Noites na Cidade: Divagações de uma jornalista brasileira em Londres.

Divagações e devaneios de uma carioca em Avalon

Wed
28
Jun '06

Gana de vencer


Mood: Confiante
Music: Home, Depeche Mode

Apesar de meus leitores terem me abandonado e ninguém comentar mais por aqui, vou insistir nos meus informes inúteis sobre a Copa. Eu nem queria comentários mesmo, tá? :-(

O time de Gana era o último azarão da competição – apesar desta ser a primeira participação da Ucrânia, não acho que dê pra considerá-los uma zebra. E eles não fizeram feio, apesar de serem um bocado agressivos e reclamões, com um quê de Garoto Enxaqueca. O problema é que eles não tem um atacante que preste no time, ou se tiverem, ele resolveu não jogar ontem, pra nossa sorte. Apesar de criarem oportunidades, as finalizações dos ganenses foram terríveis, e nosso goleiraço Dida só teve trabalho mesmo umas duas vezes.

Quanto à atuação da seleção canarinho… Deu a impressão de que, depois de marcado o primeiro gol – um esforço brilhante do “Felômeno”, aliás – o time resolveu que não valia a pena gastar suas energias e deixou Gana brincar. Alguns, como Roberto Carlos, assistiam de camarote; outros, como Ronaldingo Gaúcho, erravam passes idiotas a torto e a direito. No fim, o placar refletiu apenas as vulnerabilidades dos africanos, e não a competência do time brasileiro.

Não vai dar pra brincar assim contra a França, mas que vai ser muito gostoso eliminar Zidane e companhia da Copa, isso vai. A vingança definitivamente é um prato que se come frio – no caso, com vinte anos de atraso, se considerarmos a eliminação em 86 como referência. E o melhor: minha confiança nos nossos rapazes foi recompensada e eles estarão jogando em Frankfurt quando eu estiver lá, no sábado. Urru! :-)

Wed
28
Jun '06

A dream come true


Mood: Realizada
Music: One Caress, Depeche Mode

O último dia do Wireless Festival era também o mais esperado por mim, e só por causa de uma banda. Aliás, como meu interesse no dia era limitado, assisti a menos shows do que nas minhas outras idas ao evento.

A primeira banda do dia, OK Go, ficou famosa na internet ao lançar na rede o clipe da música A Million Ways (disponível no site do grupo), em que os quatro integrantes fazem uma coreografia louca no jardim da casa de alguém. Ao vivo, eles são divertidos e eficientes, e ao terminar seu bom show os maluquetes brindaram a platéia com uma versão de carne e osso do famoso vídeo! Muito, muito engraçado, e muito legal.

Depois disso, fizemos uma pausa nos trabalhos musicais para assistir ao jogo da Inglaterra elas oitavas-de-final da Copa do Mundo – a organização do evento colocou um megatelão numa área mais afastada do palco principal, e milhares de pessoas se espalharam pelo gramadão pra ver a partida. Que foi bem fraquinha, aliás.

Voltando à nossa programação normal, foi a vez dos Mystery Jets assumirem o palco, com seu rock quirky e eficiente. Nunca tinha ouvido nada deles e achei bem legal, embora o show não tenha sido o suficiente pra levantar a galera – talvez porque boa parte do público fosse bem mais velha do que o das noites anteriores.

A voz maravilhosa de Alison Goldfrapp, no entanto, fez até as múmias presentes balançarem o proverbial esqueleto. A cantora hipnotizou a macharada com um microvestido roxo, longas pernas e quatro dançarinas de biquini, que entravam com acessórios diferentes dependendo da música. Eu já gostava de Goldfrapp antes de vê-los ao vivo, mas eles arrasaram e fizeram o segundo melhor show do dia, perdendo apenas para os headliners.

