Noites na Cidade: Divagações de uma jornalista brasileira em Londres.

Divagações e devaneios de uma carioca em Avalon

Sun
29
Apr '07

Deve ser a idade


Mood: Dolorida
Music: Não Vale A Pena, Maria Rita

EU realmente devo estar ficando velha. Não tenho mais a disposição dos “velhos tempos”, de virar noite, dormir duas horas e acordar nova no dia seguinte. Tá, essa semana foi estressante e, como de hábito, cheia de compromissos sociais, mas estou me tornando uma daquelas pessoas que vai embora cedo pra pegar o metrô antes de fechar – tem coisa mais velha-da-caverna do que isso?

A verdade é que estou amadurecendo e mudando. Não tenho mais paciência pra festões com trocentas pessoas, gente bêbada me enchendo o saco, não conseguir passar da sala pra cozinha de tanta gente no caminho. Aprecio mais as pequenas reuniões, os bate-papos em que você consegue ouvir a pessoa com quem está conversando sem ter que gritar mais alto do que a música… enfim, qualidade em vez de quantidade.

Como sempre fui a proverbial social butterfly, essa mudança de gostos e atitudes é um choque, mas agora estou começando a me acostumar com a idéia – e até a gostar disso. Não me sinto mais na obrigação de ir a todas as festas, todos os encontros, todas as baladas. Vou nas que importam, ou nas que tenho vontade, sem me sentir mal ou que estou missing out por perder um evento. Me divirto quando participo, mas mais do que nunca aprecio curtir boa companhia, ver um bom filme e – pasmem! – uma boa noite de sono. É a idade… :-)

Mon
23
Apr '07

Tortura musical


Mood: Notívaga
Music: Turning Japanese, The Vapors

A democratização da tecnologia na Inglaterra tem suas vantagens: aqui, quando você assina um contrato com uma empresa de telefonia celular, ganha o aparelho de graça. Isso vale para a maioria dos modelos, inclusive os mais recentes celulares musicais, como a linha Walkman da Sony Ericsson.

Infelizmente, nem toda tecnologia é usada para o bem, e um episódio comum nos ônibus de Londres são jovens que sentam nos bancos de trás do segundo andar e obrigam os demais passageiros a ouvir a música – em geral terrível – que emana de seus modernos telefones.

Juro que não entendo. Esses telefones em geral vêm com fones de ouvido no pacote, então por que não utilizar essas maravilhosas invenções e nos poupar do barulho desnecessário? Invariavelmente, os jovens em questão estão ouvindo hip-hop, rap ou r’n'b da pior qualidade. Eu, que já não sou fã dos gêneros citados, estaria perdida não fosse pelo meu fiel escudeiro, um Creative Zen Vision:M equipado com fones anti-ruído.

É fácil entender, no entanto, por que este desagradável fenômeno acontece: é da natureza dos ingleses não gostar de reclamar sobre nada. Todo mundo sabe que inglês adora uma fila e estas são respeitadas num nível próximo da adoração, mas se alguém fura a fila geralmente consegue sair impune – o amor por filas organizadas não é maior do que o medo de causar uma cena, possivelmente o mais forte instinto dos bretões. Imagina a vergonha! Inadmissível!

A sorte dos torturadores-possuidores-de-celulares-modernos-tocando-música-ruim é que sou uma pessoa naturalmente de bom humor, porque o dia que um deles me pegar de ovo virado, os ingleses à minha volta vão morrer de vergonha alheia pelo tamanho do escarcéu que eu vou causar. :-)

Fri
13
Apr '07

Brinquedo novo


Mood: Dançante
Music: Lucky Star, Madonna

Fiz uma doideira e me dei de presente um brinquedo novo: uma Canon EOS 400D. Sempre gostei de fotografia, embora nunca tenha me prestado a nada além de fotos de amigos, eventos e viagens. Resolvi tomar vergonha na cara e investir num hobby que andava meio abandonado, e já que é pra fazer, vamos fazer direito.

Meu bebê chegou na terça, e desde então comecei a tirar fotos de teste pra ver o que acontecia. Vocês podem acompanhar minhas desventuras fotográficas no meu Flickr - esse fim de semana tem caminhada e vou levar a coitada da máquina, então preparem-se pra uma enxurrada!

