!