E o que dizer sobre Depeche Mode? O veteraníssimo grupo inglês embalou os anos 80 com hinos como Strangelove e Personal Jesus, provou que seus clássicos continuam mais atuais do que nunca, e que o último álbum da banda é um retorno à boa forma do passado. Chorei ao ouvir Enjoy The Silence ao vivo – é uma da minhas músicas favoritas de todos os tempos, e graças a isso cortei um item da minha lista de “coisas pra fazer antes de morrer”. Foram noventa minutos de arrepios, cantoria fora do tom, gritos, dança e êxtase. Ah sim, e o que é a voz do Martin Gore cantando Shake The Disease? Truly memorable.

Mon
26
Jun '06

Confete e serpentina


Mood: Tranqüila
Music: Unfinished Sympathy, Massive Attack

Depois da massa de adolescentes agitados de quarta, o O2 Wireless Festival acalmou pra uma sexta-feira que acabou provando ser repleta de afagos visuais e auditivos. Vi menos bandas do que na quarta, em parte porque não tive disposição de ficar pulando de palco em palco, e também porque queria garantir um bom lugar pra ver a principal banda da noite. No fim, tudo valeu a pena.

Abrindo os trabalhos, assistimos a uma bela performance do grupo canadense Metric - a banda, que eu já adorava antes de ver ao vivo, fez um show excelente e a voz da vocalista Emily Haines é ainda melhor fora do estúdio. Era evidente que a maioria das pessoas na platéia nunca tinha ouvido falar deles, mas mesmo assim tinha gente dançando animadamente no gramado semi-vazio em frente ao palco principal.

Em seguida, vimos a enorme trupe do Gnarls Barkley lotar o palco – era um bocado de gente, entre backing vocals, quarteto de cordas e uma coleção de percussionistas. A banda fez história ao ter o primeiro single a atingir o topo das paradas depois de ser lançado como um download, e agitou a galera com hits dançantes cheios de soul. Ah, e todos no palco estavam vestindo quimonos, o que eles devem ter se arrependido de ter feito por causa do calor que estava fazendo!

Depois de uma pausa pra relaxar, bater papo e beber umas cervejas, voltei à área principal de apresentações pra conferir o rock psicodélico do The Flaming Lips, veteranos com mais de 20 anos de carreira. E eles fizeram o melhor show do dia, na mais plena acepção da palavra: o palco tinha um grupo de Papais Noéis, outro de alienígenas, quatro astronautas infláveis gigantes, diversos super-heróis, bolas coloridas, confete e serpentina. O vocalista Wayne Coyne começou a apresentação andando sobre a platéia em uma bolha de plástico transparente, e uma energia contagiante tomou conta do lugar. Já estou me programando pra vê-los novamente em novembro. :-)

Fechando o dia com chave de ouro, e o motivo original pelo qual fui ao Hyde Park na sexta, os ‘pais’ do trip-hop Massive Attack fizeram um show pra agradar ao fãs de longa data. Clássicos como Teardrop, Safe From Harm e Unfinished Sympathy embalaram os adeptos enquanto o sol se escondia. Destaque para a presença da cantora Elizabeth Fraser, a voz dos Cocteau Twins, que embalou o público com sua voz onírica e arrasou. Aliás, todos os cantores que a dupla de Bristol levou ao palco eram excepcionais. Saí do parque feliz!

Sat
24
Jun '06

Japão desce pelo buraco


Mood: Musical
Music: Yoshimi Battles The Pink Robots Pt. 1, The Flaming Lips

Tá, eu sei que estou bem atrasada, mas não podia deixar de comentar o jogo que entrará para a história com o título “O Gorducho Contra-Ataca”. A enfática vitória contra o fraco time do Japão só serviu pra provar algo que a gente já sabia: precisava alguém meter um gol no Brasil pro time acordar e mostrar o que sabe nessa Copa.

Pra variar, o primeiro tempo não foi nenhuma Brastemp. O jogo estava nervoso, alguns jogadores cometiam erros bobos, mas pelo menos a equipe brasileira estava visivelmente mais ofensiva. O Japão ter marcado primeiro, aliás, foi um golpe de sorte para os nipônicos, porque aquele foi o único chute a gol dos nossos oponentes antes do intervalo.

