Noites na Cidade: Divagações de uma jornalista brasileira em Londres.

Divagações e devaneios de uma carioca em Avalon

Fri
25
Jan '08

Floresta mágica


Mood: Circense
Music: Butterflies, Foo Fighters

Apesar de estar dura (o salário de dezembro já foi e o de janeiro só entra na semana que vem), cedi à tentação e fui ao Royal Albert Hall com amigos para assistir ao Cirque du Soleil. O show, Varekai, conta a história de um rapaz que cai do céu em uma floresta mágica, repleta de criaturas estranhas.

É claro que o enredo é o de menos: o grande apelo do circo são os artistas excepcionais, a produção espetacular e as coreografias diferentes. Já tinha visto Alegría (que no momento está em turnê pelo Brasil) no ano passado, mas a segunda vez foi quase tão impressionante quanto a primeira. São contorcionistas, malabaristas, palhaços, dançarinos, cantores e acrobatas que te fazem acreditar que pessoas podem realizar feitos sobre-humanos como voar. Alguns devem ter tendências suicidas, tamanho o risco que correm no palco – tudo pra arrancar suspiros e aplausos da platéia, que passa o tempo todo hipnotizada.

É caro? Bastante. Mas vale cada centavo pra voltar a ser criança por duas horas!

Fri
18
Jan '08

Justiça ou obsessão?


Mood: Cansada
Music: After The Rain Has Fallen, Sting

Que os ingleses adoravam a Princesa Diana (mais conhecida como Lady Di, especialmente depois de se divorciar do Príncipe Charles), todo mundo sabe. O que eu não sabia antes de me mudar pra cá é que na verdade essa adoração está mais para obsessão. Apesar do trágico acidente que culminou com sua morte ter ocorrido há mais de dez anos, Diana ainda é notícia praticamente todos os dias na mídia britânica. Agora, então, com o inquérito a respeito do acidente acontecendo na Corte Suprema daqui, Lady Di está em todas: uma hora é seu ex-mordomo, um aproveitador de marca maior, contando lorotas bombásticas a respeito de sua vida; depois, é alguém dizendo que a polícia fez parte de uma conspiração encabeçada pela Rainha pra matar a pobre princesa.

Eu até entendo porque Mohammed Al Fayed, dono da Harrods e pai do então namorado da princesa, Dodi, se interessa tanto pelo assunto; é um pai que não vai descansar enquanto não souber exatamente o que causou a morte de seu herdeiro, e que tem dinheiro suficiente pra manter o caso em voga o tempo que for necessário. O que me causa espanto é perceber que todo mundo ainda tem interesse no assunto, e que a Lady Di vende mais jornais e revistas morta do que viva. Pessoalmente, acho essa fixação com a vida e morte da princesa um tanto quanto macabra – pelo menos ela tinha mais virtudes do que outros ídolos da população britânica, que geralmente se limitam a jogadores de futebol ou artistas pop…

Wed
16
Jan '08

“We can bring peace and unite cultures”


Mood: Abismada
Music: Mission Impossible Theme

E Tom Cruise ataca novamente, desta vez através de um vídeo explicando o que é ser um seguidor da Cientologia – que foi obviamente publicado na internet sem sua autorização. Segundo Cruise, além de serem as maiores autoridades na mente humana e na reabilitação de usuários de drogas, os cientologistas podem trazer paz ao mundo e unir culturas. Basta que todo mundo se converta! O que será que todo mundo está esperando???

Eu só não me converto pra Cientologia porque levo muito a sério meu pastafarianismo

Tue
15
Jan '08

Lenda improvável


Mood: Entediada
Music: Move On, The Kooks

Domingo fui ao cinema com o ruivo para assistir ao nem-tão-futurístico I Am Legend (Eu Sou A Lenda no Brasil), baseado no clássico livro de ficção científica de Richard Matheson. Resumão da premissa básica: uma médica/cientista altera um vírus mortal para criar uma cura para o câncer, mas (como sempre acontece) alguma coisa dá errado e o tal vírus, em vez de curar, transforma as pessoas em algo ruim e feio. Will Smith, o ator mundialmente conhecido por quase sempre interpretar a si mesmo em qualquer filme, surpreende no papel de Robert Neville, um cientista do exército imune ao vírus e dedicado a encontrar uma cura para o mesmo.

A primeira metade do filme é excelente. A platéia acompanha Neville em sua rotina diária, que se resume a procurar outros sobreviventes da epidemia, caçar cervos pelas ruas de Nova Iorque e tentar não ser morto por criaturas bizarras. Smith consegue convencer no papel de um homem que tem somente um pastor alemão como companhia, e cuja mente aos poucos vai degringolando pela solidão e pela corrosão lenta e dolorosa da esperança. A segunda parte pra mim é menos interessante, mas a resolução do filme é satisfatória. Muito mais envolvente é explorar a psicologia de um homem naquele cenário que nós só podemos imaginar: e se eu fosse a última pessoa na face da Terra?

Mon
14
Jan '08

366


Mood: Feliz
Music: Take This Longing, Leonard Cohen

E 2007 se foi, como sempre mais célere do que seus predecessores. O ano que terminou não foi lá muito bom para este blog, que sofreu com censuras e abandono. Mas foi um ano deveras produtivo e positivo para esta que vos escreve, como as parcas atualizações dos últimos meses revelaram.

Meu sumiço de fim de ano teve como culpada a minha mãe, que passou pouco mais de três semanas em Londres comigo. Adorei a visita, mas os diversos momentos de estresse provaram que os últimos quatro anos, desde que saí do conforto do lar rumo ao inverno britânico, mudaram bastante a nossa dinâmica. Quem nunca brigou com pai, mãe ou outros familiares que atire a primeira pedra!

Passei o Natal em casa com poucas pessoas queridas e foi uma delícia. O reveillon foi a bordo de um barco, em pleno Tâmisa e com uma vista privilegiada dos fogos – mas resolvemos ignorar o show luminoso e curtir a virada sem muvuca, com mais pessoas queridas. São esses momentos singelos que me fazem apreciar o privilégio que é estar cercada das pessoas certas no momento certo, e de como minha família faz falta.

O ano bissexto – que começou correndo, apressado – promete. Mudanças importantes estão por vir, e em 2008 mais do que nunca o mundo será minha ostra. Já tenho três viagens a trabalho programadas para o primeiro semestre (em três continentes diferentes!), dois casamentos em lugares distintos no Reino Unido pra ir e uma semana de férias planejada pra quando der (sooner rather than later, eu espero). E este é o ano em que eu e tantas outras pessoas queridas completam 30 primaveras, o que certamente requer uma edição especialíssima do Festivo!

Não costumo fazer resoluções de ano novo porque prefiro adotar os objetivos importantes assim que eles se encaixem nesta categoria, e não gosto de prometer coisas que talvez não consiga cumprir. Espero conseguir atualizar o blog com mais freqüência, mas como isso muitas vezes depende de fatores externos e fora do meu controle, só posso torcer para que a inspiração venha nos momentos certos, quando eu estiver com um computador à mão e com tempo à disposição!

Feliz 2008!