Noites na Cidade: Divagações de uma jornalista brasileira em Londres.

Divagações e devaneios de uma carioca em Avalon

Mon
18
Jun '07

O maior espetáculo da Terra


Mood: Alucinada
Music: Knights of Cydonia, Muse

Tenho certeza de que o maior espetáculo da Terra não é o circo, como pregam os veteranos do picadeiro da companhia Ringling Brothers (cujo show, coincidentemente, assisti durante uma viagem aos Estados Unidos em 1988). Quem merece tal título são os três rapazes de Devon conhecidos mundialmente como Muse e liderados por Matt Bellamy - também conhecido, de acordo como uma camiseta vista no show a que fui ontem, como Deus.

Tá, os três picadeiros simultâneos da companhia circense me impressionaram aos 10 anos de idade, mas também confundiram minha pobre cabecinha, já que eu não sabia pra onde olhar (“Tigres? Elefantes? Zebras? Aaaaaargh!”). A apresentação do trio inglês não me causou esse problema: apesar da coincidência numérica refletida nos membros do grupo, o palco único do show no estádio de Wembley não dava margem pra distrações – tirando, é claro, quando no meio do set acústico que iniciou o bis duas dançarinas voadoras, içadas ao ar por balões de gás, começaram a fazer acrobacias enquanto penduradas nos tais balões. Impressionante, meu povo, impressionante.

Imagino que não deva ser fácil pra uma banda dominar um estádio como Wembley. Se for, no entanto, os rapazes do Muse não pareciam estar fazendo nenhum esforço para levar os milhares de fãs presentes ao delírio, numa catarse que certamente comtribuiu pra tornar a atmosfera dentro da arena deliciosamente alucinante. Isso e os megatelões, o jogo de luz, a fumaça, o fogo e as trocas de instrumento e figurino dignos da Madonna…

Se esse show não fosse o suficiente pra fazer a alegria do meu fim de semana, no sábado teve um festival inteiro pra garantir meu divertimento, culminando com outra apresentação excepcional: desta vez a farra ficou por conta dos herdeiros do Kraftwerk (de acordo com meu maninho Péuna), o duo parisiense Daft Punk. Teve outros shows antes, mas a apresentação dos franceses foi tããããão maravilhosa que eu nem lembro direito (brincadeira, lembro sim – mas falo deles depois).

Foi um final de semana e tanto. E amanhã tem Smashing Pumpkins pra completar a festa. :-)

Thu
14
Jun '07

Sobre religião e outros bichos


Mood: Cartesiana
Music: Cowboys, Portishead

Acho que trabalhar com jornalismo científico serviu pra abrir meus olhos para diversas coisas que eu fingia não ver antes. Um dos meus colegas é ateu doente (se é que posso pegar emprestado um termo quase futebolístico e aplicá-lo a religião!) e outro foi oficialmente excomungado pela Igreja Católica (não perguntem), então temos ótimas discussões sobre o tema aqui no escritório. Mas o buraco é beeeem mais embaixo.

Muita gente acha que religião e ciência são temas mutuamente exclusivos. Não é verdade. Conheço diversos cientistas e pesquisadores que se consideram pessoas religiosas, têm e praticam uma fé, e não necessariamente vêem um conflito entre seu trabalho e seu lado espiritual. Por outro lado, varios outros são ateus e não acreditam em nada que não possa ser provado e explicado através do método científico.

A linha que divide fé e ciência é bastante tênue às vezes. Enquanto escrevo este texto, por exemplo, milhares de físicos de todo o mundo (especialmente da Europa) estão construindo o mais potente acelerador de partículas do planeta para, quando este for ativado, comprovar a mais aceita teoria sobre a origem do universo – ironicamente, baseada na chamada “partícula de Deus” (bóson de Higgs para os íntimos).

É claro que algumas religiões tornam a coexistência pacífica entre a idéia de forças superiores que influenciam nossas vidas e conceitos científicos tais como a seleção natural de Darwin uma tarefa complexa (pra não dizer impossível), mas apesar do que pregam os defensores do design inteligente, continuo achando que o olho humano – por mais inacreditável que pareça – foi sim fruto de um processo evolutivo que começou há bilhões de anos atrás.

A verdade é que hoje em da estou muito mais para pastafari do que cristã, e enquanto os dirigentes da Igreja Católica e de outras religiões continuarem a tomar atitudes como a de condenar a Anistia Internacional por esta defender abortos na África em caso de estupro, não vou conseguir levar o que eles dizem a sério. Já passou da hora deles acordarem para a realidade do mundo…

Wed
13
Jun '07

Sejamos coerentes


Mood: Contemplativa
Music: The Importance of Being Idle, Oasis

Durante sua recente visita ao Brasil, o Papa Bento XVI falou várias coisas polêmicas, mas uma delas em especial reverberou na minha cabeça: sua posição sobre católicos pró-escolha em relação ao aborto. Pra quem não sabe, o Pontífice disse que os membros da religião que apóiam o direito de uma mulher realizar um aborto se quiser devem ser excomungados.