O Brasil começou a segunda etapa com mais vontade, e como aconteceu quando o time da terra do sol nascente perdeu da Austrália, foi só eles levarem o primeiro gol que as porteiras se abriram. Só teve pro escrete canarinho depois disso, e o jogo poderia facilmente ter tido um placar mais elástico do que 4 a 1.

Destaque para o desencanto do gordinho mais amado/odiado do Brasil – Ronaldo marcou dois, movimentou-se infinitamente melhor do que nas partidas anteriores e, se ainda não voltou a ser a máquina mortífera de 2002, pelo menos vai assustar os zagueiros de Gana, nossos adversários nas oitavas-de-final. Aliás, o próximo jogo tem tudo pra ser um festival de futebol positivo, com os dois times partindo pro ataque.

Thu
22
Jun '06

Interlúdio musical


Mood: Velha
Music: Last Nite, The Strokes

O2 Wireless FestivalInterrompemos nossa programação futebolística normal para o primeiro de três informes extraordinários sobre o O2 Wireless Festival, orgia musical que acontece esta semana no Hyde Park. Ontem foi o primeiro dia do evento, que reúne artistas dos mais variados estilos em cinco dias de farra.

Cheguei ao parque cedo porque tirei meio dia de folga, e fiquei lendo e relaxando na grama enquanto via a fila para entrar crescer e crescer. Como sou adepta da tecnologia muderna, meu ingresso é um código de barras enviado em forma de mensagem de texto para o meu celular, e não pego a fila dos plebeus. Sweeeeet!

Quando meu amigo Angus chegou, entramos e fizemos um reconhecimento do terreno. Há várias opções de comida, bebida e entretenimento para o público, umas três áreas VIP diferentes e cinco arenas e palcos diferentes. Com tanta coisa acontecendo, tivemos que escolher com cuidado as bandas que realmente queríamos ver, e prosseguimos para o campo em frente ao palco principal para escolher um bom lugar.

Os trabalhos do dia foram abertos pela ‘girl band’ The Like, cuja característica mais impressionante era a empolgação da baterista. Depois de ouvir às músicas do grupo no MySpace, posso afirmar que elas soam melhor no álbum do que ao vivo. A apresentação em si nem foi ruim, mas a animação das outas duas integrantes do trio – e da platéia – era quase zero.

A apatia das meninas foi gloriosamente substituída pelas cores, sons e loucuras do grupo novaiorquino Gogol Bordello. Formada em sua maioria por imigrantes do Leste Europeu, a banda tem um estilo auto-definido como “punk cigano” e contagia desde o primeiro segundo. Eles fizeram o segundo melhor show da noite, e agora estou pensando como vou conseguir rebolar pra vê-los de novo em Reading.

Depois do divertido caos do bordel mais punk do planeta, quem subiu ao palco foram os ex-companheiros de Pete Doherty na banda The Libertines, agora atuando como Dirty Pretty Things. Ainda que eficiente, achei a apresentação deles meio burocrática, e não me empolguei muito. Tudo bem que eu não conhecia muita coisa da banda antes do show, mas não fiquei com muita vontade de conhecer mais epois de vê-los ao vivo.

Fugimos da muvuca do palco principal em direção ao Xfm Stage para assistir ao estilo particular da banda indie Guillemots, que mistura jazz, rock e pop em um pacote pra ouvir e dançar. O grupo multi-instrumental conta até com um guitarrista brasileiro e fez um show cheio de energia. Eles também vão tocar novamente em Reading, e mais uma vez eu gostaria de revê-los, mas sabe lá o que vai acontecer por lá!

Depois de uma pausa para abluções e bebidas, voltamos à área principal do evento para ver os escoceses do Belle & Sebastian em ação. Não nos arrependemos: o grupo arrebentou e fez o melhor show da noite, e me espantei ao perceber que eu conhecia a maioria das músicas apesar de não ser expert na banda. Todos os ingredientes para uma grande apresentação estavam lá: empolgação, empatia com a platéia, ótima música e uma vibe legal. Eles eu vejo de novo em Reading com certeza!