Wed
11
Apr '07

Um olhar diferente


Mood: Filosófica
Music: Standing In The Way Of Control, Gossip

Visitei Londres pela primeira vez em 1994, em uma viagem com a família pelo Velho Continente. Lembro que meu irmão, na época um adolescente com hormônios em polvorosa, classificou os países que visitamos em termos da beleza de suas habitantes do sexo feminino, e a Inglaterra ficou na lanterna do ranking.

Por algum motivo isso me veio à cabeça hoje de manhã, durante minha viagem cotidiana para o escritório. Não sei se meu conceito de beleza mudou ou se Londres está mais interessante, mas reparei em várias mulheres que eu consideraria belas no ônibus e no metrô. Talvez os quase 13 anos que separam aquela primeira experiência e o que vi hoje tenham feito uma grande diferença, seja porque a população da cidade está mais misturada – cultural e socialmente – do que nunca, seja por causa das atuais preocupações com saúde e aparência que dominam a sociedade ocidental.

Independentemente do motivo, tem muita mulher gata na capital britânica. Loiras ou morenas, inglesas ou indianas, produzidas ou relaxadas, tem colírio pra todos os gostos. Ou talvez a beleza realmente esteja no olhar no observador, e eu é que ando vendo gente bonita por todos os lados. :-)

Wed
4
Apr '07

Atendendo a pedidos


Mood: Deadlines!
Music: Holding My Own, The Darkness

Hoje vou tentar responder a todos os questionamentos que foram colocados nos comentários do último post, à exceção do assunto bioetanol, que publicações mais sérias como a The Economist exploram muito melhor do que eu. ;-)

1. De onde vem a obsessão dos ingleses com a família real?
Ao contrário do que possa parecer, os membros da família real britânica não estão nas capas dos tablóides todos os dias – eles dividem a honra com jogadores de futebol, participantes de reality shows como Big Brother e ataques aos imigrantes. Mas o interesse causado pela realeza advém de uma mistura de fatores. Por exemplo, os príncipes William e Harry são especialmente queridos pelo público por serem filhos de Lady Diana Spencer, a “namoradinha da Inglaterra”. Existe uma catarse coletiva em relação à Diana, como se os ingleses se considerassem parcialmente responsáveis pela morte da princesa de Gales por comprarem os jornais que empregavam os paparazzi. Existe também uma parcela da população que acredita que a realeza já deu o que tinha que dar e chegou a hora de dar um pé na bunda da Rainha, mas até onde eu saiba não existe nenhum grupo organizado para este fim, ou se existe, ele não é lá muito popular. A verdade é que os britânicos têm um interesse quase doentio por pessoas ricas e famosas, o que leva à produção do que talvez seja o pior jornalismo do mundo – ao mesmo tempo em que a BBC e jornais como o The Guardian produzem um dos melhores, senão o melhor.

2. O que aconteceu com o RadarPop?
Pra quem não sabe, o RadarPop é um podcast sobre cultura pop produzido pela dupla Alexandre Maron e Cristiano Dias. Fui convidada a fazer algumas participações especiais no programa, inicialmente por conta da ausência de um dos apresentadores oficiais, mas minha presença nunca foi algo certo. Como o Alê trabalha à beça (e, convenhamos, é enrolado) e o Cris agora curte as maravilhas da paternidade, os meninos têm menos tempo pra cuidar do podcast, que exige várias horas de trabalho entre gravação, edição e publicação. Também me considero uma órfã do programa, mas quem sabe com um pouco de pressão popular não conseguimos fazer os rapazes tomarem vergonha na cara? :-)

3. Os Trapalhões e o Frisbee da Rainha
Tenho um grupo de amigos que tem por hábito jogar ultimate frisbee aos domingos no Hyde Park quando o tempo permite. Por razões óbvias, desde que comecei a namorar tenho participado muito pouco dos jogos, mas durante os anos acumulei uma quantidade espetacular de hematomas e ferimentos diversos causados pela prática do esporte. O mais grave que já aconteceu comigo foi perder uma unha do pé (yuck!) depois de ser pisoteada pelos mocinhos delicados que jogavam comigo, mas já houve casos de inocentes serem atingidos por frisbees perdidos, cabeçadas que resultaram em galos e alguns sangramentos. O resto das trapalhadas só serviu pra machucar o ego de uns e outros. ;-)

Quanto ao namorado, podem ter certeza de que o bonitão continuará a ser mencionado neste espaço, para deleite (ou desespero) dos caros leitores.

PS: Só tem uma coisa mais fofa do que o Knut no planeta: este vídeo aqui.