Sou completamente pró-escolha. Não sei se eu faria um aborto caso engravidasse, mas acho que todo mundo deveria ter a chance de decidir se tem estrutura para colocar uma criança no mundo. Aqui na Inglaterra, onde o aborto é legalizado, as mulheres têm esse direito. No Brasil a coisa não é tão simples: a não ser que a mulher em questão tenha acesso a um médico que faça o procedimento clandestinamente – e tenha condições de pagar por ele – as soluções à disposição vão de tomar remédios caseiros a usar instrumentos como cabides para se livrar do bebê, muitas vezes com conseqüências desastrosas para a mãe.

Tenho uma historinha pra contar sobre este assunto. Minha mãe costumava utilizar os serviços de uma costureira, que ia à nossa casa de tempos em tempos para fazer roupas e fazer consertos. Esta senhora tem uma filha da minha idade, que aos 16 anos engravidou do primeiro namorado (segundo ela, durante sua primeira vez com ele). A mãe dela, supertrabalhadora, teria condições de pagar por um aborto, mas a menina preferiu ter a criança. Abandonou a escola, teve o menino e juntou-se com o namorado. Até hoje eles ainda estão juntos, e tiveram outra filha alguns anos depois, mas dependem da mãe dela pra sobreviver. E eu cresci ouvindo a costureira se lamentar pela decisão da filha, que teve a oportunidade de construir um futuro diferente pra si, graças ao trabalho da mãe, mas jogou a chance pela janela.  

Até pouco tempo atrás, eu me considerava católica de fato, apesar de ter uma maneira particular de demonstrar minha fé (por exemplo, me confessei uma única vez, antes da minha Primeira Comunhão, e nunca mais). Tive meus altos e baixos. Houve época em que eu ia à missa todo domingo, mas por outro lado passei muito tempo afastada da religião depois de brigar com um padre a respeito do uso da camisinha – também, o cara queria me convencer de que ela não funcionava para prevenir doenças sexualmente transmissíveis porque tem microporos por onde os vírus passam!

Quando o Papa deu sua declaração a favor da excomunhão dos católicos pró-escolha, minha reação inicial foi de revolta. Mas depois de refletir um pouco, cheguei à conclusão de que o velhinho está certo. Se você se diz católico, não pode escolher só as partes da religião que te apetecem, descartando o que considera incoerente ou anacrônico, que é o que eu fazia. Para ser coerente de fato, eu não posso me declarar parte da Igreja Católica, já que não sigo o que os líderes da religião pregam.

Obviamente, não me considero mais católica. E aproveito a deixa para fazer um pedido aos leitores deste blog que, como eu, são católicos na teoria mas não na prática: sejamos coerentes, e abandonemos o barco antes que o Papa nos excomungue a todos.

Thu
7
Jun '07

Montanha-russa


Mood: Preocupada
Music: Cry Me A River, Julie London

Impressionante como, num mesmo dia, podemos receber notícias tão contraditórias. E a capacidade de empatia do ser humano – de sofrer pelos males dos outros – nunca cansa de me surpreender. Sim, o post é vago, mas não posso entrar em detalhes (ainda). Aguardem as cenas dos próximos capítulos.

Mudando pra um assunto mais light, finalmente assisti ao final da terceira temporada de Lost – e que final, hein Bial?

Fri
1
Jun '07

Mês agitado


Mood: Bem alimentada
Music: Mais Um, Onze

Junho mal começou e já posso dizer que tenho um mês agitado pela frente. Começando esta noite com o potencialmente mágico Brasil x Inglaterra no renovado estádio de Wembley e passando por shows, festivais de música e eventos sociais diversos, não acho que terei muito tempo livre nas próximas semanas.

Aliás, uma coisa que reparei desde que me mudei pra cá é que dificilmente consigo decidir o que vou fazer num determinado dia sem ser com antecedência. Por exemplo: este sábado eu tenho três festas pra ir, duas delas marcadas há pelo menos um mês. Sinto um pouco de falta da espontaneidade carioca, de ligar pros amigos às 9 da noite numa sexta e perguntar “Qual é a boa?”, sem pressão. 

Um dos complicadores é a antecedência com a qual você tem que comprar ingressos pra eventos. Os shows mais concorridos, bem como festivais e outros acontecimentos dignos de nota, têm ingressos esgotados em minutos. Hoje mesmo madruguei pra garantir minha presença no único show londrino dos Smashing Pumpkins, que eu adoro e vou perder em agosto agora que não vou mais ao Reading Festival (tenho um casamento no mesmo fim de semana). E isso porque eu comprei meu ingresso praquele festival no ano passado!

Em tempo: eu e bonitão completamos nove meses de namoro hoje, no mesmo dia do 40º aniversário do lançamento do seminal Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band, aquele oitavo e mais badalado disco dos Besouros. :-)