Pra fechar a noite, enfrentamos adolescentes drogados e muito empurra-empurra pra assistir ao quinteto novaiorquino The Strokes, mas felizmente o esforço valeu a pena. Apesar de mais curto do que eu esperava, o show foi vibrante, misturando “clássicos” (as aspas são pra ressaltar que a banda só existe há sete anos) e músicas novas. Os fãs de carteirinha, entre os quais eu não me incluo, pareciam satisfeitos, então quem sou eu pra reclamar!

A impressão que ficou no fim da noite é de que estou ficando velha pra essas coisas, porque não tenho mais paciência pra aturar gente pulando em cima de mim nem me empurrando pra passar onde estou por muito tempo. Ah, e porque a maioria das bandas que vi é composta por gente mais nova do que eu… ;-)

Tue
20
Jun '06

A caminho das eliminatórias


Mood: Atolada
Music: Get Me Away From Here I’m Dying, Belle and Sebastian

O Brasil conseguiu, ainda que com dificuldades, garantir sua vaga nas oitavas-de-final desta Copa. Não achei que a performance da equipe contra a Austrália tenha sido tão ruim quanto a maioria dos comentaristas pintou, e nem achei que os antipodeanos tenham jogado tãããããão bem assim. Foi um joguinho bem mais ou menos, melhor do que a estréia mas ainda longe das expectativas da torcida. O que importa é o placar, no entanto, e o Brasil conseguiu um convincente 2 a 0, precisando apenas de um empate contra o Japão pra assegurar o primeiro lugar no Grupo F.

A maior surpresa da competição até o momento foi a inglória derrota da ‘poderosa’ República Tcheca nas mãos dos estreantes de Gana. Os africanos provaram por que o mundo está prestando mais atenção no futebol daquele continente, jogando com alegria, disposição e, mais importante, pra ganhar. E a Itália decepcionou os apostadores ao empatar com o bom time dos EUA, num jogo marcado pela violência.

Nos outros grupos, os destaques foram a enfática goleada de 6 a 0 que a Argentina infligiu sobre a seleção de Sérvia e Montenegro, que limitou-se a assistir ao show de bola de nossos odiados vizinhos, e a aparente boa forma da Espanha, que sempre promete mas nunca cumpre em torneios de vulto. Será que dessa vez os espanhóis realmente fazem alguma coisa que preste?

Como nem tudo na vida é futebol mesmo em ano de Copa, na sexta saí com as meninas pra tomar sorvete e fofocar, o que continuei fazendo mais tarde com outras amigas em casa enquanto assistíamos aos dois Bridget Jones – mais mulézinha, impossível! E no sábado fui com amigos para mais uma de nossas intrépidas caminhadas, desta vez no Seven Sisters Park, um paraíso a beira-mar na costa de Sussex. Os cenários espetaculares renderam centenas de fotos, que em breve estarão publicadas no meu Flickr.

Agora vou ver como a Inglaterra se sai contra a Suécia, e curtir o belo Freddie Ljungberg em ação porque não sou de ferro. ;-)

Fri
16
Jun '06

Live ao vivo


Mood: Roqueira
Music: Lakini’s Juice, Live

Eu normalmente não colocaria duas músicas da mesma banda em posts consecutivos, mas é por um bom motivo: o show do Live de quarta-feira foi sensacional, certamente um dos melhores shows da minha vida.

Antes do show, descobri que a banda não é muito conhecida aqui na Inglaterra, e parecia que a maioria dos fãs presentes no local era de outros países. Acho que isso foi bom, porque nunca fui a uma apresentação aqui em Londres com uma energia tão positiva, nem com uma platéia tão entusiasmada. O povo cantava, gritava, pulava, e os integrantes do grupo no palco refletiam a animação da galera. O vocalista Ed Kowalczyk estava falante e energético: condenou a(s) guerra(s) no Iraque, falou de paz, família e do último disco da banda, tirou a camisa, arregalou os olhos e dançou à beça.

Minha posição era estratégica: fiquei grudada na grade que fica do lado direito do palco, perto das caixas de som. Embora o posicionamento tenha causado alguma perda de audição por dois dias, eu estava a umas três fileiras do palco e podia usar o degrauzinho da grade pra ficar mais alta que os marmanjos na minha frente, o que significou uma visão quase perfeita do palco. Infelizmente, a cabeça-de-vento que vos escreve esqueceu sua máquina fotográfica no trabalho e teve que se contentar com tirar fotos pífias no celular, que obviamente ficaram uma porcaria. Mas tudo bem, o que vale é a intenção. :-)

O setlist tinha principalmente clássicos dos álbuns mais antigos da banda, e ouvir Lightning Crashes, Lakini’s Juice, The Dolphin’s Cry e I Alone na seqüência foi de lavar a alma. Só fiquei chateada por não ouvir Pain Lives On The Riverside ao vivo, mas o show foi tão legal que, no fim das contas, nem liguei muito.

A catarse foi tão boa que só lembrei do futebol quando meu amigo Angus, que foi comigo, perguntou se eu sabia o placar de Alemanha x Polônia. Não perdi muita coisa, aliás. ;-)

Wed
14
Jun '06

É, né?


Mood: Otimista
Music: Lightning Crashes, Live

Brazil 1 x 0 Croácia. O placar reflete mais a boa performance defensiva da Croácia – e algumas boas defesas do Dida – do que incompetência por parte da equipe brasileira. Não dá pra discutir que o Ronaldo não entrou em campo e passou todo o tempo em que ‘jogou’ com cara de que preferia estar em qualquer outro lugar. Também não dá pra negar que a atuação do Juan foi periclitante. Mas tirando algumas escorregadelas esperadas numa partida de estréia em Copa do Mundo, o resto do time jogou direito, e o mérito dos croatas em anular boa parte das jogadas do escrete canarinho não pode ser ignorado.

O melhor jogador do Brasil em campo foi sem dúvida nenhuma Kaká, que correu, atacou, defendeu e ainda marcou um golaço. Seguro e beeeeem menos marcado do que Ronaldinho, ele teve espaço pra armar jogadas, ainda que tenha tentado chutes de fora da área demais pro meu gosto. Mais uma vez, ponto para a Croácia – as tentativas à distância só aconteceram porque a defesa deles estava bem fechadinha, e os brasileiros não conseguiram penetrá-la eficientemente.

Tá, não foi o show de bola que todo mundo esperava, mas e daí? Ganhamos os três pontos contra um adversário eficiente e perigoso, e é isso que importa de verdade. Daqui pra frente a tendência é melhorar. Posso estar sendo otimista e até ingênua, mas não lembro de nenhuma Copa em que o Brasil começou arrasando e chegou a algum lugar…

Mudando de assunto, estou animadíssima porque vou ver esta noite o show de uma banda que adoro e nunca tive a oportunidade de ver ao vivo: o quarteto americano Live. A melhor notícia, na verdade, foi que o set é composto principalmente pelos antigos sucessos dos primeiros discos do grupo, os melhores. Mal posso esperar! :-)   

Tue
13
Jun '06

Brasil-sil-sil!


Mood: Sobrevivente
Music: The Living Daylights, A-Ha

Ficar doente nessa época do ano só tem uma vantagem: passei os últimos três dias assistindo ao futebol! Como eu previa, o México – comandado pelo excelente Rafael Marquez – fez bonito contra o Irã, enquanto os portugueses tiveram dificuldades pra superar o fraco time de Angola na outra partida do grupo.

As partidas que realmente interessam ao Brasil aconteceram ontem, no entanto. No primeiro jogo do grupo F, a Austrália contou com o talento de Tim Cahill (que joga no meu time daqui, Everton FC!) pra virar uma partida que parecia perdida contra o Japão, que não me impressionou. Como eu previa, os australianos – por não terem nada a perder – foram com tudo e se deram bem. A única coisa que me preocupa para o jogo de domingo, quando o Brasil enfrenta o os Socceroos, é que eles são bastante físicos e podem machucar algum dos nossos rapazes. No amistoso deles contra a Holanda, três jogadores da Laranja Mecânica saíram de campo em macas…

Já no Grupo E, de onde vai sair o adversário do Brasil nas oitavas-de-final, República Tcheca e Itália confirmaram o favoritismo ao derrotar respectivamente EUA e Gana. Eu esperava mais do time americano, mas a inocência da equipe africana era previsível. Aliás, o jogo dos tchecos contra a Azzurri promete ser um dos melhores da fase de classificação, e que deve decidir quem enfrentaremos na próxima etapa dessa Copa.

Estou contando as horas pra Brasil x Croácia, e sinceramente espero que a seleção canarinho faça o que todos esperam e ganhe esse jogo, em especial porque serei entrevistada pela BBC amanhã e vai ser difícil estar animada se isso não acontecer. :-)

Sat
10
Jun '06

Primeiras impressões


Mood: Gribada
Music: Da Da Da, Elastica

Como estou supergripada, passei o dia em casa e aproveitei pra assistir a todos os jogos do dia na Copa. Fiquei decepcionada com a performance da Inglaterra, que só conseguiu ganhar de um Paraguai fraquinho graças a um gol contra do Gamarra. O jogo, aliás, foi uma pelada de várzea, mas tenho certeza de que os jornais ingleses vão eudeusar os jogadores nas edições de domingo. Adorei a seleção de Trinidad & Tobago, que não tinham nada a perder e conseguiram um ótimo empate contra a Suécia em seu primeiro jogo em uma Copa do Mundo. E, pra variar, fiquei com raiva dos argentinos – não porque eles ganharam, até porque a Costa do Marfim não ofereceu lá muita resistência, mas porque eles roubam e catimbam demais.

A grande estrela do torneio até o momento é a bola: a adidas Teamgeist é mais leve e dá muito mais efeito do que qualquer bola usada até hoje em competições oficiais, e graças a ela a Alemanha marcou dois golaços em sua vitória de 4 a 2 sobre a Costa Rica ontem. Surpresa também foi a enfática derrota da Polônia por 2 a 0 nas mãos (pés?) do Equador, zebra total.

As partidas de amanhã prometem: algumas pela provável qualidade do futebol, outras pelo valor histórico na competição. Estou especialmente curiosa para ver a seleção do México em ação.

Fri
9
Jun '06

É hoje!


Mood: Futebolística
Music: A Taça do Mundo é Nossa, Copa de 58

Daqui a menos de uma hora a bola começa a rolar nos campos alemães, indicando o início do evento esportivo mais assistido do planeta. Adoro futebol, e a Copa do Mundo é o ápice deste esporte apaixonante que começou por essas bandas e conquistou gente de todos os países, culturas e religiões.

A seleção brasileira é a favorita para levar a taça permanentemente pra casa, e não é por falta de motivos. Atual campeã, a equipe canarinho tem o melhor jogador do mundo de acordo com a FIFA e jornalistas esportivos europeus, ganhou a Copa das Confederações no ano passado e ficou com o primeiro lugar das disputadas eliminatórias sul-americanas.

Acho que o Brasil tem todos os ingredientes pra vencer, incluindo superstições numerológicas. O que me preocupa é que a nossa seleção tem um histórico de perder quando é favorita (82 e 98, alguém?) – não acho que a fase de grupos apresentara grandes desafios, ainda que nenhum dos oponentes seja fácil, mas acho que o potencial para uma escorregada nos jogos eliminatórios é grande. Como diria o Rei do Futebol, o esporte é uma “caixinha de surpresas”, o que o torna tão emocionante, mas não dá pra prever o que vai acontecer.

Seja lá o que for que o próximo mês nos reserve, entretanto, torcerei como louca para o Brasil, assistirei ao máximo de jogos possível e passarei um fim de semana na Alemanha pra curtir a atmosfera do evento, que deve ser sensacional. E fiquem ligados neste espaço para meus comentários e relatórios sobre as partidas! ;-)

Mon
5
Jun '06

Night and day


Mood: Primaveril
Music: Country Girl, Primal Scream

Só depois de morar em um país com as estações bem-definidas é que se nota o poder que o sol tem de mudar o humor das pessoas. O efeito do clima primaveril nos ingleses é impressionante: todo mundo fica alegre, simpático e vai pros parques tomar sol e curtir o dia.

Depois da festança de sexta, quando fui ao baile de formatura da minha antiga universidade pra ajudar (fotos no Flickr em breve!), acordei cedo no sábado pra ir a Kintbury, ponto de partida de nossa última caminhada pelo countryside britânico. O destino da vez era Combe Gibbet, um local interessante por vários motivos em Berkshire. A história do morro começa em 3500 AC, passa pelo ano de 1676 – quando uma estrutura onde criminosos enforcados eram pendurados para servir de exemplo ao povo foi construída – e hoje abriga praticantes de asa-delta e paragliding. O dia ensolarado e a deliciosa brisa contribuíram para um passeio sensacional.

Voltando a Londres, a maior parte do grupo (éramos dez pessoas originalmente) decidiu jantar numa steak house perto de Paddington, e lá fomos atendidos por um simpático garçom da Mongólia chamado Oddelger Khayankhyarvaa (pronunciado ‘rainkirava’). Ficamos um cinco minutos tentando aprender a falar o tal do nome, pra deleite do Otto (apelido do moço).

Depois de passar a manhã vendo chick flicks com a Dri, que dormiu lá em casa, fomos almoçar no Wagamama e de lá caminhamos para o Hyde Park para nossa sessão dominical de frisbee. Fui embora relativamente cedo, no entanto, pra assistir à reprise do amistoso da seleção brasileira contra a Nova Zelândia.

Minha análise do jogo: primeiro tempo fraco, relaxado demais, contra um adversário claramente inferior. Já o segundo tempo foi outra história: o time mostrou determinação, garra e habilidade de sobra, e não fosse pela ótima atuação do goleiro neozelandês, a partida teria terminado 8 a 0. Mas o que esperar de oponentes que jogam em equipes de futebol universitário nos EUA?

Thu
1
Jun '06

Curtas da semana


Mood: Livre
Music: Magic Touch, Clor

* Os dias são curtos mesmo quando se dorme cinco ou seis horas por noite. A impressão que tenho às vezes é de que nunca terei tempo suficiente pra fazer tudo o que quero/preciso. Será que um dia vou ter a sensação oposta, de que nunca vou ter o suficiente pra fazer com todo o tempo livre que tenho?

* Amanhã vou a um baile black tie, não é chique? Tem a ver com um fato que esqueci de relatar aqui: fui eleita para o comitê da associação dos ex-alunos da minha universidade aqui, e me ofereci pra ajudar com o baile de graduação, promovido pela associação. Só assim pra eu ter uma chance de usar as minhas roupas de madrinha!

* Passei o feriadão dessa semana em ótima companhia – na sexta, fui nerd até dizer chegar e joguei Starcraft até as quatro da manhã; no sábado, fui a uma festa de housewarming e ao Science Museum; domingo foi dia de parque e pub; e na segunda, me encontrei com amigas do mestrado que estão em Londres a passeio e depois fui jantar com outro grupo. Às vezes penso que não tem coisa melhor do que curtir os amigos, mas aí lembro que tem. Mas que é bom, isso é. :-)

* Por que fizeram o que fizeram no X-Men 3? Tá, é um filme legal, mas tinha que estuprar a história daquela maneira? Não dava pra ser minimamente fiel aos quadrinhos? Eu nem sou xiita, mas imagino que os fãs mais sérios não devem ter ficado nada felizes com o resultado final. Pelo menos a Kitty aparece e não faz feio!

* Estava vendo hoje o line-up dos festivais a que vou este verão, e fiquei superfeliz com o que vi. Tanto Reading quanto os três dias a que vou do O2 Wireless estão sensacionais. Tenho certeza de que eles valerão cada penny que eu paguei.
* Que venha a poderosa Nova Zelândia! ;-)